19 maio 2009

abençoado "regular funcionamento das instituições".



A criança russa , que vivia há quase seis anos com uma família de acolhimento, a tal que era negligenciada e maltratada pela besta que a pariu mas inda bem que não fez um aborto mãe, e que dormia em cabines telefónicas, foi ontem retirada à força aos pais que conheceu e que a amaram e cuidaram para ser entregue à criatura e ser levada para não sei quantos milhares de Kms de distância na longínqua Rússia A criança só fala português. Não conhece a família biológica. Desde as pessoas à à terra, à escola, aos hábitos, comida, à língua, tudo lhe será estranho. Tudo.

À data do nascimento, problemas de alcoolismo e prostituição que afectavam a cidadã russa, levaram-na a alegar incapacidade para criar a menina. Certo, ainda bem que não a pôs no caixote do lixo. Mas, seria bom que as pessoas entendessem, e o Estado lhes fizesse ver (na minha opinião), que o facto de terem filhos sem condições para os criar pode ter consequências IRREVERSSÍVEIS. Ou seja, não é dali a meia dúzia de anos virem dizer que sim senhora que agora já querem e arranca-se um ser indefeso com uma ligação afectiva a uma família e dá-se a outra. Não pode ser assim. As crianças não podem viver com esta faca apontada à cabeça. O Estado Português tem que começar efectivamente a defender as crianças. A tomar decisões definitivas muito mais cedo. Porque é que não lhes foi proposto de imediato um processo de adopção e arrumava-se o caso? Ou então, eram logo deportadas após garantir que alguém as recebia na Rússia..... porque é que não foi feito? Erram em tudo. Erram no tempo e erram na forma, erram na humanidade básica com que os seres humanos devem ser tratados. O Estado Português continua a maltratar sistematicamente crianças, abandonando-as, para posteriormente as envolver em guerras onde não têm qualquer capacidade de defesa, onde os sentimentos não contam. Neste caso, para que serviram as odiosas "comissões de acompanhamento", os pedopsiquiatras e as assistentes sociais? E, em ultima instância, os tão proclamados Direitos da Criança?? Fizeram desta criança, uma criança mais feliz? Não. Então, puta-que-pariu....

28 comentários:

Dinada disse...

Completamente de acordo, Cristina...o crime hediondo praticado pelo Estado contra aquela criança deveria ter sido parangona de todos o jornais e abertura de todos os serviços noticiosos televisivos.

PARA QUE SE OUVISSE BEM ALTO OS GRITOS DAQUELA MENINA QUE VIVE O PIOR DOS PESADELOS...É RAPTADA AOS OLHOS DE TODA A GENTE, SEM DÓ NEM PIEDADE!!!

Eu juro que, como mãe, choro, por dentro e por fora...

Anónimo disse...

Cada dia que passa, são noticiados factos que nos colocam ao lado dos mais repugnantes sistemas. Este é um deles. Dramático, arrepiante. Já não há pachorra para levar isto a sério.
Bom e oportuno post, Cristina.

Pedro C.

once disse...

sem palavras Cristina .. que as que não sejam de esperança .. que aquela criança consiga, não sei quando mas consiga, superar tudo isto. Mesmo.

Quanto ao resto é tal e qual como termina: puta que pariu. E tenho alguma pena que não sejam as pessoas que mandam nesta merda as mesmas abandonadas, recolhidas e rapatadas anos depois.

once disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Parabéns, Cristina.
Disse com todas as letras aquilo que diriam todas as pessoas de bom senso.
J. Pinto

Dinada disse...

Deixei-me levar na tua onda e também escrevi...mas não consigo por liques, sorry. Fica a menção
*

Di

Rui Perdigão disse...

O Estado é as pessoas que o representam e o que vai dentro dos miolos delas, seja ao balcão ou num tribunal. Na maior parte dos casos o "puta que os pariu" assenta-lhes muito bem. E neste caso em concreto não nos restam dúvidas.
Saudações
Rui Perdigão

francis disse...

Absolutamente vergonhoso.
Estamos entregue aos bichos.

francis disse...

Como sei que és fã do meu vizinho deixo-te aqui este texto publicado no Público.

