06 dezembro 2008

a democracia é tão bonita....principalmente quando vai na linha do "eu sei onde é que tu moras..."

Não era para fazer referencia ao caso, mas esta merda anda-me cá a ruminar dentro da cabeça.

Sobre as reivindicações dos professores, tenho emitido a minha opinião, assino o meu nome por baixo e não tenho problema algum com isso. A mesma coisa fez, e faz, a minha colega Sofia Loureiro dos Santos. Acontece que, no caso, concordamos. A cada post, lá vem um monte de pedras, indignações, alguns insultos, enfim, o normal. Faz parte e eu cá me vou defendendo porque a opinião é minha e o blog também portanto estou à-vontade para a escrever. Mas, há uma coisa que não faz parte e que é nojento em qualquer luta: a ameaça. Nunca vi post algum ameaçando professores por mais radicais que sejam, mas vi, comentários de professores dizendo que tinham receio de defender o contrário do que ordenam os sindicatos (e que até transcrevi aqui numa das caixas) e vi um post absolutamente indescritível de ameaça directa à Sofia Loureiro dos Santos por exprimir uma ideia diferente. Este post nojento, escrito por alguém sem nome nem apelido (deve ter vergonha da familia), não defende ideias, não é um "o que esta pessoa defende não faz sentido", não é sequer um "vai à merda".
É uma ameaça directa à pessoa pela sua divergência, pondo em causa a sua moral por defender determinada posição(como, de resto, já foi feito aqui e a que eu respondi na altura).
Este post, em que se identifica uma pessoa e se escreve que as que pensam como ela "merecem o nosso desprezo, se eventualmente se cruzarem com ela mudem de passeio." , é um apelo feito por quem defende a causa dos professores a um determinado comportamento, tendo como fundamento uma opinião contrária à sua. Esta é a sua noção de democracia. Esta é a sua noção de liberdade. Como bem responde a paciente Sofia, que a esta hora deve tremer de medo, ,se isto é assim com uma pessoa que, como diz o post, não tem nada a ver com a profissão, imagine-se o que sofrerão os professores que até acham que este modelo não é assim tão mau.
Coitados. Agora acredito que o outro tinha razão em dizer que não podia abrir a boca...
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Adenda (8/12/08): o Blog, e a entrada a que se refere este post foram apagados, mas, como quase tudo se recupera, cá está:


Outras indignações:

Um exemplo de elevação, de dignidade, de nível! (Jugular)

A Liberdade é um lugar estranho... para alguns! (Direito de Opinião)

Olha que giro... ( Womenage a Trois )

ANTES ASSIM QUE ASSADO (João Tunes)

18 comentários:

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Cristina, obrigada. Como tu muito bem dizes, é esta a noção de democracia desta gente. Mas este tipo de ameaças, mais tarde ou mais cedo, vai virar-se contra quem as faz. O pessoal não é estúpido.

E é preciso não esquecer: a NÓS ninguém nos cala!!

Woman Once a Bird disse...

Sou docente e não subscrevo de forma nenhuma este tipo de comportamento. No entanto, as generalizações são perigosas; o clima de medo em relação a quem não subscreve os protestos e indignação não é tão grande assim. Depende dos sítios suponho, e depende essencialmente das pessoas. Como disse a Sofia - e muito bem (e note-se que discordo com muito do que defende) - não estamos perante a generalidade dos docentes (assim como o posicionamento da maioria dos docentes excede a questão sindical - estes apanharam a boleia da indignação generalizada da classe). Cumprimentos.

Pêndulo disse...

Os lobos - lembrando La Fontaine

Era uma vez um lobo que estava a beber água num ribeiro quando viu um cordeiro que também saciava a sede uns metros mais abaixo, e logo decidiu comê-lo. Procurou um pretexto para o atacar e acusou-o de estar a turvar a água que ele bebia. –Não é possível, disse o cordeiro – eu estou a beber a água que já passou por ti. O lobo enfureceu-se por ele resistir à culpa. – Pois se não foste tu, foi um teu irmão, ou primo, da última vez que aqui estive. – Não é possível, disse o cordeiro, eu não tenho irmãos nem primos que pudessem vir a este riacho. Mas ao lobo acusador pouco lhe importavam as razões ou as circunstâncias, ou mesmo se alguma vez um cordeiro qualquer lhe teria turvado as águas. - Pois se não foste tu, foi o teu pai, ou o teu avô, há uns anos! E comeu-o.
La Fontaine ensina-nos que os lobos escondem a sua voracidade com pretextos para transformar as vítimas em culpados e que os argumentos de defesa geram novos pretextos até criar um enredo capaz de fazer com que um acto ignóbil surja como um acto de justiça.
Os lobos não ficaram com boa fama na memória colectiva, mas são temíveis.

