27 março 2010

eu gostava de dizer alguma coisa, mas....




na verdade, olhando para esta maltosa toda, com cara de figurantes de quinta categoria, uma pessoa fica até sem vontade até de se interrogar....
Além disso, depois de me terem contado ontem que num debate sobre economia num canal de televisão inglês tinham considerado -todos os comentadores!- Portugal como um país sem viabilidade, igual á Grécia, que vivem à conta dos contribuintes europeus, com governantes paupérrimos, corruptos, e com um PEC (sim, conheciam em pormenor) em que ninguém acredita alem de o terem considerado mal elaborado, dizia eu....depois destas manifestações de confiança na nossa classe política, eu, que nem percebo nada do assunto, vou dizer o quê sobre os próximos ocupantes das cadeiras do poder? Nada.

4 comentários:

Pêndulo disse...

Carlos pasmava. Que faziam ,alli, ás horas de trabalho, aquelles moços tristes, de calça esguia? (...)
E o que sobretudo o espantava eram as botas d'esses cavalheiros, botas despropositadamente compridas, rompendo para fóra da calça collante com pontas aguçadas e reviradas como prôas de barcos varinos...

— Isto é phantastico, Ega!

Ega esfregava as mãos. Sim, mas precioso! Porque essa simples fórma de botas explicava todo o Portugal contemporaneo. Via-se por alli como a coisa era. Tendo abandonado o seu feitio antigo, á D. João VI, que tão bem lhe ficava, este desgraçado Portugal decidira arranjar-se á moderna: mas sem originalidade, sem força, sem caracter para crear um feitio seu, um feitio proprio, manda vir modelos do estrangeiro — modelos d'idéas, de calças, de costumes, de leis, d'arte, de cozinha... Sómente, como lhe falta o sentimento da proporção, e ao mesmo tempo o domina a impaciencia de parecer muito moderno e muito civilisado — exagera o modelo, deforma-o, estraga-o até á caricatura. O figurino da bota que veio de fóra era levemente estreito na ponta; — immediatamente o janota estica-o e aguça-o até ao bico d'alfinete. Por seu lado o escriptor lê uma pagina de Goncourt ou de Verlaine em estylo precioso e cinzelado; — immediatamente retorce, emmaranha, desengonça a sua pobre phrase até descambar no delirante e no burlesco. Por sua vez o legislador ouve dizer que lá fóra se levanta o nivel da instrucção; — immediatamente põe no programma dos exames de primeiras letras a metaphysica, a astronomia, a philologia, a egyptologia, a chresmatica, a critica das religiões comparadas, e outros infinitos terrores. E tudo por ahi adiante assim, em todas as classes e profissões, desde o orador até ao photographo, desde o jurisconsulto até ao sportman... é o que sucede com os pretos já corrompidos de S. Thomé, que vêem os europeus de lunetas — e imaginam que n'isso consiste ser civilisado e ser branco. Que fazem então? Na sua sofreguidão de progresso e de brancura acavallam no nariz tres ou quatro lunetas, claras, defumadas, até de côr. E assim andam pela cidade, de tanga, de nariz no ar, aos tropeções, no desesperado e angustioso esforço de equilibrarem todos estes vidros — para serem immensamente civilisados e immensamente brancos...

Carlos ria:

— De modo que isto está cada vez peor...

— Medonho! É d'um reles, d'um postiço! Sobretudo postiço! Já não ha nada genuino n'este miseravel paiz, nem mesmo o pão que comemos!

Anónimo disse...

Ah, a categoria dos comentadores britânicos. Eram os mesmos que repararam, previram e avisaram acerca do desastre irlandês e islandês, não eram?

Anónimo disse...

Alguém me podia arranjar o link desse debate.

Obrigado

N. Saraiva

Cristina disse...

vou tentar saber com a pessoa que me contou, o dia e o nome do programa.

sei que foi um programa de grande audiencia e muito comentado no jornais do dia seguinte...