"A culpa é sempre dos outros

O MAGISTRADO Lopes da Mota não deve sair do EUROJUST. Não deve suspender o seu cargo. Nem pedir a demissão. Nem ser demitido. Se a representação de um Estado deve traduzir a verdade, ele é o homem certo no lugar certo. Não se compreenderia, por exemplo, que o representante do Estado português, em qualquer organização internacional, não soubesse falar a língua materna. Nem que o delegado de Portugal à NATO fosse um pacifista militante e um notório objector de consciência. Lopes da Mota é discutido e comentado em todos os jornais. É acusado de ter sido autor ou instrumento de pressões pessoais e políticas exercidas sobre outros magistrados. Por causa dessa acusação e após averiguações, é alvo de um processo disciplinar mandado fazer pelo Procurador-Geral da República. A maioria dos políticos e dos comentadores diz que se deve demitir e não reúne condições para exercer o cargo. O Primeiro-ministro, que o nomeou, diz que não tem nada a ver com o caso. Este currículo, limitado a uns factos recentes de conhecimento geral, faz dele o representante ideal num organismo europeu de coordenação entre os sistemas judiciários. Ele é o genuíno e fiel símbolo da justiça portuguesa.
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A JUSTIÇA portuguesa é cara, lenta e burocrática. Está geralmente mais interessada no processo do que no apuramento da verdade dos factos e na prova. Os magistrados não são avaliados por entidade independente. Os sindicatos de magistrados são máquinas de poder político e corporativo a que o Estado democrático não soube opor-se. Os Conselhos Superiores servem os interesses das corporações e impedem que a voz dos cidadãos tenha alguma força e que a legitimidade democrática tenha eficácia na sua organização. A justiça portuguesa é um condomínio fechado, hermético e impermeável ao interesse público e às ansiedades dos cidadãos. A circulação entre conselhos superiores, sindicatos e tribunais superiores, passando, por vezes, por cargos políticos, consagra o poder de uma casta impune e inamovível. Muitos agentes da justiça, juízes, procuradores, polícias e advogados participam, sem contenção nem reserva, nos debates públicos, têm presença garantida nas televisões, nas rádios e nas capas dos jornais. Alguns orgulham-se dos seus sindicatos, entidades híbridas e absurdas dedicadas a organizar duas classes profissionais, a dar-lhes peso e força política e a preservar privilégios. Dirigem-se à opinião pública com ilimitada arrogância, evocando a sua independência, que consideram autogestão e soberania. As técnicas de investigação são toscas e, por vezes, atentatórias dos direitos dos cidadãos. Questões de família são adiadas anos, por vezes até à morte de um dos interessados. Conflitos comerciais não têm resolução, a não ser pelo desaparecimento das respectivas pessoas ou empresas. Por causa do processo e do atraso, as compensações obtidas pelas vítimas ficam aquém dos prejuízos causados. Crimes de corrupção, apesar de provados, são desculpados. Os procuradores têm poder a mais e não têm qualquer reserva na sua intervenção política, nem no modo como querem condicionar juízes, advogados e políticos. As fugas de informação e as famigeradas quebras de segredo e sigilo de justiça, geralmente dirigidas e deliberadas, são o mais impressionante retrato do estado a que a justiça portuguesa chegou. A reputação da justiça portuguesa no estrangeiro é medíocre e risível. A opinião pública portuguesa considera os magistrados e a justiça como um dos sectores da vida pública que menos merece respeito e confiança. A justiça portuguesa cria, não resolve problemas.
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A CULPA é um fenómeno errático e fugidio. A sua trajectória é circular. Juiz, procurador, oficial de justiça, advogado, solicitador, polícia, ministro e deputado: cada um tem a certeza do seu comportamento exemplar e não hesita em culpar o vizinho ou todos eles. Para o juiz, a culpa do estado em que se encontra a justiça portuguesa é, sem dúvida, dos agentes do ministério público, dos advogados e dos políticos incompetentes. Já o procurador se queixa do governo, da falta de meios que este lhe concede, dos deputados que fazem más leis, dos juízes que se julgam infalíveis, dos advogados que não cessam de criar problemas e das polícias que estão às ordens do governo. Os advogados não têm dúvidas e apontam o dedo aos deputados, aos magistrados e aos procuradores, sem esquecer as polícias. O ministro, por sua vez, invoca a independência dos juízes para justificar o seu absentismo, ao mesmo tempo que se queixa das polícias, dos advogados e da verdadeira máquina de poder que é a Procuradoria-Geral. Os polícias consideram os juízes brandos, os deputados inúteis, o governo oportunista e os advogados obstáculos à justiça. Em comum, os corpos judiciais e outros “operadores” condenam os cidadãos impacientes, os comentadores e os jornalistas. Também em comum, o seu desinteresse pela causa pública e pela reforma deste estado de coisas.
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HÁ CENTENAS de magistrados, procuradores, polícias e advogados que cumprem os seus deveres, que se esforçam por ser bons profissionais, que trabalham mais horas do que deles se esperaria, que resolvem casos a tempo, que dirimem conflitos, que nunca são fonte e origem de problemas e que resistem à volúpia do protagonismo televisivo e jornalístico. Mas essa não é a percepção que os cidadãos têm da justiça. Essa não é a marca da justiça portuguesa. Algumas características do sistema e o comportamento de uns punhados de “operadores” fazem da justiça o pior da sociedade, quando deveria ser o melhor. A justiça portuguesa sofre, no seu conjunto, da má reputação que alguns dos seus dirigentes ou responsáveis têm na opinião pública. É atingida pela incompetência dos deputados e pelo medo dos governantes. Colhe as consequências das políticas públicas. Tem a má fama causada pela rede de cumplicidades tecida há muito entre políticos e magistrados e fielmente traduzida na génese e na actividade dos sindicatos de magistrados. A justiça deveria ser a última instância de confiança. Deveria ser o exemplo. Em vez disso, é um caso. Um problema. O mais grave problema português."