Cristina disse...

Woman Once a Bird

obviamente não estamos perante a generalidade dos docentes!!! havia de ser lindo....
eu quero deixar claro que nessa profissão, como na minha há quem mereça consideração e quem não a merece.
mas convenhamos, aqueles que vemos na fotos das manifs a dizer que não são pais porque a a ministra não deixa com tanta exigencia, ou que se referem a quem não os acompanha naqueles termos, infelizmente deixam uma imagem da classe deploravel.

depois acontece como na assembleia da republica...., nem a oposição se empenha em os defender. é que às tantas nem há por onde...

Piotr Kropotkine disse...

quando se começa a ir à fase ad hominem paçaçe facilmente à fase "não te prejudiques" segueçe a fase "eu sei onde tu moras" e finalmente podemos parar a coisa com um belo vai prá puta que te pariu.....

de grau em degrau o debate tornaçe irracional e finalmente triunfa o absurdo.....

Cristina disse...

pois...deve ser a isso que se chama tendência natural para o caos...só que depois,na resposta da natureza, acabam por florescer centros altamente organizados e quando olhamos para o jardim, lá estão belas flores multicoloridas, resultado de uma perfeita harmonia nas suas organizações atómicas.....achas que esta malta ainda tem hipóteses de se organizar e adquirir alguma cor?

duvido.

Hipatia disse...

Não estranho que apareçam coisas destas entre uma classe que já demonstrou ter no seu seio indivíduos que desconhecem limites de civismo e de cidadania. E já nem falo das canções de ordem pavorosas, ou dos ovos postos nas mãos das criancinhas. Entre estes professores – sendo que muitos não se de facto arruaceiros – há indivíduos perversos e em muitos deles se encontram tiques do antigamente, agora mascarados para os novos tempos. Como o absurdo de fazem abaixo-assinados para ver se, dessa forma, deitam abaixo um membro de um governo democraticamente eleito, ou este último chorrilho da perseguição personificada contra quem não lhes encontra nem reconhece a vitória no número. Porque o serem tantos os professores na rua não lhes confere, verdadeiramente, dignidade. Digno seria não fazerem estas figuras e, em lugar de irem cantar o tal do “um-dois-três-já-cá-estamos-outra-vez”, terem usado o dia seguinte à última manifestação para apresentarem uma alternativa credível à actual avaliação. Cada dia que passa, apenas fica a sensação de que esta gente não quer ser avaliada. E agora passa a ficar também a sensação de que, entre eles, há elementos de uma vileza tamanha que me assusta que haja crianças deste País a frequentar-lhes as salas de aula.

Piotr Kropotkine disse...

mas .... em defesa do advogado do diabo e do diabo himself....vamos lá a ver se não confudimus tudo.....

daqui a nada tamus a mandar os profs do secundário pró Tarrafal e talvez essa solução tamem não seja aquela que vai por o mundo em melhor shape..... nomeadamente a education das criancinhas....

daqui a nada estamus a negar o direito de uma grupo profissional expressar politicamente o quer que seja que ache que tem direito e....que se saiba .... exigir que ministro(a) vá pra caselas é ainda um direito constitucional....

eu pur acaso acho que a ministra é uma beliçima representante do "eduquês" eça ciência exotérica que tão bons resultados nos tem oferecidu, e par cause, acho que se a senhora foçe de volta pró nest de inbreeding de onde saiu não era má iddea....

por outro lado a senhora ministra é uma beliçima representante dos "modernos métodos de gestão científica do trabalho".... (do que já perçebo de somenus...) e par cause, aconselhávala a ler Richard Sennett e o Zygmunt Bauman (rapazes que até são da área dela) e a imaginar um mundo mais relacional mais comunicacional mais de interacção humana e menos de papelada com elevado coeficiente de alfas de cronbach....

claro que tamém serve este conçelho práquela gajada dos sindicatos....

Piotr Kropotkine disse...

e mantenho a minha..... daqui a nada semus todos avaliados pelos métodos que devem ser aplicados aos profs.... já os conhecem?

Hipatia disse...

