20 junho 2010

Motherfucker


Sobre a morte de Saramago, escreveu:

Jose Saramago, Nobel laureate in literature and anti-Semite, died Friday aged 87.

It was Judaism itself that Saramago blamed for everything he disliked in Israel.

When such personages hurl wild allegations, they are congratulated in some quarters for their “courage,” their willingness to “speak out.” What is interesting about the life of Jose Saramago is that it offers an actual test case of just how much courage these anti-Israel writers in fact possess.

Unlike Chomsky, Vidal, Zinn, Klein and the others, Saramago spent most of his life living in an unfree country. From the time Saramago was 10 until the year he turned 52, Saramago’s Portugal was ruled by dictatorship. It was not an especially bloodthirsty dictatorship, but it censored the press, detained dissenters and waged a harsh war to hold onto its colonies in Africa. And during all that time, Jose Saramago did not speak out. He published some apolitical poetry. In 1969, he joined Portugal’s clandestine Communist Party. But so long as it was risky to speak, Saramago kept quiet.

Anda aí uma catraiada que quer subir na vida dando nas vistas com bandeirinhas e outras coisas próprias de cortejo de Queima das Fitas que achou muito bem o que escriba estrangeiro escreveu.

Não sou particularmente conhecedor de Saramago, só li dois livros dele (gostei bastante), e a necrofilia nacional que as televisões transmitem parece-me caricata, não me choca alguém dizer que não aprecia a obra dele e critique o que ele fez no passado, porém há limites.

De David Frum fiquei a saber que é um canalha, de Nuno Gouveia fiquei a saber que o tem como exemplo. Gente a evitar mas que é um bom indicador sobre as organizações que apoiarem.

5 comentários:

João disse...

Estes canalhas, procurando os seus 15 minutos de fama, só conseguem no máximo 15 segundos do nosso desprezo, e ainda assim à custa daqueles a quem pretendem denegrir. Na realidade têm apenas a verdadeira dimensão e a importância dum piolho na via Láctea.

Piotr Kropotkine disse...

Eu infelizmente devo confessar que li meia duzia dos livros do home e acho que o tipo tinha uma imaginação delirante além de um humor negro formidável. O que se passa nos ultimos dias da arca de Noé e o diálogo final do Caim com Deus é sublime para qualquer ignaro descrente e gajo com a alma já cedida em leasing ao diabo ainda um gajo não tinha nascido...

gostei mesmo muito do homem duplicado (mais um final desarmante) do ensaio sobre a lucidez, do ensaio sobre a cegueira, da jangada de pedra, e pra desonra eterna do evangelho esse livro maldito ....

acabarei por ler a obra do home (o ano da morte de ricardo dos reis, o cerco de Lisboa) e outros .... a seu tempo ...

mas apreciei ler pelos blogues a satisfação de tanta gente com o facto do home ter batido a bota...

Eric Blair disse...

para quê dar tempo de antena a esta gente, Pêndulo?

Cristina disse...

O artigo que citas é de uma mesquinhez inacreditavel escrito por um coitado que quando morrer ninguem recordará.

por coisas destas escri no post que fiz que o Brasil foi o pais que mais se deixou seduzir pelo portugues. poque conseguiram apreciar Saramago, sem maculas, pela excelencia da sua escrita, coisa que a maior parte de nós só conseguira daqui a muitos anos. a maioria nunca.
eu, ainda nem tentei. tenho medo não conseguir.


Piotr
quando olho para um Picasso ou um Miro, penso/digo muitas vezes coisa do tipo "mas que raio....que coisa mais esquisita...porque diabo acham este homem genial"? E Entretanto, alguem ao meu lado olha fascinado o mm quadro e responde "quem me dera desenhar metade disto".

aí, calo-me.

Dylan disse...

José Saramago não era menos português por não pôr a bandeira à janela na véspera de um evento desportivo. Acima de tudo, a sua essência era ibérica. Convém dizer que só saiu de Portugal devido à ostracização de Sousa Lara, comprovada agora com o episódio político revisionista da não presença de Cavaco Silva no seu funeral. "Viagem a Portugal" é reflexo de amor e do encantamento que sentia pelo país, pela sua beleza e cultura, pela classe trabalhadora, espelhada na sua identidade, mesmo que isso significasse ir contra a ideologia do seu partido, contra a maioria religiosa, contra o politicamente correcto. Para o seu espírito inconformado, a morte é pouco relevante. Como diria Saramago, "o fim duma viagem é apenas o começo de outra".