04 novembro 2009

Esta noite morri muitas vezes, à espera de um sonho que viesse de repente e às escuras dançasse com a minha alma.
Fernando Pinto do Amaral




no intervalo do jogo, vi uns minutos de reportagem da RTP passados numa quinta do Alentejo. No vagamente poético Alentejo profundo. O da paz imensa, da paisagem agreste e seca, da gente boa que trabalha dias seguidos com um sorriso genuíno, sem dias santos e sem horário de entrada nem saída, da gente que conhece cada animal de onde tira o sustento como a si mesmo. A mesma gente que não merece, não mereceu, até hoje, de nenhum governo, um punhado de euros para fornecimento de luz eléctrica. Essa mesma gente, que guarda alimentos nos frigoríficos da família porque o deles é a gás e é pequeno, que não instala um sistema de ordenha porque é incomportável sem electricidade, que não sabe o que é chegar à noite e sentar-se no sofá a ver um simples jogo de futebol, ou uma novela, que nunca ouviram falar em Bimbys nem em play stations, é a mesma gente vive no país dos novos ricos da política, dos Varas e dos magalães.
Essa gente não ouve o Engenheiro Sócrates falar de simplexes, nem de cartões do cidadão, nem de acesso via internet às repartições públicas, nem de medidas sociais, nem de como "Temos de pôr o Estado a ajudar", porque "se o Estado não fizer, mais ninguém fará". .




E eu chego a pensar que isso é bom.

1 comentário:

francis disse...

belo pensamento.
eu às vezes também chego a pensar que é bom.