18 dezembro 2008

o tempo, esse, segue indiferente.


Li no Expresso sobre a estreia de 'Caos Calmo'
A perda de alguém próximo
Pietro Paldini (Nanni Moretti) é um executivo que reage com uma enorme calma à inesperada morte da sua mulher, mas essa aparente normalidade vai dar lugar a um comportamento.bastante estranho. 'Caos Calmo' é mais filme em que Moretti interpreta um personagem que tem de lidar com a morte de um familiar muito próximo
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É sempre surpreendente a forma como algumas pessoas lidam com os problemas e os dramas com que a vida por vezes nos brinda. Admiro imensamente essa gente que respira fundo e, com a força e a garra que nascem não se sabe de onde, nos momentos mais tristes e desesperantes em que qualquer mortal vacila e muitas vezes cai, consegue controlar a tristeza, refazer a rota e seguir em frente confiante no futuro.
Como no filme, é o caso da perda alguém que se ama. É habitual admitirmos que esse auto domínio é apenas aparente, que a factura se paga mais tarde e até pode ser, mas, também é um facto que algumas pessoas, ao invés de se afundarem numa cama à espera de uma salvação divina ou simplesmente à espera de nada, levantam a cabeça e caminham amparadas por forças que talvez nem elas conhecessem, muitas vezes carregando o pesado fardo de uma família destroçada, mas lá vão, dia após dia, recolhendo os cacos, com uma solidez psicológica desconcertante. Não sei se claudicarão um dia, talvez, não me custa admitir e até acredito que sim, no entanto o ser humano é realmente incrível em termos de capacidade de reacção e controlo das suas próprias fragilidades. Não paro de me surpreender com as histórias que ouço ou com as reacções que observo, com as manifestações de coragem, e continuo a emocionar-me com quem escolhe lutar porque é um caminho difícil, doloroso e de uma exigência emocional extraordinária.
Continuo a emocionar-me com a capacidade humana de cair em buracos, chegar ao fundo e, de alguma forma, sair de lá.

10 comentários:

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Excelente texto.

Anónimo disse...

Os portugueses, ao longo da história, têm revelado uma capacidade de resistência, em situações limite, roçando o estoicismo. Desta doutrina filosófica de Zenão sobrou-nos a resignação onde parece termos cristalizado. Neste estado tudo é mais fácil de suportar dado que constitue a aceitação das suas fragilidades. A superação deste estado é cada vez mais rara. Mas ainda há casos de quase heroicidade.

JMC disse...

É fantastico, ainda haver quem nos consiga surpreender.

Bom fim de semana.

JMC

Lola disse...

Brava Cristina.

Tu és uma dessas extraordinárias pessoas.

Beijo enorme

Cristina disse...

Obrigada Sofia

um beijo

Cristina disse...



talvez esta nossa convicção tão enraizada de que estamos nesta terra para levar a nossa cruz, ajude. De qualquer modo, também é um facto que em situações limite as forças aparecem. uns agarram outros não...

Cristina disse...

JMC

é verdade.

um beijinho

Cristina disse...

Lola

às vezes. mas acredita que ja me sinto a claudicar.

um beijinho

dalloway disse...

É desconcertante o seu post...

Cristina disse...

:/