A maior parte de nós é avaliada com o que se podia chamar "piores métodos" do que aqueles que estão em causa. E olhe que eu conheço os métodos que estavam no site do Ministério no início do processo. Dei-me ao trabalho de os ir ler. Os que estão agora em vigor, após sucessivas cedências do Ministério, não faço ideia. Também conheço bem os que tenho de aplicar sobre quem trabalha comigo e me são aplicados a mim, bem como muitos dos que estão em vigor em grandes empresas privadas. E conheço ainda aqueles que são aplicados à Função Pública em geral. Talvez esteja aí um dos problemas: os professores, na sua esmagadora maioria, não fazem nem ideia de como é feita a avaliação do desempenho no "mundo real", longe dos privilégios da classe. Mas será que os professores preferem antes a avaliação da restante Função Pública? Afinal, são Função Pública e só eles parecem achar que são uma casta aparte. Ou será antes que preferem os métodos com que eu sou avaliada e que condicionam, além da progressão na carreira, o rendimento anual bruto de cada ano? Acha mesmo, caro Piotr, que uma pessoa como eu ou a grande maioria do povinho que se desenrasca diariamente para trabalhar horas e horas e segurar o que sobra no fim do mês vai ter pena dos professores ou algum respeito pelos dirigentes não cumpridores de palavra que arranjaram para não negociar? Ou acha que vou respeitar aqueles que ouvi a falar na tv e os seus gritos de ordem? Ou esta encarniçada cegueira do "se não és por nós és contra nós"? Eu só queria que esta gente apresentasse uma alternativa de avaliação. Ao fim de meses, não queria mais nada. Uma alternativa que acabe com este filme, com os métodos que bem quisessem e as teorias que mais lhes agradassem. Mas que vemos nós? Uma coisa apenas: não querem avaliação nenhuma, nem querem acordo nenhum e, convencidos da sua importância, vão arrastar este filme até às eleições. E, não, não lhes importa já quem sofra pelo caminho, mesmo que seja a tal da Escola Pública que dizem que defendem.

e-ko disse...

já está evidente há muito que a casta dos professores (as vozes que mais se ouvem e mais alto) apenas quer que a questão da progressão nas carreiras e avaliação continuem como eram antes da chegada desta ministra ao ME... sobre as dificuldades materiais que vivem alunos e professores em muitas escolas são para eles questões acessórias que não os têm mobilizado.

os pais de alunos, e até de ex-alunos (digo isto porque o meu filho, depois de um doutoramento e um pós doutoramento, já não é uma preocupação para mim a este nível) deveriam também interessar-se por estas questões e analizar seriamente os números e as condições actuais do ensino e não se deixar enganar pela casta, pelos políticos dos diferentes quadrantes e pelo estado-governos.

se a casta, conduzida pelos sindicatos e a ministra não chegam a um entendimento e que nem a AR está capaz para também fazer frente, deveria a sociedade e os pais de alunos organizar-se para acabar com estas cavalhadas... infelizmente, muitos não estão à altura, outros não têm tempo e outros não estão para incomodar-se... mas só de informar-se e analizar os números, poderia fornecer muitos argumentos para fazer frente a uns e a outros!

Woman Once a Bird disse...

E do mesmo modo que me causda comichão o que motivou este post - também me causa muita comichão a forma como se fala da profissão a que pertenço: não utilizaria o termo casta. Pelos vistos, nem a isso pertence. Já que estamos nesta coisa de analogia, mais parece que somos intocáveis (no sentido indiano). Isto só me faz lembrar uma tira velhinha da Mafalda: qualquer dia a classe docente também é responsável pelo mau tempo.

e-ko disse...

intocáveis? claro que são intocáveis a quem não se pode dizer que se discorda das suas posições ou comportamentos... as analogias têm limites, sabe mulher passarinho, os verdadeiros intocáveis da sua analogia não puderam ingressar em estudos superiores nem auferem remunerações médias bem superiores aos salários médios dos encarregados de educação dos seus alunos (é pouco? emigrem para a Finlândia... aí as diferenças de salários é muito menor, sabia?).

se de casta se tratasse, ela estaria mais próxima da dos brâmanes, uma outra espécie de intocáveis, mas por outras razões! pois, a classe docente não é responsável pelo mau tempo, mas será que quer assumir plenamente as responsabilidades que deveriam ser as suas? duvido! para voltar à Finlândia, sabe qual a razão do sucesso dos alunos finlandeses? apesar duma avaliação pouco burocratizada, os professores assumem plenamente as suas responsabilidades e sem terem o lote de regalias muito mais acima da média em relação aos seus concidadãos!

Woman Once a Bird disse...