António Barreto

Cristina disse...

Dinada

é dificil, mesmo. para quem é mãe é quase inconcebível.
para um juiz, é trabalho feito e pronto. porque não pode pessar pela cabeça de ninguém que esteja a fazer o melhor para a criança. aqui só se jogam os direitos dos adultos, nada mais.


digo aqui o mesmo que no caso Esmeralda: a criança fica com a familia que tem, e quando puder optar, se quiser ir para a outra familia é livre de o fazer.

Cristina disse...

once

o pior é que não se pode fazer nada. à primeira o tribunal tinha decidido de uma forma, mas à segunda, alguém quis mostrar trabalho, para a "justiça Portuguesa" não fical mal vista, tal como no caso Esmeralda quando ameaçaram ir para os tribunais europeus, e pronto.

Cristina disse...

J Pinto

é o meu sentir.

abraço.

Cristina disse...

Rui Perdigão

sem duvida que é. o que não me deixa qualquer especie de esperança para as proximas eleições. infelizmente não vejo qualquer hipotese de ser diferente.

beijos

Cristina disse...

francis

muito lucido, o AB. como sempre.

beijos

celso disse...

A indignação já deu lugar ao desprezo.Desprezo que só parece ter o caminho da revolta e eventualmente da violência.Este estado, indigno, faz de nós pessoas indignas se nada formos capazes de fazer para o mudar.Nós somos o estado.

Larose disse...

...e tenho dito ......... puta que os pariu!

Que faz de nós portugueses uma solução destas para uma criança?

mar disse...

Tb eu estou completamente de acordo, e tal como no caso Esmeralda, mais uma vez a nossa justiça mostrou q além de cega é insensível.

Ou será q essas medidas dos tribunais estão a ser tomadas por robots, e nãp por juizes de carne e osso............

Fado Alexandrino disse...

Não acompanhei o caso que até onde vejo parece-me ligeiramente diferente do caso da outra miúda.
Sempre me espantou a quantidade de vezes (perto dos 80%) em que um tribunal revoga o que outro disse chamando-lhes burros com todas as letras que usam para disfarçar.
Quer isto dizer que as leis estão mal feitas e dão para as mais fantasiosas interpretações.
A culpa disto tudo é nossa, minha, da Cristina e dos outros que aqui comentam.
Não soubemos, não sabemos, não queremos, não lutamos por criar uma sociedade civil que tenha força para colocar na ordem estes políticos e sindicalistas profissionais (reparem há quantos anos vemos as mesmas caras) que nos desgovernam.
Do pouco que vi deste caso é uma autêntica tragédia.
Só por milagre não vai cair na cabeça dos principais intervenientes daqui a uns pares de anos.
Coitada da miúda.

