15 agosto 2010

Um dia publico o maior post de sempre. Hoje é o dia.

Da China, acabando pelo princípio, onde tudo começou: Pequim.
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"Pequim" , que significa "capital do norte", e chamada pelos chineses de Beijing.
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Chega-se a Pequim, e o primeiro impacto é o de uma cidade cheia. Cheia de gente, cheia de prédios, cheia de carros, cheia de comércio, e cheia de uma atmosfera que oscila entre a nebulosidade, o fumo e a humidade, o que lhe confere um ambiente acinzentado -que me esforcei por minorar nas fotos- e quente. Muito quente.
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Tem muitos milhões de habitantes, como todas as outras, e expande-se em modernidade em forma de anéis a partir do centro: A Cidade Proibida. Da antiga Pequim, sobrevivem os templos, os palácios, as vielas dos bairros antigos(Hu Tongs), e os costumes. A partir daí, surgem as grandes avenidas, viadutos, majestosos arranha-céus, restaurantes, centros comerciais e tudo o mais que uma grande cidade pode oferecer.
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Saimos para a rua, directamente para a zona mais comercial da cidade. Como sempre, gosto de começar pelos locais "onde as pessoas estão". Para isso, nada melhor que a rua Wangfujing, a mais famosa. Os edificios são enormes, e não fosse o toque de arquitectura chinesa que quase todos têm, dir-se-ia estar numa avenida ocidental qualquer, até chegar , inesperadamente, à entrada estreita de um bairro/mercado tradicional. O fervilhar de gente, é impressionate. É também, o primeiro contacto com as "comidas estranhas" de que ouvimos falar: espetadas de tudo, incluindo escorpiões e cigarras e frutas, misturado com recordações alusivas a Mao, pérolas, sedas, antiguidades, jade, material de caligrafia, falsificações, roupa. Curioso, é que um dos maiores e mais vendidos produtos da China, o Chá, não se encontra nestes mercados.
Além dos mercados de rua, Pequim tem vários mercados instalados em edificios do tipo centro comercial, que são a verdadeira loucura para quem gosta de comprar não importa o quê. Compra-se de tudo o que se encontra na rua, mas muito mais. São feiras gigantescas, os produtos apesar de muitas imitações são interessantes e regateia-se até pelo menos um quarto do preço. Viciante, mesmo.
Enfiamo-nos pelas vielas.
Os hu tongs são a cara da Pequim antiga. Os hu tongs de Pequim são vielas sinuosas, com casas-pátio construídas com uma incrível atenção ao detalhe e em concordância com os princípios do feng-shui (influência verdadeiramente surpreendente em toda a vida chinesa).
Hu tong é uma palavra da Mongólia que significa ‘poço d’água’, indicando que lares como esses eram construídos ao lado de poços desde o século 13. Devido à lei imperial que dizia que nenhum edifício poderia ser mais alto que os palácios, essas casas baixas espalharam-se para além da Cidade Proibida, criando uma boa parte da paisagem da cidade. Mais importante, os hu tongs formaram o quadro social de Pequim. Com diversas famílias a viver muito próximas umas das outras, usando pátios e wc's comuns, a rede de apoio da comunidade era muito forte. As construções são feitas de tijolo cinzento. Para preservar estes bairros, algo desconfortáveis e sem qualquer privacidade, o governo decidiu que os habitantes seriam donos das casas para sempre, eles e familia, ao contrários do que acontece com as outras casas, e que poderiam receber turistas ganhando dinheiro com isso. Porém, não parece ser suficiente. Cada vez mais, aparece nas paredes dos hu tongs a palavra ‘chai’ em tinta branca: demolição. O aumento dos preços dos terrenos, combinado com a necessidade urgente de mais infra-estrutura, fez levas de hu tongs serem destruídos para dar lugar à expansão de ruas e novos empreendimentos imobiliários. A visita vale a pena para se ter uma ideia da Pequim antes da actualidade.
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Fotos seguintes, documentam uma visita a uma casa de chá com demonstração da cerimónia do chá, e de como bem fazer um chá, seguida de almoço. Excelentes iguarias nos serviram, sempre.
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A primeira visita, é
A Cidade Proibida, a "morada dos filhos do céu"- Património da Humanidade pela Unesco
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Chega-se à mítica Praça de Tian'an Men, ou Praça da Paz Celestial , a maior praça do mundo com 440.000 metros quadrados. Está situada ao lado da famosa Cidade Proibida, e alguns dos seus monumentos mais importantes são o mausoléu de Mao Zedong, onde se encontra embalsamado o corpo do antigo líder comunista, exposto à visita de milhões, que se acumulam em longas filas de visitantes na quase totalidade chineses, e se apinham e empurram para ter um vislumbre de segundos do Grande Timoneiro; ainda na praça, o monumento que homenageia os Heróis do Povo, a Assembleia Nacional e o Museu Nacional de História e da Revolução.
Do outro lado um enorme retrato de Mao Tsé Tung (substituido com regularidade para que as cores se conservem vivas), na entrada da velha Cidade Imperial, coroa a porta de Tian'an Men.
Aqui, em 1949, Mao proclamou a República Popular da China.
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O título de Cidade Proibida surgiu pelo facto de somente o imperador, a família e empregados especiais terem permissão para entrar no conjunto de edificios do palácio.
A magnitude a Cidade é difícil de descrever, é um complexo enorme, uma verdadeira cidade, de aposentos, portais enormes, labirintos, jardins e colossais espaços abertos; quando se passa por um mega-portal e se acha que está a acabar, surge outro imenso lá no fundo, cada um ladeado de outros tantos pavilhões, jardins, templos e novos portais.
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O lugar é megalomaníaco e bem de acordo com a vida que vivia cada imperador. Os nomes de cada portal e principais aposentos são bem inspiradores, como "Portal da Suprema Harmonia", "Portal da Pureza Celestial", "Palácio da Tranquilidade Terrestre" etc. Como curiosidade, a grande quantidade de mármore, deve-se à comparação com as nuvens e, portanto, significava que os imperadores viviam numa aproximação ao céu, quase como divindades. A cor predominante é o vermelho, símbolo da sorte e prosperidade, e o amarelo, a cor imperial. Nos telhados, observe-se o pormenor dos pequenos dragões, filhos de dragão, que são os guardiões do edificio. O número de figuras depende da importancia deste, sendo sempre em número impar.
Outra curiosidade, os enormes leões que guardam a entrada da Cidade Proibida e vários outros palácios são, geralmente um macho e uma fêmea. O macho tem sob a mão, o mundo. A fêmea, tem uma cria.
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Dentro da cidade proibida foi filmado, se bem se lembram, o "Último Imperador", de Bertolucci, ao que perece, bastante fiel aos factos.
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A grande Muralha da China- Património da Humanidade pela Unesco
"Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha." "Confúcio", .
A Grande Muralha da China estende-se por seis a sete mil kilometros de leste a oeste no norte da China "como um imenso dragão percorrendo seu caminho pelos desertos e montanhas". Considerada uma das sete maravilhas do mundo, símbolo do isolamento e da fragilidade da China às invasões do Norte, que mesmo assim não conseguiu evitar, por parte de Mongóis e Manchus.

