07 fevereiro 2009

tem dias...


O tempo cinzento e chuvoso de Inverno é habitualmente suficiente para alimentar depressões mas, se tal não for suficiente pode sempre optar por ir ao cinema ver “Revolutionary Road”.

O realizador é o tal Sam Mendes, um neto de portugueses que fez toda a sua carreira no teatro e no cinema e cuja obra prima se chamou “American Beauty”, ou "o estado de coisas chamado AMÉRICA" . Adivinha-se.
Aqui, reduz o espectro e mostra-nos a dor de existir de determinadas mulheres, impossibilitadas de sonhar e reduzidas ao que "deve ser feito" rodeadas da já descrita sociedade de mentiras e traições onde nem falta o louco (de internamento) que pelo meio é o único que mostra alguma lucidez. Obviamente, tem os condimentos necessários para não acabar bem.
Revolutionary Road é, como li por aí (não me lembro onde), um filme sobre as diferenças entre a utopia e a realidade, o desejo de amar e a crueza, afinal banal, de uma relação amorosa.
Fala de inconformismo e de frustração com mestria e serenidade, e coragem, transmitindo uma tensão emocional que se vai brilhantemente espelhando nos olhos dos dois personagens Frank e April ao longo do filme. Duro. Inevitavelmente perturbador.
Depois deste, aumentou seriamente a minha expectativa para “The Reader”; em breve.

3 comentários:

Fado Alexandrino disse...

É um filme magnificamente perturbador e a cena final enche o ecrã.
Fiquei hoje muito feliz por ler no Expresso que não tinham gostado.
O The Reader como já disse na minha tasca é diferente, ela é soberba, Ralph Fiennes é aquilo que esperamos (atenção a The Duchess) e na minha pouco modesta opinião devia ganhar o Oscar para o melhor filme.
A safra deste ano é Vintage

Cristina disse...

olha, sabes o que te digo??

sobre os criticos, eu tambem gostava de :

ver todos os filmes que eles dizem que viram,
ser menos cineasta frustrada do que eles são

ser tão superiormente esclarecida e culta como eles julgam que são

ter tantas soluções brilhantes para roteiros como eles julgam ter

e finalmente

aproveitar todas as oportunidades de estar calada que eles desperdiçam...


ah....e ser infinitamente menos chata!

dalloway disse...

Não só não vi este filme como não vi nenhum dos que a Cristina tem falado ultimamente.Li o livro mas quero ver o filme.
A opinião da Cristina acerca dos criticos é causticamente deliciosa