22 janeiro 2010

Lord Byron- nascido a 22 de Janeiro de 1788



As paisagens idílicas de Sintra sempre encantaram os viajantes e turistas de ocasião, que aqui procuram o grandioso cenário de uma natureza pagã e sagrada.
Esta natureza deslumbrou Lord Byron como um romântico que se revia nela: “a vilazinha de Sintra é talvez a mais bela de todo o mundo”.

A 22 de Janeiro de 1788, nasce em Londres Lord George Noel Byron, poeta romântico e um dos maiores poetas de língua inglesa .Quando nasceu, George Noel Byron foi levado pela mãe, Catherine Gordon, para Aberdeen na Escócia.
Ainda criança herdou o título a as propriedades do 5° Barão de Byron e fez mais tarde os seus estudos em Cambridge. Foi membro do Parlamento inglês, onde teve uma passagem breve na ‘House of Lords'. De um efémero casamento tem uma filha, Augusta Ada, que deixa em Inglaterra quando inicia o seu périplo pela Suíça, Grécia, Turquia, Espanha e Portugal. Na Suíça terá outra filha, Alba Allegra.Começou cedo a escrever e deixou obras de referência do período romântico. Muito viajado, esteve em Portugal e deixou-se encantar por Sintra, tendo ficado maravilhado com o ambiente de neblina e mistério da Vila e arredores, a que chamou “Glorious Éden”.

"Eis que em vários labirintos de montes e vales
surge o glorioso Eden de Sintra.
Ai de mim! Que pena ou que pincel
logrará jamais dizer a metade sequer
das belezas destas vistas (...)?"
(Lord Byron)

Byron é vítima de dramáticas contradições como homem e como poeta. Capaz de expressar-se com o mais delicado dos lirismos, às vezes exalta-se por um cinismo arrogante.
A sua passagem por Portugal é marcada por um infortúnio amoroso causado por um marido ciumento, o que, segundo biógrafos seus, está na origem das depreciativas referências que faz, na sua obra Childe Harold's Pilgrimage, não só a Portugal mas também aos Portugueses.
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"Lisboa, 16 de Julho de 1809."
[ Carta de L. Byron a Mr Hodgson]

"Até ao momento temos seguido a nossa rota, e visto todo o tipo de panorâmicas maravilhosas, palácios, conventos, &c., - o que, estando para ser contado na próxima obra, Book of Travels, do meu amigo Hobhouse, eu não anteciparei transmitindo-lhe qualquer relato de uma maneira privada e clandestina. Devo apenas observar que a vila de Cintra, na Estremadura, é talvez a mais bela do mundo.
Sinto-me muito feliz aqui, porque adoro laranjas, e falo um latim macarrónico com os monges, que o compreendem, uma vez que é como o deles, - e frequento a sociedade (com as minhas pistolas de bolso), e nado ao longo do Tejo, e monto em burros ou mulas, e digo palavrões em Português, e sou mordido pelos mosquitos. Mas quê? Aqueles que efectuam digressões não devem esperar conforto.
Quando os portugueses são pertinazes, eu digo 'Carracho!' - a grande praga dos fidalgos, que muito bem ocupa o lugar de 'Damme!' - e quando fico aborrecido com o meu vizinho declaro-o 'Ambra di merdo' [por 'Homem de merda' ?]. Com estas duas frases, e uma terceira, 'Avra bouro' [por 'Arre burro' ?], que significa 'Get an ass' ['Arranja um burro' ...!?!, obviamente uma tradução incorrecta.], sou universalmente reconhecido como pessoa de categoria e mestre em línguas. Quão alegremente vivemos sendo viajantes! - se tivermos comida e vestuário. Mas, em sóbria tristeza, qualquer coisa é melhor do que Inglaterra e eu estou infinitamente divertido com a minha peregrinação, até ao momento.
Amanhã começaremos a percorrer cerca de 400 milhas até Gibraltar, onde embarcaremos para Melita [por 'Melilla' ?] e Bizâncio. Uma carta para Malta aí me encontrará, ou será reexpedida caso eu esteja ausente. Rogo-te que abraces o Drury e o Dwyer, e todos os Efésios que encontres. Escrevo com o lápis que me foi dado pelo Butler, o que torna o mau estado da minha [escrita?] mão ainda pior. Perdoa a ilegibilidade.
Hodgson! Envia-me as novidades, e as mortes e as derrotas e crimes capitais e as desgraças dos amigos; e dá-nos conta das questões literárias, e das controvérsias e das críticas. Tudo isto será agradável - 'Suave mari magno, &c.'. A propósito, tenho andado enjoado e farto do mar. Adieu."

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Abraçou com entusiasmo causas humanitárias. Partiu para a Grécia e lutou ao lado dos gregos contra o opressor, que era então a Turquia. Byron, feriu-se na Guerra de Independência da Grécia contra a Turquia e acabou por contrair uma febre que o levou à morte, aos 36 anos. Morreu na praia, dizendo para um amigo que o acompanhava:
"É chegada a ocasião de descansar!"

1 comentário:

Dylan disse...

nunca esquecer esta grande personagem...