A construção da muralha da China teve inicio por volta de 220 a.C. por ordem do primeiro imperador da China, Qin Shin Huang. Não foi erguida de uma só vez, foram unidas secções de fortificações anteriormente construídas, por forma a constituírem um sistema de defesa unificado contra invasões. Na verdade a Grande Muralha é composta de vários trechos interligados e contruídos por diferentes dinastias ao longo de 2.000 anos. Antes do uso de tijolos, a Grande Muralha foi principalmente construída com terra, pedra, e madeira. A terra era às vezes compactada e reforçada com esteiras de tecidos trançados e usada para enchimento dos vãos.Perto de Pequim, a muralha foi construída com blocos de pedra calcária. Em outros locais foram usados, granito e tijolos queimados. Em muitas seções ocidentais foi usado basicamente lama e barro, e não tijolo e pedra, tornando esses trechos mais suscetíveis ao desgaste, erosão e destruição ao longo do tempo. A parte que restou da muralha e que pode ser vista até hoje foi construída durante a dinastia Ming, com materiais mais resistentes, tais como pedras maciças que serviram para formar os lados e o topo. .
A construção é um feito de engenharia - Além dos tijolos, alguns pesando 12 quilos, as ditas pedras exigiam oito pessoas para serem carregadas. A muralha estende-se em trechos íngremes de até 70 graus de inclinação, com largura variando de 4,5 a 9 metros e altura média dos paredões de 7,5 metros.
Registros históricos informam que pelo menos um milhão de escravos e prisioneiros de guerra foram usados para construir a muralha. Durante a obra, muitos morreram de exaustão, doenças e inanição e seus corpos foram acrescentados ao entulho e aos vazios da obra como forma mais rápida de se dembaraçarem deles. Durante séculos, a Muralha foi conhecida como o cemitério mais longo no mundo. Segundo os historiadores, cada metro linear em alguns trechos da Grande Muralha, custou a vida de três trabalhadores.
Nos estágios iniciais foi muito usada também como estrada elevada, por onde transitavam materiais, equipamentos, mercadorias e passageiros, que assim dispunham de um local mais seguro para atravessar a selva montanhosa por onde passava a muralha.
A grande muralha é, assim, um símbolo gritante a inteligência e perseverança chinesas.
Apesar da multidão, subir e descer a montanha pelas lajes ou escadas da muralha é um exercício que vale a pena. Quanto mais não seja para imaginarmos como seria aquele lugar nos tempos em que era guardado por um milhão de soldados imperiais.