Toda a razão caro e-ko. Somos efectivamente uma classe privilegiadíssima neste País.
O meu salário é efectivamente superior a muitos dos encarregados de educação dos meus alunos. Mas outros há que recebem muito mais do que o meu salário. Não é por haver pior que o meu - ou melhor, de resto - que afiro da justeza de um salário (para quem quer que seja). É mau. Ponto. E já que se gosta de comparações com os restantes países (veja-se, já agora, a avaliação dos docentes, a organização das escolas, os programas, os manuais) compare-se também esta questão: o que recebe em média um professor em Portugal face a um professor com o mesmo tempo de serviço nesses países.
Temos, enquanto classe profissional, maus profissionais? Como é óbvio. Algumas responsabilidades no estado do ensino? Claro está. Assim como as sucessivas políticas, assim como os encarregados de educação que se demitem da educação dos seus filhos, assim como toda uma sociedade que se marimba efectivamente para tudo isto.

Já agora, e-ko. qual a sua profissão? E quanto aufere, para podermos também fazer ilações?


Percebo que perco o meu tempo ao perorar sobre tudo isto. Afinal de contas, não há predisposição para outros pontos de vista, certo? Somos (esta entidade abstracta, este monstro uniforme que é a classe docente) maus, muito maus. O resto são pormenores.

mar disse...

Cristina, eu fiz greve e tornarei a fazer se necessário.
A mihnha melhor amiga, professora noutra escola, não fez.
Ainda ontem fomos tomar café juntas.
Preciso dizer algo mais? :)

beijinhos e bom inicio de semana

Piotr Kropotkine disse...

curiosos os argumentos ..... tipo.... "já que o restu da populaça amocha com avaliações absurdas quem são esses gajos pra ficar de fora?"

eu pur mim questiono mesmo os métodos de avaliação e a teoria geral que lhe está subjacente.....

o acto de avaliação é um acto importante mormente pelas consequências que pode produzir..... e portanto....poderia ser um momento de interacção face a face com uma perspectiva de desenvolvimento pessoal para aquele(a) que vai ser avaliado(a)....

mas....em geral a cobardia escondeçe atrás de métodos "cientificus" ....


e falo eu que já fiz todas as avaliações possíveis (publicas e com juri) e todos os anos sou avaliado ....

Ulysses disse...

Não sou professor e não entendo bem qual a hierarquia nas escolas, mas na minha profissão onde como não podia deixar de ser sempre fui avaliado, quem avalia é sempre o elemento acima na hierarquia, ou seja, que está por cima no organigrama, ou seja, a pessoa a quem reporto.

Imaginar que eu teria que avaliar os meus colegas ao mesmo nível na hierarquia seria um grande disparate e algo potencialmente perverso, e logo sem sentido e descabido, dada a natureza humana intrínseca.

Imaginar que colegas com menos experiencia e há menos tempo que eu na organização me iriam observar e concluir sobre o meu desempenho seria simplesmente despropositado e sem sentido.

Imaginar que parte de me tempo de trabalho seria utilizado em gerar informação para que a minha avaliação seja efectuada, não faz sentido. O trabalho gerado pela actividade profissional, ou seja, o valor acrescentado, deverá consistir no objectivo da actividade e deverá ser este resultado que deve ser avaliado.

A avaliação deverá ser o corolário do output do trabalho e não o trabalho consistir em output para tornar possível a avaliação.

A avaliação deverá consistir numa métrica, equacionada por um ou vários observadores externos, cujas variáveis deverão ser ponderadas sobre os outputs da actividade profissional, não devendo estes outputs estar condicionados pela avaliação. Usar na avaliação variáveis dependentes umas das outras cria inevitavelmente as chamadas indeterminações ou referências circulares, proporcionando o efeito perverso e consciente da viciação dos dados a observar.

Como para um corredor de atletismo ou para um vendedor o que conta é o resultado final, no trabalho de um professor, o resultado final também deverá contar, ou seja, a performance dos alunos. Mas, o trabalho final do professor também consiste num caminho que é percorrido passo a passo, no qual entram muitas variáveis diversas para chegar ao resultado final, como assiduidade dos alunos e do professor, como o comportamento dos alunos e do professor, como muitas outras variáveis mensuráveis. Combinar todas elas de uma forma justa e que não prejudique a performance do professor, é o grande desafio.

mar disse...

Ah! fiz greve, comento aqui e ali, mas nunca incógnita, e no meu blog está lá o meu num de tlmv, caso algoém me queira insultar :)

Só tive q moderar os comentários, pq havia uma pessoa, que começou a insultar-me lá, no meu alpendre, e de modo anónimo, embora eu saiba quem é


bjs :)