16 abril 2009

apesar da tristeza, não são os desaires futebolisticos que nos levam...

Hoje lembrei-me de vos trazer um conceito relativamente novo que tem efeito directo sobre as doenças cardiovasculares, primeira causa de morte no mundo desenvolvido:


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A Síndrome Metabólica define-se como uma condição em que vários e conhecidos factores de risco cardiovascular aparecem juntos, entre eles a hipertensão arterial, o aumento de colesterol, a hiperglicemia e o acumulo de gordura intra-abdominal, também chamada de gordura visceral ou andróide. Já por aqui falámos um pouco deles individualmente.


Porque é que é importante? É importante por um lado para assinalar a associação da SM directamente com doença cardiovascular, e por outro, referir a responsabilidade pelo aumento da mortalidade geral em cerca de 2 vezes e a cardiovascular em 3 vezes.


O excesso de peso é considerado o principal determinante de risco da Síndrome Metabólica, entretanto, como já é sabido, a distribuição corporal da gordura é mais importante do que seu excesso. A chamada distribuição andróide de gordura corporal, caracterizada pelo acumulo de gordura no tronco e deposito de gordura visceral (órgãos abdominais) é característica dessa obesidade associada à Síndrome Metabólica.
Outro achado decisivo para a Síndrome Metabólica é o aumento do nível de glicose/açúcar no sangue em jejum, consequência da resistência à insulina e resultando em aumento do risco de desenvolvimento de diabetes.
Os outros factores de risco associados, como o quadro indica, são baixos níveis do "colesterol bom" (HDL), aumento de triglicéridos e a Hipertensão Arterial..
Muitos autores consideram ainda a presença da proteínas na urina (microalbuminuria), e ainda, o aumento dos níveis de ácido úrico.
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Se você tiver um destes factores de risco, a probabilidade de sofrer um avento cardiovascular aumenta Se tiver dois, aumenta mais ainda. Se tiver mais, tem uma síndroma metabólica e é bom pensar em fazer algumas mudanças, drásticas, no estilo de vida. Por onde começar??

O factor aparentemente desencadeante de todas as alterações é o aumento do perímetro abdominal. As células que acumulam gordura são metabolicamente activas e têm implicações no aparecimento do resto do quadro, nomeadamente na resistência à insulina e diabetes, HTA, aumento da gordura no sangue etc. Logo, uma intervenção que diminua essa gordura pode prevenir, por exemplo, o aparecimento da diabetes.
Assume aqui particular importância o exercício físico, a dieta pobre em gorduras e açucares, a redução do sal, e como se imagina, a suspensão do fumo e do álcool.
A perda de peso propicia melhora em todos os aspectos da SM, associando-se à redução de mortalidade, em especial a mortalidade cardiovascular. Mesmo pequenas reduções de peso (em torno de 5% a 10%) mostraram-se benéficas. É ainda estabelecido, que o condicionamento físico aumenta a sensibilidade à insulina, diminui os níveis de triglicéridos, diminui a pressão arterial e aumenta os níveis de HDL-colesterol, independente do índice de massa corporal.
Caminhadas ou corridas leves por uma hora diária vão determinar perda considerável de gordura abdominal (visceral) em homens, mesmo sem restrição calórica.
A dieta
O objectivo principal das alterações dietéticas na abordagem da SM é reduzir o risco de diabetes
e doença cardiovascular. Estudos vários corroboram o importante papel do impacto das
intervenções dietéticas na redução do risco cardiovascular. De tal modo que se verificou que
uma dieta com pouco sal foi efectiva em manter níveis de TA adequados após a suspensão
de anti-hipertensivos. Noutros, utilizando dieta pobre em gorduras, em que os participantes foram acompanhados por mais de dois anos, mostraram redução na ocorrência de eventos cardiovasculares. Enfatizou-se também, o consumo de frutas, vegetais, lacticínios desnatados,
grãos, peixe ,frango, restringindo o consumo de carne vermelha, gordura saturada, doces e bebidas ricas em açúcar.
Para sedentários portadores de hipertrigliceridemia e resistentes à insulina (particularmente
aqueles com obesidade central), uma dieta pobre em carboidratos que limita alimentos
ricos em açúcar, como refrigerantes, sobremesas e doces, mas rica em fibras, frutas, verduras e
grãos, é benéfica.
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O post é enorme.... só agora vi.....no entanto, parece-me importante e espero que vos tenha sido útil. E explícito.

3 comentários:

MariaTuché disse...

ufa , consegui ler tudo.

Muito útil este tipo de post.

Obrigada Doutora

Anónimo disse...

Desculpa, mas depois de ler só me ocorre dizer.." tou fodido" :-(

(endocrinologia..se tiveres pachorra, explica o que é T3 e F T4 LIVRE em análise ao sangue)

um abraço

intruso

dalloway disse...

Eu nunca acho que os posts que escreve acerca da saúde sejam enormes. A importancia das suas palavras, a prevenção sempre explicita e o facto da Cristina dispender do seu tempo, conhecimento tecnico e fazer o favor de partilhar tudo isto connosco, isso faz de nós pessoas privilegiadas mais não seja por termos alguém que lembra que o bem mais precioso é sem dúvida a SAÚDE e que a prevenção é fundamental.

Obrigada Cristina.