Cloisonné
.As imagens seguinte referem-se a uma visita a uma fábrica de peças Cloisonné, a arte decorativa de aplicar esmalte de todas as cores na superfície de um objeto de cobre ou bronze. A manufatura do Cloisonné é detalhada e sofisticada, combinando as técnicas de fazer mercadorias do bronze e de porcelana.
O método de fazer cloisonné primeiramente envolvia a soldagem de arames de latão a uma superfície de um objecto de cobre para formar um padrão ou ilustração, e então, segundo as exigências de cada padrão, eram incrustados esmaltes coloridos. O esmalte era feito através do derretimento de diferentes materiais como grafite vermelho, ácido bórico, juntamente com pó de vidro, resultando uma substância brilhante, opaca ou translúcida.
Depois dos espaços delineados pelos arames de latão sobre o objeto de cobre serem preenchidos, o objecto era levado ao fogo. Após cada aquecimento, o esmalte contrairia, produzindo uma superfície desigual. Era então necessário preencher os espaços desiguais com pasta de esmalte da mesma cor por várias vezes. Tal procedimento tinha de ser repetido muitas vezes até que o espaço preenchido se tornasse totalmente liso, sem depressões. Somente assim o processo de aquecimento no fogo estava completo.
Os objectos esmaltados precisavam , então, ter a superfície polida e lisa de modo que o padrão de arames de latão soldados e a substância do esmalte fossem transformados em uma única peça. Finalmente, os arames de latão expostos entre as partes dos padrões, eram folheados a ouro. Assim, uma obra de arte cloisonné estava terminada.
Trabalho maravilhoso, apreciado na China e no resto do mundo.

