28 maio 2009

pois é....são como as outras pessoas.


Estive a ler as declarações do juiz do caso Alexandra. e juro que me custa comentar. O costume: não se apercebeu de nada de anormal, nada fazia prever, tudo parecia normal, a mãe nem parecia tão má assim e de repente até lhe pode ter nascido assim tipo impigens um amor maternal, e dados do processo, e a família biológica, e prá frente ó estrela que daqui a uns dias está a milhas e seja o que deus quiser. O simples facto de a miúda não falar a língua de quem a vai acolher, por exemplo, ao que parece, não mereceu qualquer duvidazita em termos de adaptação...Nojo,nojo,nojo. Faz-me lembrar aquela história do miúdo que ouvia falar em juiz pra cá e juiz pra lá, e não percebendo que tipo de pessoa era aquela perguntou ao pai: ó pai, e os juízes sabem ler e escrever? Ao que o pai responde com toda a naturalidade: ó filho, os juízes são como as outras pessoas, uns sabem, outros não.

9 comentários:

Miguel disse...

Como diz o outro... assino por baixo.
Sabes? Isto fez-me lembrar (salvo a devida e evidente distância/gravidade) as declarações do Lucilio Baptista depois da famosa final da Taça SLB: Quando se pensa que eles já não se podem enterrar mais, abrem a boca e enterram-se completamente.

Neste caso, por ser a vida de uma criança, é demasiado chocante. É daqueles episódios que nos deixa sem palavras. E desacredita não só a justiça mas toda a sociedade.

Pêndulo disse...

Muita atenção.
Estes juízes da relação não têm culpa nenhuma no que se passou. A sua função é apenas analisar o processo como um monte de papéis.

"A decisão, explicou, teve como base dois factos: um relatório do departamento de psiquiatria do Hospital de S. Marcos, em Braga, que considera não ter ficado provado que a mãe da menina fosse alcoólica ou prostituta, e as informações das autoridades russas de que a família teria condições de dar uma vida normal à criança.Eu diria que mais uma vez "a culpa é do sistema"

Observador disse...

E nada se pode fazer para evitar situações como esta?
Sim, pode.
As declarações do juiz que tomou a decisão são, no mínimo absurdas.
E se não fossem difundidas imagens televisivas sobre a forma como a mãe biológica da Alexandra a tratou, o juiz continuava a pensar que tinha decidido bem.
A verdade é que não decidiu.
O resto, argumentos, ses e mas, são cenários da treta.

Patrícia disse...

Completamente de acordo.... contigo. Serve de muito vir reanalisar agora, que a miúda está na Rússia e muito provavelmente nunca mais de lá sairá!
Coitada da miúda.

once disse...

"As declarações dela, da altura, foram mal vertidas para o papel" - e pelos vistos não foram só as declarações ..! Além de que eu não entendo como é que um processo desta natureza, em que está implicito o futuro de UMA Criança, pode ser baseado em declarações "vertidas" em papeis.

Desculpe as maiusculas Cristina .. * Não são gritos .. ou por outra, são-no .. mas mudos.

Um Beijo

Anónimo disse...

Pelos vistos é uma situação normal na Russia: a casa não tem água canalizada nem energia elétrica, a retrete é de tábuas e utiliza-se tapando o nariz, mas é igual a milhões de casas russas. Bebem muito e uma jornalista local diz que as crianças são precocemente iniciadas. Quando se habituar não estranha. Quanto à decisão judicial também não há que estranhar muito. Portanto, tudo normal.
Pedro C.

Fado Alexandrino disse...

Tenho muita pena de tão linda miúda, a única que não tem culpa nenhuma e que, claro está, se vai a bem ou mal habituar ao novo “habitat”.
Aqui todos são culpados, o programa da SIC que tratou deste assunto mostrou-o bem.
Todos falaram imenso, (a chamada língua-de-pau), ninguém tem culpa todos tinham imensas ideias, amanhã vai voltar a acontecer.
Continuo sem perceber porque é que as pessoas que, neste caso, são amas ficam com as crianças e não se lembram de antes se protegerem e as protegerem com a lei, consultando um bom advogado.
Que diabo, isto não é a selva.

dalloway disse...

Não percebo como chegamos a este ponto!
Continuamos a maltratar as crianças e os velhinhos deste país. Não os protegemos nem cuidamos deles!
Não percebo esta falta de aptidão para as coisas, para os afectos, para os sentimentos, para a liberdade e o bem estar do outro....
Parece que estamos formatados!!!
Se a culpa é sempre do sistema e todos aqueles que fazem parte dele (todos nós) então que nos reinventemos no decidir, no apelar, no construir, no saber cooperar, na exigencia do saber fazer...No sentir.

Já Marcel Proust dizia:
"Toda a gente vive apressada, e sai-se no momento em que se devia chegar"

mar disse...

"pois é....são como as outras pessoas."

E como tal erram......

Mas há erros que doiem muito...