MariaTuché disse...

Estou sem palavras!!

Pouco ou nada tenho ouvido noticias, mas esta despertou-me interesse porque como bem dizes, onde estão os tão proclamados DIREITOS desta CRIANÇA???

Já não é uma questão de quantos euros se gastaram, de pedopsiquiatras, de assistentes sociais.

É da vida de uma criança que estamos a falar, que só por milagre esta menina não vai ficar afectada para o resto da sua vida devido a este absurdo.

Mais um...

loirices disse...

senhores que só servem para fazer o que interpretam nos books sem usarem aquela coisa chamada de consciência.

Melancia disse...

faz-se, esquece-se. onde foi mesmo que deixei aquilo que pari à seis anos?
não há problema, foi em portugal, vamos lá buscar o que por lá ficou.

(e ainda que hajam diferenças entre famílias de acolhimento e famílias adoptivas, será que é assim que se fazem as transferencias de objectos?)

agora que a tua mãe já te quer, vais para milhares de quilometros do que conheces, do que amas, dos que amas. e não, não vais de férias, vais e pronto. ah, não falas a língua, ah, não conheces a mãezinha, ah não tens lá os amigos e a escola e esses estupores horríveis que te cuidaram durante estes anos?! não faz mal, ela é a tua mãezinha que te ama acima de tudo e como te ama acima de tudo e te quer, assiste assim à tua 'transferência'. é assim. porque sim. porque a AUTORIDADE diz que sim.

e porque não embalar-te numa qualquer caixa e mandar-te para que te desembrulassem lá?! era mais prático, afinal és um objecto. como podes ver, a transferência foi simpática.

é assim a fantochada legalista. é assim o superior interesse do object (perdão) da criança.

Eric Blair disse...

puta que pariu o estado (com minúsculas)

Observador disse...

PQP para todos os que vivem no faz-de-conta.

Anónimo disse...

Apenas e só, para reflexão:

Não conheço o processo e nem os factos que estão no processo; mas sei que, a maior parte das vezes, os factos publicados nos media não correspondem à realidade - nem á realidade processual, nem á realidade da vida e do "pedaço de vida" em causa.
E atente-se no seguinte: imaginem, como mães e pais, que algúem raptva um vosso filho, ainda bébe´e dois ou tr~es anos mais tarade, é encontrado o raparor e o bébe ( vosso filho) que, como é natural, já se afeiçoou ao raptor e com ele criou os laços e afectos de referência naturais e é com o rapator que se sente bem.
Quide iuris ? ( que é como quem diz, que fazer ? )

Grata,

anderson disse...

interessante

Álex disse...

Puta que os pariu com certeza!
Ó Anónimo aí de cima, vamos lá ver: mas aqui alguém raptou alguma criança?!!! a Alexandra foi legalmente entregue ao casal de acolhimento (que confiou no Estado e estava á espera sei lá do qué para iniciar o processo de adopção, como os da esmeralda q/ tb. foram mal ou tradíamente aconselhados...)porque a mãe biológica era/estava incapaz para a educar/sustentar/amar/proteger etc, etc, etc como os deuses mandam! E agora a Sra Mãe biológica está em condições. Fixe para ela, mas NO INTERESSE DA CRIANÇA não de pode andar para trás e para a frente com estas questões e mais "a cavalo" entre dois países tão distantes um do outro em tudo! Quem sofre, é sempre o mais fraco - a criança - que não é tida nem achada em momento nenhum e quem deveria por ela lutar - em última análise, o Estado do país onde tudo isto acontece - NÃO TEM NEM SENSO COMÚM NEM PORRA NENHUMA

Rui @t Blog disse...

Agora já sei porque tenho vómitos. Pena que não vomite em cima de quem mandou devolver a menina à mãe.
Desculpa-me o termo em casa alheia mas "puta-que-pariu" mesmo...

Miguel disse...

Daqui retiro 3 coisas: Estado português, erram, puta que pariu. Junta-se tudo e põe-se 3 minutos no micro-ondas. O resultado não é um bolo de chocolate. Mas gostava de ver!