19 janeiro 2009

Novos clássicos

A sétima arte tem destas coisas! As últimas décadas são testemunhas de uma produção massiva de filmes, com orçamentos astronómicos, campanhas de marketing agressivas e que correspondem sucessivos êxitos de bilheteiras! Ainda assim, tudo isto não se traduz necessariamente em obras primas, daquelas que continuam pujantes com a passagem do tempo, que não envelhecem, e que continuam a ganhar adeptos à primeira visualização, ainda que quem veja, ainda nem tinha nascido no momento da estreia!

No entanto, os produtores e os estúdios em Hollywood bem tentam! Umas vezes encharcam-nos com filmes cheio de estrelas, mas com um argumento mais frágil que um vaso Ming, último grande exemplo, a saga Ocean... já chega de tanto rat pack! O primeiro teve piada, mas foi só isso! Outras vezes os estúdios socorrem-se de adaptações de livros, dos mais variados géneros, desde a literatura clássica, às novelas gráficas, vulgo banda desenhada, e que desaguam em autênticos Titanics; e exemplos temos de sobra, mas o 300 e o Sin City são bons exemplos de más adaptações por excesso, ao serem demasiado fieis ao grafismo original. No campo da literatura, o exemplo chega com um autor português adaptado em Hollywood por um brasileiro, Fernando Meirelles. Apesar do bom esforço, quem leu o livro tem de concordar que a adaptação ao cinema é praticamente impossível! A última versão do King Kong, realizada pelo senhor Peter Jackson, o mesmo que adaptou a trilogia Senhor dos Aneis ao cinema, pensou que podia alcançar o mesmo êxito e acabou com um gorila gigante morto na base do Empire State Buidilng e uma pseudo loura fatal no topo! No meio apenas um grande nada!

Querem outro bom exemplo? Todo temos na memória o ano em que estreou o Pulp Fiction e o furor que fez, ganhando o Oscar de melhor argumento nesse ano. Mas e alguém se lembra qual foi o melhor filme esse ano? Pois... injustiça é o pão do dia em Hollywood, não é nem nunca será o Brad ou outro qualquer... sorry Cris!

Tudo isto para dizer, e ainda que a crítica e o público não o reconheçam no imediato, eu creio que o final do ano de 2008 e o início de 2009 assistiram à estreia de duas obras primas! Ainda que possam ser injustiçadas na actualidade, creio que com o tempo vão ganhar notoriedade. Um é o Australia realizado por Baz "Romeu + Julieta e Moulin Gouge" Luhrmann e o outro é o referido pela Cris no post anterior, o Estranho caso de Benjamim Button, realizado por David Fincher, e que tem um curriculo muito diverso, onde podemos encontrar um capítulo da saga Alien, Se7en, ou Fight Club. Não podem dizer que nenhum destes dois tem filmes potentes e que merecem ser vistos e revistos, inclusivamente por prescrição médica.

De todas as formas, o Australia está a passar ao lado do público e da crítica de cinema. Mas merece ser visto com atenção já que é um épico como há muito não se via, e perdoem-me os mais puristas, mas está ao nível de um E tudo o vento levou, com uma extraordinária Nicole Kidman, e com uma prestação ao nível da Vivien Leigh. E não são as paisagens imensas do deserto australiano, que fazem deste filme um épico. Eu comecei a ser conquistado no momento em que me foi apresentado o narrador, ao contrário do que se pensaria, não é um velho em final de vida que se recorda de uma lady que chegou com uma tonelada de malas, vinda de uma terra longinqua...

Quanto ao Estranho caso de Benjamim Button... só posso dizer, que as quase 3 horas de filme passam sem dar por elas... agarrado à leitura do diário do Mr Benjamim e da sua particular história de vida... e posso dizer que fiquei com medo que o Katrina desabasse com toda a sua pujança a meio do filme e que ficasse para sempre com a dúvida de como acabou a vida extraordinária desta personagem!

E como o engenheiro, despeço-me com amizada, até uma próxima oportunidade!

3 comentários:

Cristina disse...

Estou de olho nele, no Australia. A Nicole Kidman está feita uma actriz fabulosa! cada vez melhor..


Quanto ao Benjamim, eu achei um grande filme e estranhei muito algumas criticas, mas eu, o meu conhecimento é na base do gostei ou não...e deste gostei muito. é um filme triste, cheio de solidões de todas as maneiras idades e motivos. invulgares, de qualquer modo.


e o Bradd continia lindo, como o Rio de Janeiro.....

Álex disse...

para bom filme vejam "Paris", não confundir com o actualmente em cartaz «Paris36» no original «Faubourg36».

Cristina disse...

Paris, com a guitarra de Ry Cooder??? wooow, é um dos meus filmes. ja ca falei dele algumas vezes