04 dezembro 2008


O que pede o Ministério da Educação? Que se cumpra a lei sobre “a avaliação”. Quem fez a lei? O governo e a sua maioria. A quem se dirige a lei? Aos professores. Os professores concordam com a lei? Não. É possível aplicar uma lei quando aqueles a quem ela se dirige não querem a sua aplicação? Não.

Muito Bem. Também há uma lei, feita pelo governo, que diz que eu, de todo o meu trabalho extraordinário, portanto feito em taxa de esforço muitas vezes durante 20 e tal horas, eu e todos os que descontam no mesmo escalão e trabalham por conta de outrem, descontam 40% para o Estado. Repito: quarenta por cento dessa taxa de esforço é autênticamente roubada pelo Estado. A lei aplica-se a todos esses trabalhadores. Algum concorda com ela? Não.
É possível aplicar uma lei quando aqueles a quem ela se dirige não querem a sua aplicação? É.
Porque raio não se faz uma greve para que o trabalho extraordinário não seja sujeito a impostos?? Era adesão 200%, eu garanto. Sim, porque cada gajo desses faz o lugar de dois...
Quero o mesmo critério no que toca ao meu bolso, ora essa!

4 comentários:

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Excelente!

António P. disse...

Boa Cristina.
...e continuo à espera de uma Tina Turner adequada.
Beijos

A. Moura Pinto disse...

Na altura, eu comentei assim:

A argumentação não está ao nível do FJV e isto é um cumprimento muito sincero. De facto, a ser assim, para cada lei dever-se-ia perguntar, aos seus destinatários, se a aceitam.

Comecemos pela legislação fiscal e que então, à cabeça, se perguntava se os seus destinatários contribuintes aceitavam pagar impostos. Para não ser excessivo, imaginemos que pagar impostos é um dado adquirido na sociedade, mas que aos contribuintes se pergunta se concordam com o nível de fiscalidade em vigor. Que se esperaria de consultas desta natureza?

Mas esta argumentação pode conduzir ainda a outras coisas. Por exemplo: para que serviria uma AR, pelo menos no que respeita à sua principal função – legislar – se nos bastasse um punhado de esclarecidos que redigiriam as leis, antecipadamente perguntando aos seus destinatários como é que as queriam?

No caso concreto, se se perguntasse aos mais de cem mil professores que regras queriam para a avaliação, quem depois escolheria entre as milhentas de hipóteses que, certamente, seriam apresentadas?

E ainda: que papel me cabe como contribuinte que, com os demais, paga o ensino, se depois é um grupo – que não me representa – que decide como é que se fazem as coisas no ensino e, nomeadamente, como é que se gasta o dinheiro? Como contribuinte pagava e calava?

E pagava o esbanjamento de uma situação que se vive em que paga a todos por igual independente do seu mérito, com a garantia de todos poderem chegar ao topo da carreira apenas com a ajuda do tempo que nunca pára?

Para um grupo de ungidos do senhor que considera que todos são iguais e bons, recusando que uns sejam mais que outros, como em todas as profissões acontece?

Como eleitor, votava em quê, em que programa, se depois o programa fosse defraudado consoante os interesses de grupos ou corporações que podiam sobrepor-se aos resultados das urnas?

Ainda se estivéssemos perante uma outra e séria alternativa… nada como ver qual a melhor. Mas, tendo em conta o actual estado de coisas, pode aceitar-se como séria a autoavaliação da proposta da Fenprof e que pode ser consultada no respectivo site? Em que é que as coisas ficariam mudadas, para melhor, se tal proposta, em substância, significa manter tudo como está?

Ainda se poderia aceitar que isto se negociasse. Mas como, se do modelo já se passou para o ECD e se quer acabar com a categoria dos professores titulares? E aqui, quanto aos titulares, temos 35.000 que só o são porque para isso concorreram. E a que se devem juntar os que, concorrendo, não chegaram lá. Se ninguém foi obrigado, não é representativo o grupo que aceitou ser titular, sabendo que nem todos preencheriam os critérios para o poder ser? E agora não vale? Não valem, por exemplo, as expectativas criadas a quem o é? Ou os concursos para titulares foram uma brincadeira?

Negociar assim vale a pena?
Desabafei.

Cristina disse...

A. Moura Pinto

é evidente que esse nunca pode ser argumento. As leis fazem-se segundo o interesse da população em geral e não segundo o interesse de um grupo especifico. é isso mesmo o que caracteriza a democracia.

obrigada pelo comentario, gostei muito de ler.