24 agosto 2009

os limites da liberdade, a defesa de menores e a autoridade paternal.




É uma notícia muito curiosa e que dá realmente pano pra mangas.
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A maioria das crianças de 13 anos, como é natural, vive, depende, é orientada e educada pelos pais. Não é natural, eventualmente nem desejável, que alguém com essa idade se veja na situação de ter que tomar decisões que podem ter implicações na sua sobrevivência. Talvez seja demasiado cedo, talvez não haja maturidade suficiente. Não há. Mas enfim, concedo também, que há adolescentes e adolescente, que há famílias e famílias. Ainda assim.
O caso passou-se na Holanda. Uma criança de 13 anos, pretende tornar-se a pessoa mais jovem a dar a volta ao mundo num veleiro. Sozinha. Os pais concordaram e a viagem preparou-se, ao que parece. As autoridades holandesas entram nesta história quando foram alertadas para o facto de o pai ter solicitado à câmara de Wijk bij Duurstede, autorização para suspender a escolaridade obrigatória por 2 anos. Depois de exposto o motivo e de tentarem demover o senhor, foi feita uma queixa aos serviços sociais que consideraram uma irresponsabilidade por parte dos pais deixar a filha adolescente ir até aos confins do mundo durante 2 anos, sozinha, sujeita a toda a espécie de perigos que possamos imaginar. O Estado decidiu intervir.
Foi uma viagem apoiada e programada com a família.

De Lange, advogado da família, sustentou que a menor tem capacidade para levar a cabo o seu propósito já que a "água salgada lhe corre nas veias", disse à agência holandesa ANP. Esclareceu que Laura "não é uma criança qualquer", uma vez que "nasceu num veleiro e viveu os primeiros quatro anos da sua vida a bordo, pelo que conhece todas as técnicas e tem todas as qualidades para fazer esta viagem".
O pai diz que a filha zarpará a 1 de Setembro haja o que houver. Os serviços sociais pediram ao tribunal de menores para retirar temporariamente a custódia de Laura aos pais e a entregue ao "Conselhos para a Juventude de Utrecht".
Segundo alguns peritos consultados pelos meios de comunicação holandeses, o facto de a menor ser tão nova e passar dois anos sozinha num veleiro pode colocar obstáculos ao seu desenvolvimento normal.
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Complicado. Como veriam este caso, a ter que decidir?
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A minha opinião.... não sei com toda a certeza, mas provavelmente seria não. A irresponsabilidade, observando de fora, parece óbvia; mas, pode obviamente ser contestada. No entanto... apesar da maturidade e conhecimento que seguramente a miúda tem, são 13 anos e aos 13 anos não há experiência de vida que nos ensine a lidar com o imprevisto. Depois, dois anos é muito tempo na cabeça de uma "criança" pré-adolescente. Não sei.....podem apresentar-se 50 argumentos válidos mas continua a fazer-me muita confusão. Sim...eu interviria. Se é um sonho, não é absolutamente necessário que se realize agora, e muito menos necessário é, obviamente, entrar no Guinness.

15 comentários:

Pêndulo disse...

E se a criança tivesse nascido e sido criada num bordel e decidisse interromper a escolaridade para se dedicar a ter relações sexuais pelo mundo fora? Também já conhecia tudo sobre o assunto e sabia precaver-se de todos os perigos.

Na minha opinião sobre o caso da criança marinheira não se devia retirar a custódia temporariamente mas sim definitivamente.
Há limites para o disparate.

Pêndulo disse...

Esqueci-me de uma coisa:
Uma criança não é propriedade dos pais como um par de sapatos ou um gnomo de jardim. Está sob custódia dos pais. Se eles não apresentam condições para a educar, como neste caso, deve ser retirada para seu, da criança, bem e nosso enquanto sociedade.

Cristina disse...

P

de acordo, nunca achei que o sangue fosse um direito sobre alguem.

a questão é: pode realmente a viagem ter sido muito bem estudada.
"A garota pretende rodar o globo em um barco Hurley 800 de 8,3 m chamado Guppy, financiado por patrocinadores."

provavelmente, estará sozinha SÓ dentro do barco, porque acredito que com isto tudo estará vigiada. quanto aos estudos, dirão muitos que ha quem os interrompa por piores razões e por mais tempo ou mesmo para sempre.por aí...

nesta perspecTiva, ainda te choca?


