25 maio 2010

As estatísticas dizem que os hospitais têm um desperdício na ordem dos 20 a 30 por cento,


É por aí que deve ir, Sra Ministra, porque é verdade. Até à exaustão. Porque o corte de pessoal, quando ele é escasso e quando os que estão se vêm cada vez mais sobrecarregados, não me parece que seja de alguma serventia à qualidade dos cuidados prestados. Parece-me.


Além disso, se houver coragem para fazer um trabalho exaustivo de identificação do desperdício não só nos hospitais mas principalmente nos centros de saúde, apertando os critérios em relação à utilidade de certos exames e de certas terapêuticas, Sra Ministra, teríamos muito do problema resolvido. Afinal de contas, 20 ou 30% devem ser muitos milhões....

9 comentários:

António P. disse...

Boa noite Cristina,
Em tempos trabalhei na área de redução de custos.
A abordagem à sua redução é relativamente simples :
1º - Quem chefia ( o "Top client" como diziamos em calão ) deve estar consciente disso e ter vontade de reduzir o desperdício.
2º - Normalmente em qualquer "negócio" que não seja bem gerido o desperdício anda à volta dos 30%.
3º - Nem todo o desperdício é recuperável.
4º - Geralmente os da casa são resistentes e os gestores não têm capacidade de fazer a redução de custos daí haver empresas especializadas.
No caso da sáud e em particular dos hospitais seria de exigir às direcções dos mesmos acções e se a Ministra tem consciência do desperdício é chamá-los e exigir planos de acção.
Nota final : o desperdício vai desde energia eléctrica mal gasta até horas improdutivas de pessoal e passa ainda por stocks mal geridos, etc, etc.
Cumprimentos

Cristina disse...

Antonio

pois é, é um trabalho dificil. mas mais dificil ainsa é interferir na parte clinica, que é onde, julgo, havera mais dinheiro mal gasto. basta ver a quantidade de doentes com sacos e sacos de exames que se lhe não aplicam, carissimos e sem qualquer controlo. poderiamos ir também pelos "kilos" de medicamentos receitados sem qualquer beneficio. autenticas sacadas deles. mas mexer nisso tambem é muito dificil...


ou seja, é tudo muito dificil, excepto dizer " a partir de agora não se contrata mais ninguem"!

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Nem mais!

Brancaleone, da Terra de Vera Cruz disse...

Ora pois que então o que acontece aí na Corte explica os acontecimentos cá na Colônia...
Cá por estas terras a saúde pública esta assaz insalubre.
Incomoda saber que os que são pagos (e muito bem pagos) ás custas dos nossos impostos pra resolverem os problemas da saúde limitam-se a receber salários e nada mais...
Irrita ainda mais o fato de que gasta-se mais para administrar (????) a saúde pública que para ministrá-la.
Existe uma renca enorme de burocratas(muitos incompetentes e inúteis) com bons salários aboletados em cargos sem a menor importância enquanto médicos e enfermeiras minguam...

Fado Alexandrino disse...

Já tinha feito um comentário no meu blog que se resume simplesmente a perguntar se alguém sabe onde estão o que lhes vão fazer e quanto custaram as vacinas contra o H1N1.

Cristina disse...

deixo aqui um outro comentario feito por uma colega ao mm post no facebook..




Ester Freitas Tens raz... Cristina, cortem naquilo que está realmente a mais e não me parece que sejam os recursos humanos da saude. De qualquer modo, mesmo nesses avaliaem a produtividade, porque pode haver ainda pequenas surpresas. E já agora avaliem também a produtividade relevante (não interessa contabilizar a produção der coisas sem o melhor interesse, como legislação redundante, contraditória ou mesmo baralhante) dos políticos e racionalizem também aí os recursos humanos. Combater-se-ia muito mais o desperdício, se o foco festivesse nos ministérios, assembleias, fundações, institutos, entidades reguladoras, subsidios ia quem nao precisa, fraudes e assim...

besugo disse...

Prescrevo genéricos há mais de um lustro. E poupo, assim, alguma coisa.
Poupa-se em tudo, até nos clips. E nas horas extraordinárias dos médicos, também por exemplo, horas essas que são (aliás) as horas mais ordinárias que há.
Mas centrem-se, por favor: a única maneira de os custos na Saúde não dispararem é cortar na contratação de consultadorias pagas a peso de ouro, cativar (poupando, mesmo assim) gente boa e nova a vir trabalhar a sério e sem mercenarismo para hospitais centrais mas, apesar de tudo, carenciados (como sempre, lamento, refiro-me sobretudo à oncologia) e, o que me parece mais difícil de abordar porque envolve filosofias, determinar (de cima) quanto custam seis meses dum remédio caro.
Os remédios agora são mais caros, alguns.
O Cetuximab, o Trastuzumab, o Bevacizumab, o Lapatinib, o Rituximab e o Panitumumab - são caríssimos.
O tratamento de uma maleita do cancro com alguns destes fármacos pode custar mais de cinco mil euros por mês (para ser modesto).
Seis meses, ora deixa cá ver, dá seis vezes cinco, trinta. Trinta mil euros em seis meses.
Caramba, num ano seriam sessenta mil euros. Acho que até o Adrien Silva ganha mais que isso.
Vai mal explicado, mas estou cansado, desculpem-me ambas as coisas.

Cristina disse...

Brancaleone

por aqui também há disso. muita administração, muita secretaria, muita comissão, muito grupo de estudos, todos eles muito bem pagos. e muita ajuda de custos.

no fim de tudo, é claro, sobra sempre pouco para quem devia.

Cristina disse...

Besugo

há imensas coisas que se controladas dariam uma quebra de despesa brutal.

focaste as terapeuticas oncologicas, talvez porque são grande parte da despesa, é verdade, mas penso que não é por aí. essa não vai ser alterada porque talvez seja de entre toas a que é mais protocolada e , portanto, aquela que oferece menos duvidas.

já a terapeutica anti retroviral, tenho duvidas. apesar de protocolada, talvez se trate demais.sempre vivi paredes meias com a infecto e não tenho duvidas que há gente a quem deveria ser suspensa a terapeutica, por motivos que conheces, como eu. para bem deles e dos outros.


agora.....lembra-te do que eu disse no post. lembra-te das centenas de centros de saude por esse pais fora onde ha doentes que chegam a fazer ressonancias da cabeça aos pés à procura não sei bem de quÊ. NEM ELES. E analises, e tac's, e ecos. há-os a fazer destas coisas quase mensalmente... Lembra-te dos sacos e sacos de medicamentos com que os doentes se nos apresentam a maior parte das vezes sem se perceber para quê. ou sim. tudo comparticipado pelo Estado.

Lembra-te dos 3 ou 4 centros de transplante hepático para um país de 10 milhões que se percorre de norte a sul em horas. tudo a ganhar prevenções. isto dá 1 centro que custa milhões por quantos habitantes???? com que produtividade?? é aceitavel? já alguem se debruçou sobre o assunto?


e depois, o problema está nas horas extraordinarias dos medicos.....é de rir, não é?

ja alguem se lembrou de avaliar quanto é que uma farmacia faz um doente gastar....assim....va la, num ano, além do que lhe é prescrito por um medico?

seria uma enooooorme surpresa!! ah....mas por aí também não se pode ir, não é??

então, vamos mesmo é às horas extraordinarias dos medicos, e às contratações.

deixa-me só acrescentar: eu ja tive colegas de banco a fazer 3 equipes por semana, ou seja 24+24+24 indo trabalhar na manhã seguinte. e estavam lá. uns previligiados, ein? :))

é preciso acabar com esta festa...