03 junho 2009

as teorias seguem sobre solidez pantanosa...


Os partidos políticos estão disponíveis para discutir alterações à Lei de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo. Em causa está o conceito de superior interesse da criança que serve de base ao diploma e tem levado juízes a tomar decisões opostas, como nos casos da Alexandra, Esmeralda, Iara e Martim. A questão foi levantada pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC), que organizou uma petição para assegurar "o direito da criança à continuação das ligações afectivas", explica Dulce Rocha, presidente da instituição.
A deputada socialista Maria do Rosário Carneiro admite que no Parlamento "ninguém está a tratar do assunto". Contudo, a presidente da Subcomissão de Igualdade de Oportunidades e Família reconhece que o artigo 4.º da lei "merece reflexão" e está disponível para o debate. Do mesmo modo, a deputada do BE Helena Pinto revela que a bancada está "aberta para reflectir a possibilidade de clarificar o conceito". Mais convicta Teresa Caeiro do CDS/PP frisa que "faz absolutamente sentido discutir o superior interesse da criança". continua no DN
.
Louvável, mas confrangedor. Estamos em 2009, século XXI, na Europa (e não na China). E só agora, depois de vários casos públicos em que com pertinência se coloca em causa a coerência de determinadas decisões, alguém vem dizer que se calhar é melhor pensar em "clarificar o conceito" d "o direito da criança à continuação das ligações afectivas". Senhores, é obra. Só agora, uns pensam e outros admitem vir a pensar, que existe uma realidade além dos papéis, os tais onde nunca parece "haver indícios" de nada antes pelo contrário, e que as crianças criam laços, criam a "sua família" na cabeça e no coração, e sofrem com determinadas decisões. É de bradar aos céus, perceber por que princípios pantanosos se regem decisões que implicam vidas inteiras de sofrimento.

10 comentários:

Melancia disse...

pois é!
estamos a falar de políticos, que pensam ou admitem vir a pensar. fazer, já é outra coisa, e como eles dirão, 'fazer' deverá ser um conceito a ser clarificado.
infelizmente, e como é apanágio em portugal, o que é provisório fica até 'cair'... uma familia de acolhimento, que deveria ser solução de 3, 6 meses (para não haver institucionalização da criança, segundo o que me explicaram), torna-se família de coração após vários anos de convivência e depois decide-se que afinal já não é assim, que agora vais para outro país, outra mãe, outra lingua, outra escola, outro clima, sem qualquer acompanhamento e enquadramento. país esse que, como é de conhecimento geral tem uns orfanatos porreiros onde são postas as crianças cujos os pais vivem em situação semelhante à que aquela familia vive...
só se estão a esquecer de uma coisa, uma familia de acolhimento ou se quizer, provisória não pode ser encarada como um edificio escolar provisório.
desculpe o uso do seu espaço, mas este caso tem-me tirado do sério.

Esterilização Obrigatória disse...

Vem ver a entrevista que fizemos a protectora e amiga do Caramelo.
O Caramelo é um cão que precisa da ajuda de todos nós.
Por esse motivo pedimos que pelo menos leiam esta entrevista para conhecerem a historia dele.
http://esterilizacao-o.blogspot.com/

Álex disse...

Critina
«... admitem vir a pensar que existe uma realidade além dos papéis ...» e eu acrescento: e além da porra do sangue/biología, porque com este critério se cometem muitas atrocidades NUNCA no interesse da criança. O vículo biológico está MUITO sobrevalorizado!!!

Desinformador disse...

Podemos não estar na China, mas um facto é que também não estamos na Europa!!!

Cá para mim estaremos ali pelos lados do Caribe... pelo menos atendendo às várias referências à nossa Republica das Bananas!!!

Anónimo disse...

Oh, Cristina, mas os políticos já têm tanta coisa que os preocupe! A lei do financiamento dos partidos, o casamento dos homossexuais, os aviões da CIA, agora já estão a pensar no voto obrigatório, não exija mais dos desgraçados. Veja bem que os pobres dos deputados europeus só foram aumentados 100 por cento...
Pedro C.

Cristina disse...

melancia

também a mim. de tal forma que mal consigo discutir o assunto. o sofrimento infantil toca-me demais.

use e abuse.

Cristina disse...

Alex

SEM DUVIDA!! Sempre defendi que a familia biológica NÃO deve ter prioridade sobre a familia afectiva. Para mim, familia é quem nos quer bem e mais nada. Criaram-se laços? a justiça demorou?? Paciencia, agora, a parte legal, a ser corrigida, só quando a criança já tiver idade para participar na decisão. e se houver outros laços a formar com a familia biologica, seria mais tarde, quando a criança quiser.

só que, neste caso, talvez o estado tivesse que pagar algumas indemnizações. ah pois, não convem...

Cristina disse...

desi

também não somos uma republica das bananas, convenhamos.

Cristina disse...

Pedro

estamos a pedir demais, não é? pois é...

Fado Alexandrino disse...

Excelente post, parabéns.
Esta língua-de-pau em que as pessoas com responsabilidades se refugiam, levada ao seu máximo expoente pelos políticos acabará por destruir a democracia.