Yiheyuan, O palácio de Verão, um Jardim Imperial de Pequim- Património da Humanidade pela Unesco
O Yiheyuan, também conhecido como Palácio de Verão, significa literalmente "Jardim da Harmonia Cultivada".
O Yiheyuan é dominado principalmente pela Colina da Longevidade (60 metros de altura) e pelo Lago Kunming que é totalmente artificial, tendo o solo escavado servido para construir a Colina da Longevidade.
É o maior jardim imperial da China. Em 1750, o imperador Qianlong da dinastia Qing celebrou aqui o 50°aniversário de sua mãe utilizando 140 toneladas de prata e 15 anos de trabalho para fazer dragar o lago e dar-lhe o nome de lago Kunming e acumular a terra extraída levantando a colina Wanshou (Longevidade). Em 1860, as Forças Aliadas Anglo-Francesas invadiram Beijing e roubaram e reduziram o jardim a escombros. Em 1888, a imperatriz Cixi , uma ex-concubina poderosa que chegou a governar a china após conseguir colocar no poder o filho e o sobrinho, abusou dos fundos da força naval para a reconstrução do jardim, mudando seu nome de Ondas Claras pelo de Yiheyuan (Palácio de Verão).
Em 1900 este jardim sofreu outro desastre a mãos das Forças Aliadas das Oito Potências Ocidentais durante sua invasão a Beijing. Em 1902, a imperatriz Cixi ordenou reconstruir o Yiheyuan e o trabalho culminou em um ano. Em 1914, o jardim abriu ao público e em 1924 transformou-se em parque.
O Palácio de Verão compõe-se da colina Wanshou, o lago Kunming e salões e templos. É atravessado por um Longo Corredor coberto, de 728 metros de extensão, que começa pela Porta de Convite à Lua e termina no Pavilhão Shizhang. A imperatriz Cixi ordenou construir este corredor para poder mover-se pelos jardins sem se preocupar com inclemencias meteorológicas.. . As vigas contêm mais de 800 pinturas finas representando figuras de pessoas, rios, montanhas, plantas e pássaros. Elogiado como "Galeria de Arte", é um tesouro da arte arquitectónica.
No fim do corredor, um cais onde se pode tomar o marco até à entrada, e onde se pode observar destacado, o Barco de Mármore. O barco original era construído com mármore e cristal e era utilizado por Cixi para festas. A construção deste barco financiou-se com o orçamento destinado a renovar a Marinha. Segundo a guia, o povo chinês considera-o como um símbolo da corrupção.
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O Templo do Céu-Património da Humanidade pela Unesco
O Templo do Céu é o maior conjunto arquitetónico do mundo dedicado às orações e ofertas ao céu, e está situado no parque Tiantan Gongyuan, a sul de Pequim. O Templo do Céu inclui a norte a Sala de Oração pelas Boas Colheitas; a sul, o Altar Circular e a Abóbada Imperial Celestial.
A planta do Templo do Céu é o desenho arquitectónico da letra da china "回" e seguiu o conceito de um Céu redondo sobre uma Terra plana. Começou a ser construído em 1420 e serviu às cerimónias promovidas pelos imperadores das Dinastias Ming (1368-1644) e Qing (1644-1911)
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Para os antepassados dos chineses, o céu era a autoridade suprema do cosmo e podia tornar os indivíduos felizes ou simplesmente impor o flagelo à humanidade por intermédio de guerras, calamidades climáticas ou epidémicas. Neste sentido, há 3 mil anos, as cerimónias religiosas voltadas às ofertas e orações popularizaram-se na China. E por este motivo, o imperador foi designado como o filho do céu, ou seja, era um enviado do céu para administrar o território.
Hoje em dia, é um local de visita obrigatória e os seus jardins cheios de vegetação inspiradores e tranquilos, enchem-se de adultos reformados que aí praticam Tai Shi , dançam, jogam, ou simplesmente se sentam e meditam.
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Finalmente, Os Túmulos Ming- Património da Humanidade pela Unesco
Chang Ling

Na dinastia Ming, a população cria que depois da morte física, o espírito de uma pessoa continuava vivo e mantinha as suas necessidades humanas, pelo que os túmulos eram guarnecidos de tudo o que agradava ao imperador, incluindo as concubinas.
Os Tumulos Ming, que parecem palácios imperiais, contêm os 13 imperadores, imperatrizes, concubinas e o eunuco preferido de uma das imperatrizes da dinastia Ming (1368-1644). O vale, urbanizado sob os princípios auspiciosos de harmonia do feng shui, está rodeado de montanhas, e as catacumbas conectam-se pelo Caminho Sagrado Imperial, ladeado por enormes estátuas de animais construídas em homenagem aos soberanos. Cada imperador desenhava e construía o seu próprio, e nestes mausoléus encontraram-se mais de 3.000 objectos diversos, muitos deles de uso quotidiano como vestidos de seda ou adornos fabricados em ouro, prata ou jade. Vemos, por exemplo, do túmulo de Chang Ling, as coroas imperiais agora expostas, uma delas em ouro enfeitada com dois dragões.
O maior túmulo de todo o conjunto funerário pertence ao imperador Yongle. Nela, além do imperador, está enterrada a imperatriz Ren Xiaoxi. A uns dois quilómetros, encontram-se as sepulturas de 16 das suas concubinas que foram eleitas para "acompanhar" o imperador na sua última viagem. A propriamente dita câmara funerária nunca foi escavada. No "salão da graça eminente", além da extraordinária arquitectura sustentada por colunas de cedro perfumado, vemos a estátua do imperador Yongle e alguns dos seus tesouros.
Em todos os jardins se encontram árvores etiquetadas. A etiqueta verde significa que a árvore tem pelo menos 100 anos. A etiqueta vermelha significa que tem, pelo menos, 300.
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E de Pequim, só faltam as imagens.


(ver em acran total)

2 comentários:

Gar disse...

Impressionante! só te digo...

dalloway disse...

Ma-ra-vi-lha!!

Muito obrigada Cristina