26 março 2010


Ponho palavras em cima da mesa; e deixo
que se sirvam delas, que as partam em fatias, sílaba a
sílaba, para as levarem à boca – onde as palavras se
voltam a colar, para caírem sobre a mesa.

Assim, conversamos uns com os outros. Trocamos
palavras; e roubamos outras palavras, quando não
as temos; e damos palavras, quando sabemos que estão
a mais. Em todas as conversas sobram as palavras.

Mas há as palavras que ficam sobre a mesa, quando
nos vamos embora. Ficam frias, com a noite; se uma janela
se abre, o vento sopra-as para o chão. No dia seguinte,
a mulher a dias há-de varrê-las para o lixo.

Por isso, quando me vou embora, verifico se ficaram
palavras sobre a mesa; e meto-as no bolso, sem ninguém
dar por isso. Depois, guardo-as na gaveta do poema. Algum
dia, estas palavras hão-de servir para alguma coisa.

Nuno Júdice

5 comentários:

Francis disse...

off-topic;

"Um sismo de magnitude 6,2 na escala de Richter abalou hoje o norte do Chile, na região de Atacama"

como dizias, e bem, alguém não gosta deles...never ending story.

dalloway disse...

Fiquei sem acção com este poema.

Brancaleone disse...

Radio Contra Capa!!!!
Genial, estupefaciente, soberba, magnífica, maravilhosa, gostosa, interessante, mundial, deliciosa!!!
Parabens e muito, muito obrigado por acariciar meus ouvidos e minha mente com estas músicas!!!

Cristina disse...

Francis

sem dúvida!

Cristina disse...

Branca


há quanto tempo, rapaz!!!

seja bem vindo e delicie-se com esta selecção musical que também eu acho que é excelente. ainda mais para um sábado...:))

grande abraço