é que realmente, não me parece tão linear rotular tudo isto como "irresponsabilidade"

deverá o Estado intervir de qualquer modo?

Cristina disse...

ahh, os pais navegaram durante 7 anos e ela propria nasceu num barco..

Fado Alexandrino disse...

Assunto complicado.

Acontece e parece ser previsível que a ser-lhe negada a viagem isso vai causar um trauma profundo uma vez que estamos a falar numa família disfuncional (num sentido restrito) uma vez que estão todos ligados ao mar e á navegação e o apoio à iniciativa é total.

Será o equivalente a darem-lhe uma pena de prisão.
Como em tudo na vida para uma opinião de gente vulgar ou especializada aparecerá logo a contrária.

Penso que com os meios actuais a viagem pode ser de tal forma monitorizada (uma espécie de Truman Show) que parecerá que ela está a brincar com um barquinho na banheira da casa.

Não tem nada a ver com maturidade mas não resisto a transcrever uma notícia de hoje do CM.

“A atracção que sentiu pelo jovem que acabara de conhecer dentro da discoteca Kremlin, em Lisboa, não a deixou desconfiar de nada. Aos 26 anos, ‘Ana’ aceitou entrar com ele num automóvel e ser conduzida até um local ermo, na zona da Madredeus. Mas, quando o carro parou, no sábado de madrugada, a jovem foi assaltada pelo homem que tinha conhecido e por outros quatro ladrões, todos amigos do primeiro, sob ameaça de uma faca.”

dalloway disse...

A minha primeira reacção é de indignação porque queiramos ou não está longe de ser algo que aconteça com regularidade e por isso não temos outros exemplos como forma de comparar e conseguente padronização. Por vezes parece que precisamos de parametros para ilibar a nossa consciência de rebelde sem justa causa.

Torna-se muito fácil julgar os pais rotulando-os de irresponsaveis quando estes fazem coisas que não estão dentro dos nossos padrões morais (que palavrão!) e recorremos a instâncias superiores para chamar-lhes à razão.

Não sei se concordaria com esta viagem se a filha fosse minha. Não sou mãe mas não consigo deixar de pensar que tudo isto me parece demasiado prematuro. A intervenção do Estado nesta questão soa-me a... demasiao abusivo.

Resumindo e concluindo: não tenho uma opinião formada, concreta e objectiva acerca deste assunto.

Pêndulo disse...

E se a miúda decidisse cozer sapatos ou ir para uma fábrica de confecções durante dois anos? Podia ser a fábrica da família-
Ainda tinham dúvidas?

Teresa Ribeiro disse...

Cristina, mão há qualquer dúvida: aqueles pais são de uma irresponsabilidade inqualificável. Treze anos ainda que precoes são treze anos. Acho que o Pêndulo tem TODA a razão. Que história mais doida!

Cristina disse...

ainda não consegui vir aqui com calma...mais logo respondo.

Cristina disse...

Fado

Precisamente, à partida... é uma coisa que de tão irresponsável é quase impossivel que não seja transformada em bricadeira de crianças.

Cristina disse...

Dalloway

Pois é...parece que faltam dados não é? Claro que a tentação de intervir é muita. Claro que tudo isto parece demasiado perigoso, e aí, a confirmar-se que a miuda sairia dependendo só de si, eu acho que o Estado deve por senso nas coisas. mas, parece tudo tão irreal que duvido que seja mesmo assim.

Cristina disse...

P

não teria. mas também te digo que acho que nesse caso penso que a probabilidade de ela abandonar a escola definitivamente seria maior e o contexto provavelmente seria bem diferente.

Cristina disse...

Teresa

a historia assim, como ela se nos apresenta, parece completamente doida sim.

cumps

guimas disse...

Pelos visto a concorrencia é feroz.
Parece que está hoje a chegar a Inglaterra o mais novo a circum-navergar o planeta. Michael Perham comecou com 16, agora já deve ter 17... http://www.totallymoney.com/sailmike/

guimas disse...

http://www.abc.net.au/worldtoday/content/2009/s2668852.htm