17 outubro 2011

Dissidências


Nos tempos que correm, nada se torna mais real que aquele ditado popular que diz que a necessidade aguça o engenho. Sempre tive noção disso e sempre me pareceu estranho que a maioria do povo se entregasse a lamuria e à exaltação das misérias, e do nosso fado, como tantas vezes aqui escrevi, como coisa inevitável num país que deixou brutalmente de ser pai de toda a gente. Agora acabou. Estamos por nossa conta e é absolutamente necessário que cada estádio da derrocada seja acompanhado de uma outra crise psicossocial que à vertente negativa, sobreponha uma vertente positiva. As duas vertentes são necessárias: na primeira faz-se o luto da derrota, na segunda colocam-se mãos à obra. A duras penas. Mas, ainda assim, absolutamente essencial. Uma questão de sobrevivência, mesmo.

Isto para dizer que, nos últimos dias, me dei conta de um certo e animador fervilhar de ideias. No espaço de uma semana, falaram-me de três projectos diferentes, qualquer deles muito interessante, e que vão, obviamente, no caminho das alternativas ao que já não tem pernas para andar.

Não sei se são absolutamente viáveis. Não sei se são facilmente exequíveis. Não sei, sequer, se rentáveis. Não sei mesmo..... veremos. Estudaremos. Mas sei que estão lá porque quando tudo parece esvair-se por entre os dedos acabará sempre por haver quem fecha a mão e segura firme. E pensa.

Porque ainda estamos vivos. malgré tout.

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