06 julho 2010




não era preciso ter visto os jogos da fase de grupos, para perceber que a selecção portuguesa iria cair mais cedo ou mais tarde – dependendo da equipa que encontrasse logo nos oitavos de final. azar que calhou a Espanha. antes assim, porque dessa forma acaba-se de vez com aquele jogo miserável de defender só por defender, sem esperança de que em posse de bola o ataque seja consistente.
nunca achei que tinhamos uma grande equipa. já desde o europeu de 2008 que o digo. mas era um lote de jogadores que, com um treinador de ideias esclarecidos e com alguma argúcia, poderia fazer um bocadinho mais do que fez – e este "fez" vem já da fase de apuramento.
Queiroz (ou será Queirós?) não tem carisma. ouve-se o homem a falar e nada vibra. é um enredado de frases cheias de figuras de estilo que se atrapalham e nunca se percebe exactamente onde é que começa e acaba. eu até gosto de gente que fale um bocadito mais do que o futebolês e, ao contrário de muita gente, não me chega que os jogadores saibam jogar, embora sejam uns broncos a falar. faz-me muita confusão que se trate tão mal a nossa língua. com os treinadores acontece o mesmo. acho que têm obrigação, como qualquer português, de saberem falar correctamente a língua. mas também não é preciso armar ao erudito. o que importa é que a comunicação seja clara, objectiva e entendível ao receptor. ora, ao ouvir o seleccionador nas conferências de imprensa o que se me solta é um imenso bocejo. imagino aquelas palestras para os jogos – ía dizer "de balneário", mas agora as equipas profissionais são muito finas e fazem as palestras nos auditórios. a cabeça do homem deve enredar-se em tamanhas explicações e variáveis que a dada altura já nem ele deve saber como acabar. e depois saem aquelas equipas com jogadores que ninguém entende a sua escolha e as substituições de fazer arrepiar os cabelos ao Telly Savalas!
o que se vê é um conjunto de jogadores perdido no campo, sem confiança para terem a bola no pé, encurralados naquela teia defensiva que demonstra bem o quão inseguro é o treinador. o único que se safou naquele emaranhado foi o Fábio Coentrão, porque é demasiado irreverente. e cagou, sempre que possível, naquela coisa do jogo certinho. e com isso teve tempo para defender bem e atacar sempre que o deixaram – jogos houve em que pareceu que ele era o único que queria ganhar; ou que não teria prestado nenhuma atenção à palestra, para deleite de quem viu os jogos. lamento que com o Cristiano Ronaldo não tivéssemos tido um treinador com ideias bem definidas, com tomates para fazer valer essas mesmas ideias, de forma a potenciar o talento que ele tem, com autoridade. porque um jogador como ele não pode ter liberdade para fazer o que quer – inclusive ser grosseiro e mal educado – porque não tem perfil para aguentar essa pressão fazendo o que é o correcto e, na verdade, a equipa não ganha nada com um jogador assim. porque jogadores assim, talentosos mas imaturos, precisam de uma liderança que se faça sentir. precisam de acreditar. precisam de quem assuma as responsabilidades, que para eles fiquem só as despesas do fazer acontecer. por isso é que, desde o início, achei absurda a ideia dele ser capitão de equipa. para além da ausência de perfil, esse é um fardo que, em vez de motivar, lhe carrega.

mas tudo isto, para mim, se resume a uma coisa: uma equipa depende sempre do seu treinador. um bom treinador pode fazer de uma equipa mediana, uma equipa competitiva, já um treinador mediano, regra geral dá cabo de um bom lote de jogadores. clarinho como água. a liderança é uma coisa lixada, mas é a base de tudo. e um treinador até pode ser bom tacticamente, o que não é o caso de Queiroz (ou será Queirós?), mas se não for um bom líder… mais cedo ou mais tarde, dá bode, como dizem os brasileiros!

felizmente, cada vez gosto menos de ver futebol. que alívio
!
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sim sim Aninhas. eu tamém digo muitas mentiras dessas...

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