17 março 2009

não a via há tempos


apesar de trabalharmos no mesmo sitio. É natural, isto é enorme, somos muitos, horários diferentes, departamentos diferentes, funções diferentes. O mesmo rosto doce, juvenil. Menos expressivo, talvez, os mesmos olhos enormes, azuis. Pareciam maiores. Estava sentada na mesa ao lado, ao almoço, a conversar com alguém. Ao segundo olhar, algo me chamou a atenção: o cabelo era diferente. Menos brilhante. Percebi de repente que tinha uma cabeleira postiça. Era isso, o cabelo louro era postiço e os olhos não tinham pestanas nem sobrancelhas. O azul parecia maior que o habitual, de facto. Tornou-se enorme. Confrangedor. Embrulhou-se me o estômago, passou-me a fome, já não estava ali a fazer nada, levantei-me discretamente e sai.

Um dia destes hei-de conseguir falar-lhe.

3 comentários:

Fado Alexandrino disse...

Que texto fabuloso.
Pena que não seja ficção.

Cristina disse...

é triste, muito triste.

OR Almeida disse...

Tem 32 anos e anda às voltas com um linfático....ao que parece também já tem fígado afectado...

é triste, muito triste...

Beijos