08 fevereiro 2009


Acabei de ver Milk, passado nos EUA, e não pude deixar de fazer a associação com a Europa. Harvey Bernard Milk foi eleito supervisor da câmara de São Francisco do prefeito George Moscone, mais especificamente para o distrito de Castro, bairro gay onde morava. Tornou-se assim, em 1978, o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público nos Estados Unidos, numa época turbulenta do activismo em prol dos direitos da comunidade gay e lésbica, envolto em todas as bandeiras arco-iris, sob enorme contestação e com o resultado que se sabe.... Na Europa, suponho que tal não seria possível, na época. No entanto, enquanto nos Estados Unidos a vida sexual dos políticos continua a decidir e a matar carreiras, na Europa, apesar de só este ano termos assistido ao mesmo fenómeno, 30 anos depois, o assunto teve tratamento radicalmente diferente. Na Islândia, a social-democrata Johanna Sigurdardottir foi escolhida para liderar o novo Executivo de esquerda depois da demissão do primeiro-ministro Geir Haarde, na segunda-feira, tornando-se a primeira chefe de governo assumidamente gay do mundo. Num momento de turbulência, Sigurdardottir, de 66 anos, surge como uma "tábua de salvação" graças à sua reputação de política empenhada nas causas sociais. Esta antiga assistente de bordo, foi duas vezes ministra dos Assuntos Sociais, de 1987 a 1994 e desde 2007. Lésbica assumida, no entanto, Sigurdardottir mantem absoluta discrição sobre a vida privada e não fala sobre a sua orientação sexual em publico, embora nunca a tenha escondido....e muito menos a relação com Jonina Leosdottir, romancista, dramaturga e jornalista. É mãe de dois filhos, do primeiro casamento. Não costuma envolver-se em manifestações públicas pela causa gay, embora a defenda onde de direito. Como deve ser. Quanto aos islandeses, tão pouco pareceram preocupar-se com o assunto. Comentaram o facto de ela ter dispensado o motorista e a limusina. Não houve manifestações nem bandeiras. Esta sim, é que é a verdadeira vitória.

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Curioso também em relação ao filme, são os repetidos incentivos de Harvey Milk à mudança de atitude. Qualquer coisa como..."contem a toda a gente! em casa, aos amigos, aos filhos, aos colegas de trabalho...eles vão ter que saber e conviver com isso"
Nem mais! Se a própria pessoa não se aceitar, assumindo-o claramente, como poderá exigir aos outros que o façam?

3 comentários:

Fado Alexandrino disse...

Não gostei do filme.

É verdade que também me custa perceber que um homem se atire para uma cama com outro homem.
Tem a mesma poesia que uma luta de dois irlandeses bêbados num pub.

Agora o filme, na minha opinião, dá um retrato dos gays particularmente depreciativo mostrando-os todos ou quase todos de uma promiscuidade enorme e com tiques afeminados o que podendo corresponder à verdade, não é a verdade que pretendem que seja transmitida.
Acresce que no fim o assassinato de Milk tem a ver com problemas prosaicos da vida retirando a carga de místico herói que lhe associaram.

Certo é que vai ganhar um ou dois Oscar’s e isso apenas vai provar aquilo.
E vocês sabem do que é que eu estou a falar.

Anónimo disse...

A Maçonaria, a Opus Dei, agora o Movimento Gay, estamos cercados! Posto isto, governos para quê?

dalloway disse...

Outro filme que não vi mas imagino que a interpretação de Sean Penn deve ser mais uma daquelas de aplaudir de pé.

Concordo Cristina "Não houve manifestações nem bandeiras. Esta sim, é a verdadeira vitória."