06 fevereiro 2009

Como andamos todos bem dispostos no Contracapa

País de plástico e de acrílico. É isto que somos. Veja-se o relatório da DECO sobre o estado dos 'lares de idosos' (dar desconto à tentação de a DECO substituir a lei): insegurança, más condições e tristeza. No Portugalinho moderno, jovem, divertido, os velhos contam pouco; a linguagem oficial chama 'idosos' aos velhos e dá o nome de 'casas de acolhimento' aos lares – mas só muda os nomes, porque a indiferença, a insensibilidade e a ingratidão estão lá na mesma, aguardando que os velhos partam de vez sem incomodar as famílias. E para que se hão-de tratar bem os velhos? Precisamente porque um país que não trata bem os velhos não é bem um país: é uma coisa miserável que desconhece a gratidão e o conforto. O Estado, que gasta milhões a apaparicar os 'jovens', cada vez mais egoístas e arrogantes, devia pensar um pouco nos nossos maiores.

Francisco José Viegas no "Origem das Espécies"

A propósito de uma conversa com uma colega cujos filhos já adultos dormem na mesma cama com a avó quando há reuniões familiares, fazendo questão disso além de darem banho à senhora comentando "A vó tem a pele tão macia".
A senhora, uma aldeã da serra, é "obrigada" a passar o Inverno em casa de filhos em Lisboa para não apanhar frio. Quando aquece um pouco vem para o Porto e só a "deixam" ir para casa quando o tempo está bom.

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