19 janeiro 2011

voltando aos velhos e bons posts de música



Para relembrar Old Jerusalem (cujo verdadeiro nome é Francisco), caso se tenham esquecido.

De Fevereiro de 2007 no Contra Capa, publiquei o seguinte texto:

Francisco Silva , um songwriter português que se enquadra na área do "indie", disse em entrevista:

Não tinha muitos planos. Estudava no Conservatório ao mesmo tempo que tirava o curso de Economia e sabia que poderia enveredar por diversos caminhos. Mas pensei sempre que a música iria ter um papel importante. E o objectivo de compor esteve sempre presente, de tal forma que ainda me lembro de, numa aula de Português do 8º ano, dizer à minha colega de carteira que iria fazer um disco. E eu ainda não tocava guitarra!
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O primeiro lançamento em 2001
O nome Old Jerusalem vem de uma música de
Will Oldham;
Francisco Silva achou o título sonante e adoptou-o para o seu projecto musical. Após mostrar as suas gravações caseiras aos músicos dos Alla Polacca, decidem fazer uma edição de autor conjunta para lançar Old & Alla(2001) numa edição limitada e numerada. O sucesso dessa edição fez com que ambos os projectos acabassem por fazer cópias em CD-R para distribuir pelos amigos e a fazer uma re-
edição. Este sucesso conduziu Francisco Silva à editora Bor-Land, rapidamente as partes chegam a um acordo para a gravação de April. Francisco entra em 2002 no AMP Estúdio e trabalha com Paulo Miranda naquele que viria a ser aclamado pela crítica um dos melhores discos de 2003.
April primeiro álbum de Old Jerusalem é um "disco maior que a alma, onde melancolia e ambientes sombrios se misturam com confiança e resplandecência". "é um trabalho como há muito não se ouvia e onde proliferam temas carregados de uma simplicidade deliciosa. As melodias, a voz, as emoções e a paixão pela arte de produzir sons proliferam por cada acorde."

Durante 2003, Francisco começa a apresentar ao vivo temas novos, que viriam a integrar o disco seguinte do projecto - Twice the Humbling Sun. "Ninguém diria que este rapaz, nascido em Portugal, se movimenta tão à vontade por territórios até agora dominados pelos anglo-saxónicos, como seja a folk, o slowcore e o country na sua versão mais alternativa. Transporta-nos no seu veículo acústico, e a sua voz temperada é o volante que nos conduz por vários estados de alma, entre a introspecção melancólica e a celebração contida. Constrói poemas à mudança de estações, reflecte sobre o amor e contempla a vida na sua simplicidade, tudo envolto em composições dedilhadas, envolventes e de uma sublimidade rara."
Em The Temple Bell (2007), há uma maior gravidade na interpretação das canções, sobretudo na segunda metade do registo, que advém de uma «forma mais adulta e
confortável de usar a voz».
Francisco Silva reparte o novo álbum entre canções mais «arranjadas», nas quais introduz a melódica, o vibrafone e o violoncelo, e outras mais despojadas, que se apoiam sobretudo na interpretação e na guitarra acústica. No essencial, é um registo «mais coeso» e distante do primeiro álbum, "April", com quatro anos a separá-los, o que significa também um amadurecimento pessoal de Francisco Silva.[IOL-Musica]
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Tudo isto porque penso que nunca deixei aqui o quarto álbum do Old Jerusalem, Two Birds Blessing, e ele merece. Tem um ano e tal, e proporciona momentos que são mistura de suave prazer com doce nostalgia. Miguél Arsénio, vê nele alguns dos temas que mais declaradamente relembram a paisagem lunar que conduz Matosinhos até Leça da Palmeira, na marginal adjacente à cidade do Porto (o ninho criativo de Francisco Silva). Eu, vejo nele as melodias que se envolvem entre a abundante folhagem primaveril mas, também, a companhia perfeita para a brisa de fim de tarde enquanto se embala uma caneca de café quente. Muito bom, Francisco.

1 comentário:

Pêndulo disse...

Desculpa lá mas "a paisagem lunar que conduz Matosinhos até Leça da Palmeira, na marginal adjacente à cidade do Porto" dá-me uma incontrolável vontade de rir.
É que noutro dia ia a passar lá e o Neil Armstrong, ao descer de uma escada, pisou-me o pé direito.