10 dezembro 2010

porque não há II sem III. Ou...rasgar o hábito e cair no poço.


Ontem, a caminho de casa, ouvia no rádio uma conversa já não sei de quem com o Dr. Júlio Machado Vaz a propósito da violência doméstica. Da dose de coragem que é preciso para decidir cortar com um ciclo de brutalidade mas também com uma vida de "rotina socio-económica" e fugir de casa com os filhos deixando tudo para trás. Coisa que algumas heroínas conseguem, dispostas a tudo o que se imagina que tenham que passar e muitas vezes com risco de represálias que podem representar a própria vida.

Fiquei a saber, segundo dizia o Dr Machado Vaz, que, muitas destas mulheres, estão a ser colocadas em pensões. Sim, em pensões. Não em Casas de Acolhimento onde teriam o apoio de várias pessoas, desde quem passou pelo mesmo até aos técnicos mais diferenciados, onde teriam, pelo menos, o conforto de estarem acompanhadas nesta luta terrível por uma nova vida, mas.....em pensões. Não vou aqui tentar sequer imaginar o que seja sair de um ambiente de horror para um quarto, sozinha, ou com um filho para criar, sem emprego, sem tudo aquilo que até aí, de algum modo, as ajudou a viver.

Mas fiquei a saber mais. Que em Agosto, quinze destas mulheres deram com o nariz na porta. Não havia, sequer, um quarto de pensão.

2 comentários:

Fado Alexandrino disse...

Cumpre-me avisá-la que por determinação superior fica V. Exa. proibida de escrever sobre casos de vidas que ponham em causa o bom funcionamento das instituições e causem perturbação social.
A Bem da Nação.

Pel' Pinóquio

Cristina disse...

hahahaha!!! perturber as instituições?? deve ser a minha veia Assange :))