04 janeiro 2010

trabalhar trabalhar trabalhar!


Por ocasião do Dia do Imigrante, publicaram-se no A.23.online algumas histórias de gente brilhante que deixou o seu país natal e adoptou Portugal como seu.
Imigrantes de que qualquer país se deve orgulhar, que aqui vivem, trabalham, brilham, e pagam impostos.
Confesso que, além de me sentir orgulhosa por eles, e por nós, me senti também envergonhada. Envergonhada pelas"estrelas" que temos. As nossas sumidades, salvo raríssimas excepções, são de dois tipos: os que são bons mas acham que o país lhes deve sempre muitíssimo fazendo o especial favor de por cá se cruzarem com os comuns mortais, e os que, comparados com estes, valem zero. Por todas as razões. Qualquer deles, de qualquer modo, considerariam da maior justiça um lugar nos livros de História e um túmulo nos Jerónimos. No mínimo. Porque são demasiado grandes, suponho.
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Voltando ao principio, deixo aqui uma dessas extraordinárias histórias.

Tâmara Antontseva e Stanislav Antontsev escolheram a cidade do Fundão para viverem. Ambos donos de um percurso brilhante, ela pianista, ele matemático, dão razões de sobra à cidade para estar orgulhosa por ter dois cidadãos tão ilustres. Foi a abertura de horizontes da Santa Casa da Misericórdia, sobretudo pela mão do seu antigo Provedor, Dr. Manuel Correia, que levou Stanislav e Tâmara a se instalarem no Fundão.
Tâmara, natural de Donetsk , Ucrânia, iniciou os estudos musicais aos sete anos e, em 1968, completou a sua formação, no Conservatório Estatal Superior M.I.Glinka como Pianista Solista, Pianista Acompanhadora e Solista de Grupo de Câmara, além da qualificação de Professora de Piano. Pianista acompanhadora do Teatro Académico Estatal de Ópera e Ballet de Novosibirsk, não hesita em referir o grau de exigência que lhe era exigido: “O ensino de música na Rússia era muito exigente. Requeria muita atenção e concentração”.
Aos 38 anos, já casada e com dois filhos, doutorou-se no Instituto Estatal de Música e Pedagogia da Família Gnessin em Moscovo, tendo após isto sido nomeada Directora do Departamento de Ópera e Arte Sinfónica do Conservatório Superior Estatal de Novosibirsk.
Como professora são já muitos os alunos laureados em concursos nacionais e
internacionais para além de entre eles alguns possuírem o título de “Artista Emérito”. Mas a falta de pagamento de salários -la emigrar: “Após quase um ano sem receber salário, decidi partir para ajudar a minha família na Rússia”.
Reside em Portugal desde 1997, sendo professora da Academia de Música e Dança do Fundão, onde lecciona a disciplina de Piano e Musica de Câmara. O principal obstáculo, que se tornou num desafio, foi o ter de ensinar crianças, quando até então, na Rússia, havia ensinado apenas adultos.
Com a sua ajuda muitos jovens alunos fundanenses já viram o seu trabalho reconhecido nacional e internacionalmente. Pedimos a Tâmara Antontseva para fazer um balanço dos últimos nove anos em Portugal: “O que mais me agrada são os resultados na Academia do Fundão, os prémios que os alunos têm obtido em concursos dentro e fora do país”.
Sobre o segredo do sucesso, Tâmara não tem dúvidas em afirmar: “Em qualquer área, para se ser bom, é necessário trabalhar, trabalhar, trabalhar.”
Stanislav Antontsev, natural de Volgograd, Rússia, é outra presença genial no distrito de Castelo Branco, actualmente Professor Catedrático do Departamento de Matemática da Universidade da Beira Interior. Licenciado e Mestre em Matemática de Cálculo pela Universidade Estatal de Kazan, doutorou-se em Física-Matemática na Universidade Estatal de Novossibirsk.. São muitos os graus académicos e a lista de publicações de que dispõe no seu currículo. Foi aliás premiado com o Diploma de Honra da Academia de Ciências da URSS e condecorado pelo Estado, em 1986, com a Ordem da Amizade dos Povos, do Soviete Supremo da URSS. Espanha Áustria, Alemanha, EUA, França, Itália ou Suiça foram alguns dos países por onde passou como docente mas foi Portugal, mais precisamente a cidade do Fundão, que escolheu para viver: “Comprámos casa no Fundão porque a Tâmara gostava mais de viver aqui do que na Covilhã. Além do mais, foi importante para o trabalho da Tâmara optarmos por uma cidade do interior. Para estudar música é necessário tempo”. A isto Tâmara acrescenta: “Em Lisboa o tempo corre. Uma hora por semana, em música, não é nada. Aqui no Fundão posso trabalhar mais tempo com os alunos e os resultados estão à vista”.
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O que é que pessoas como Stanislav Antontsev ou Tâmara Antontseva, ou Francis Obikwelu, terão exigido para darem o contributo que dão ao nosso país?

2 comentários:

Piotr Kropotkine disse...

desculpa lá ó Cris mas nós não temus nada a a prender com estes gajos....até temus um primeiro que trabalhava tanto que até fazia cadeiras ao domingo....

dalloway disse...

Uau!
Caramba!
Louvável!