28 abril 2010


D' O Aroma de Goiaba

(Gabriel Garcia Marquez & Plinio Mendoza)


-em geral, um escritor só escreve um único livro, embora esse livro apareça em muitos volumes com títulos diversos.
(...)
- Se cada escritor não faz mais do que escrever toda a vida um único livro, qual seria o teu?
(...)
- O livro da solidão. Repara bem, a personagem central de A Revoada é um homem que vive e morre na mais absoluta solidão. Também existe solidão na personagem de Ninguém Escreve ao Coronel. O coronel, com a sua mulher e o seu galo, esperando cada sexta-feira uma pensão que nunca chega. E existe no alcaide de Horas Más, que não consegue conquistar a confiança do povo e sente, à sua maneira, a solidão do poder.
-Como Aureliano Buendia e o Patriarca.
-Exactamente. A solidão é o tema de O Outono do Patriarca e, obviamente, de Cem Anos de Solidão.
- Se a solidão é o tema de todos os teus livros, onde se deveria procurar a raiz deste sentimento dominante? Talvez na tua infância?
-Creio que é um problema de toda a gente. Cada um tem a sua maneira de o expressar. Muitos escritores, alguns sem se darem conta, não fazem outra coisa senão expressá-lo na sua obra. Eu entre eles.

Sem comentários: