03 dezembro 2008

ah, ilusões. doces delicias deste mundo injusto e cheio de neons muy bonitos...


Caso alguém esteja interessado, ou tenha dúvidas, sobre a minha opinião a propósito da "greve histórica", o que duvido, estou de acordo com a Sofia Loureiro dos Santos: espero sinceramente que a Ministra e o governo não cedam nesta imposição, melhor, nesta "ordem inegociável de suspensão da avaliação" e que mantenham o modelo de avaliação do desempenho melhorando-o naquilo que for necessário melhorar e adaptando-o à realidade de cada escola.
.
ps-gostaste do almocinho? era só estrelas, ein?
ps2- fiz uma resposta ao teu pedido, mas ficou tão estranha que a apaguei. aguardo inspiração...

26 comentários:

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Cristina, obrigada. O almocinho foi bastante estrelado, sim. Vê lá se te inspiras, estou curiosa.

Pêndulo disse...

Ui! Decididamente viraste socrete.

Pois eu agradeo aos professores terem-me reacendido a esperança de um Portugal mais justo, um Portugal de todos os portugueses, um Portugal real e não um ficcionado país das maravilhas.
Aos professores que hoje ousaram dizer não o meu muito obrigado e um pedido: não desistam nem se verguem.A corja que nos governa tem de ouvir um "Basta!"

Brancaleone disse...

Pôxa!
Parece que boa parte dos funcionários públicos são iguaizinhos em qualquer País. Seja aí na Côrte, seja cá na Colônia, Timbukutu ou Cafundósquistão.
Detestam avaliações porque sabem que são néscios, incompetentes e parasitas e que não conseguiriam um emprego igual por 10% do que recebem...
Agora greve já é demais. Quem não está satisfeito com o salário que recebe ou a condição do trabalho que tem, tem mais é que pedir demissão e pronto.
Greve não é protesto. Greve é humilhação.

Pêndulo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pêndulo disse...

Muito pior seria se os funcionários públicos comentassem assuntos de outros países e que desconhecem. Além néscios, incompetentes e parasitas seriam também atrasados mentais, daqueles que quando ouvem falar de brasileiros pensam logo em putas e travestis. Mas parece que, felizmente, eles não fazem generalizações idiotas. Ainda bem.

immortal disse...

eu gosto muito de ser prof, não me considero parasita, néscia e sou muito competente no que faço, aliás, ando há 6 anos a pagar para trabalhar e não me queixo porque realmente é o que quero fazer e sei fazer, nao lucro nada monetáriamente em ser funcionária pública, eu, como muitos profs que conheço, ainda preciso que a minha família ajude no meu sustento! e sim, QUERO ser avaliada, e a greve não é só pela avaliação, há uma série de pontos que convinha, a quem não sabe, ler...
achar que os profs não estão a proceder bem, aceito, cada um tem o seu ponto de vista, agora insultar, isso é abuso e desrespeito
greve é um direito democrático que assiste a qualquer um de nós

e sim, fiz greve
e não, não tenho que me envergonhar, se as coisas se mantiverem também não me vou sentir derrotada

Cristina disse...

branca

nem todos os funcionarios publicos são incompetentes ou parasitas. nem gosto de insultar pessoas que não merecerão. mas, uma boa parte deles seriam despedidos se a gestão fosse privada, disso também não tenho duvidas. a segurança no trabalho é uma grande conquista. tão grande, que chega a ser perversa e depois, dá nisto: os sindicatos dão ordens sem hipotese de negociação e a luta vai até onde tiver que ir para que um sistema de avaliação seja suspenso. chega-se ao ponto de um dirigente sindical dizer qualquer coisa como... se aos 5 minutos de conversa não tivermos o que queremos abandonamos a reunião.

chamam a isso democracia.

Piotr Kropotkine disse...

a avaliação serve para?

era bom ver que o inimigo principal do sistema de educação é a ignorância e partir deçe detalhe para a frente ....

às vezes esquecemunus e depois temus casos como o daquele centro de saude do alentejo em que a direcção geral e a ars local estavam preocupadas com a ...... baixa taxa de marcação de conçultas pela internet......

com uma população envelhecida e analfabeta de facto a prioridade da politica de saude deve ser a marcação de conçultas pela net ou por telefone.....

às vezes convêm saber o que se passa e qual é o norte....

Cristina disse...

immortal

neste momento, parece-me que ha um único ponto e motivo de todos as greves: suspensão imediata da avaliação.

porque em relação à mudança estão todos de acordo e o ministerio até ja fez alterações . na minha opinião, excessivas. o resultado escolar acho inadmissivel que não conte para avaliar um professor em circunstancias determinadas. melhores ou piores que elas sejam, HÁ SEMPRE uma expectativa que é licita.maior, ou menor. e se é licita, o sucesso do aluno tem que ter alguma coisa a ver com quem o ensina. acho eu.

se numa turma chumbarem 80% como se vê nas pautas, a culpa é dos alunos? que diabo de aulas foram aquelas? e não estamos a falar de bairros degradados, que é o que serve sempre de desculpa.

Cristina disse...

piotr

a ignorância de quem?? dos alunos, dos professores, dos pais, da populaça em geral....

ha dias, numa reunião de amigos uma professora só falava em turmas de ciganos e pretos e o caraças. que era impossivel ensina-los.

além de chegarmos à conclusão de que esses pequenos grandes vandalos eram uma pequena % da população escolar, perguntei porque é que não se investigava um professor cujos alunos foram a exame e chumbaram quase todos. mesmo sem ciganos na turma.

e ela não respondeu la grande coisa...que a ignorancia já vem de longe, dos anos anteriores.

então, mas se esse tipo de avaliação viesse desde o 1º ano...

complicado....

pois.

Manel disse...

Onde estão (ou estavam) os defensores da "escola pública"?



Por aquilo que se vai vendo e ouvindo temos de concluir que todos os professores eram exemplares, que quando não havia a burocracia da avaliação todos tinham tempo para preparar bem as aulas, o absentismo era quase nulo, as escolas eram geridas exemplarmente. A “escola pública” era um modelo de virtudes que a Lurdes veio estragar. A progressão nas carreiras era mais estimulante quando era automática, a avaliação era bem feita quando não existia, as aulas de substituição não eram necessárias porque ninguém faltava, a “escola pública” era um modelo para o mundo.

Apetece-me perguntar onde estão (ou estavam) os defensores da “escola pública”:

Quando professores do ensino público vão a correr para casa ganhar pequenas fortunas (livres de impostos) em explicações dadas aos mesmos alunos que são mal sucedidos na mesma “escola pública” onde os seus “explicadores” dão aulas?

Quando em muitas escolas é necessário meter cunhas para que os filhos não vão parar a turmas de repetentes.

Quando muitos professores só vão ler o nome dos seus alunos no dia da “apresentação” sem que antes, apesar dos meses de férias se tenham interessado pelo currículo escolar desses alunos.

Quando se organizam turmas a pensar nos horários dos amigos dos conselhos directivos que ficam as melhores horas e os melhores alunos, deixando as turmas dos “repetentes” a professores menos experientes que caíram de pára-quedas.

Quando se faltavam semanas usando a lei que permitia entregar o atestado até vários dias depois da primeira falta para que esse atestado nunca chegasse a ser verificado por um médico.
Quando os artigos 4.º (os tais que foram introduzidos em Portugal para permitir às mulheres faltar nos dias mais complicados do período menstrual).

Quando professores com o 7.º ano antigo receberam um curso de faz de conta para serem equiparados aos professores licenciados e atingirem rapidamente o topo da carreira, algo que para muitos funcionários públicos exige concursos com prestação de provas e nem sempre há vagas.

Quando se instalou na sociedade portuguesa a ideia de que a vantagem de ser professor era permitir cuidar melhor dos filhos ou ter uma segunda actividade, explicações, pequenos comércios, empresas de contabilidades, etc., etc..

Onde estavam os defensores da escola pública quando, durante décadas, a qualidade do nosso ensino era inaceitavelmente baixo?

Não tenho a mais pequena dúvida de que os professores não são nem melhores, nem piores do que os outros grupos profissionais, que há uma maioria de bons profissionais, só não entendo porque razão as escolas deverão ser um mundo à parte, gerido por e em função dos interesses privados de um grupo profissional que, recebendo ordenados pagos pelos contribuintes, acha que nenhum governo pode adoptar medidas que os prejudiquem nos seus interesses privados.

É evidente que os professores não são contra as aulas de substituição ainda que nunca as tenham proposto, são defensores da avaliação ainda que nunca a tenham defendido, agora que foi proposta uma mudança na escola os defensores da “escola pública”, com Mário Nogueira à frente têm soluções para todos os males.

Os defensores da “escola pública” até poderão levar avante a sua chantagem sobre a democracia, impondo a “maioria absoluta” das ruas, mas dificilmente poderão recuperar a credibilidade perdida quando alguns dos seus não hesitaram em aplaudir e elogiar os pirralhos que alguém mandou atirar ovos e tomates aos que são detestados pelos defensores da “escola pública”, ou quando outros que educam os portugueses se referem a governantes por “gajos” e “gajas”.

Talvez seja tempo de dizer a Mário Nogueira e outros auto-intitulados defensores da “escola pública” que a defesa da escola pública cabe a todos os portugueses, aos pais, aos alunos e aos professores, e até aos que não pertencendo a este grupo têm este direito e dever de cidadania. É preciso dizer a estes defensores profissionais da “escola pública” que a defesa desta começa pela sua qualidade e não pelo bem-estar de um grupo profissional.

A defesa de uma escola pública é de todos os cidadãos, até dos muitos que optam por pagar fortunas para colocar os filhos em escolas privadas, assegurando-lhes um ensino com a qualidade que estes defensores oportunistas da “escola pública” nunca defenderam.

Todos os professores estão de acordo com a manutenção da “escola pública” tal como estava? É uma opção deles, mas essa unanimidade não os torna accionistas maioritários da escola pública por isso mesmo, porque a escola é pública e em democracia a coisa pública é gerida pelo Estado, pelo menos enquanto não regressarmos ao corporativismo.

Muitos professores votaram PS e estão desiludidos porque o governo não os tratou como cidadãos de primeira, reservando as medidas difíceis para quem votou nos outros partidos? Então façam como os portugueses que estão descontentes, nas próximas eleições votem no Paulo Portas, na Ferreira Leite, no Louça ou no Jerónimo de Sousa, dêem a maioria absoluta ao partido do Mário Nogueira, vão então ver qual é a maioria que conta, se a dos eleitores ou a do CC do partido, estou certo de que o Jerónimo de Sousa não só voltará a pôr tudo como estava como, ainda por cima, lhes vai instalar uma colónia balnear na praia da Messejana.



Roubado ao http://jumento.blogspot.com/
O Jumento, às 12:30 |

Anónimo disse...

E, quem fala assim não é gago..
..muito bem.

O esquema agora é a preparação do "top ten" para a candidatura do "ninguém me cala", isto são manobras de diversão para essa causa :-)

abraço

intruso

Woman Once a Bird disse...

A greve incomodou? Pois claro que sim. A classe começa a ter comportamentos (finalmente) que há muito foram adoptadas por outras classes profissionais (com respectivos pontos positivos e negativos). É errado continuar a passar a perspectiva de que os professores (olha o estereótipo) são preguiçosos, lambões e que não querem ser avaliados. Mentira. Agora um modelo de avaliação como o que está em vigor não é honesto nem tão pouco trabalha para o almejado sucesso que toda a gente aponta que está ali mesmo ao virar da esquina.

Há permissividade no ensino? Pois com certeza. Se tenho alunos que chegam ao 10.º a soletrar... Como é possível? Reveja-se a legislação e as soluções propostas para alunos que revelam problemas de aprendizagem. E depois então, só então perorem sobre as soluções.
Cedo o meu cobiçado lugar (também tenho muita trabalho extraordinário, que não está sujeito a imposto porque simplesmente não me é pago de todo) a todos os comentaristas que, nunca tendo estado numa sala de aula ou conhecimento de causa em relação ao que vigora, dissertam sobre o que por lá se passa. O conhecimento de causa parece ser exaustivo.
Tenho para mim que o número de pautas com 80% de retenções deve ser proporcional ao número de ciganos da turma evocada. Mas enfim...

Ontem exerci o meu direito de greve, tal como inúmeros colegas o fizeram - direito suadamente conquistado e que não é de menosprezar num Estado que (ainda) é democrático. Também conheço os que não a fizeram e reconheço-lhes igualmente essa prerrogativa deliciosa de poder decidir.
Também registo os que foram dar as aulas para que os alunos não ficassem sem as mesmas e que não assinaram os livros porque estavam em greve. Destes não reza a história porque pouco interessa. Queremos é que sejam todos feios, porcos e maus. E privilegiados, os malandros. Está a juventude do País entregue a esta gente! Um bando de privilegiados como não se conhece outro nesta terrinha!

Anónimo disse...

Triste é a arrogância pensar que são o umbigo (fig.) da escola..

nunca fiz greves no tempo desta senhora..mas fiz greves no tempo da outra senhora..e a 1ª greve que fiz e liderei tinha eu 15 anos e foi na antiga E.I.C.A. escola indústrial e comercial de aveiro, por isso estou à vontade, mas nunca me neguei a ser avaliado e, no meu percurso profissional bem cedo comecei a ser avaliado..
a coisa que discuto é a vossa teimosia em não quererem ser avaliados..que esta avaliação não, etc..etc..a mensagem desde o inicio
para mim foi essa..não sou a verdade, mas anda-se nisto há meses e avaliação nada.
Quanta responsabilidade e bem vocês dizem da vossa profissão, mais os responsabiliza para a vossa avaliação..

..para mim é racional, quem avalia deve ser avaliado..

intruso

Piotr Kropotkine disse...

o combate à ignorância é um combate que decorre onde a ignorância se encontre ...preferencialmente de modo organizado e par cause na escola....

mas há coisas curiosas ... por exemplo ide à Lei de Bases do Ensino e ao Estatuto de Carreira Docente e procurai as palavras "ensinar" ..."instruir" e "aprender" "educar" .... se as encontrarem avisem-me....

por outro lado ide ver os papéis que há para preencher e dizei-me o que é que se avalia exactamente....

mais.... uma vez que as estatisticas dos exames de aferição do 4, 6 e 9 evidenciam uma tão notável progressão dos alunos a português e a matemática o que é que há para avaliar? resta apenas que nos congratulemos com a extraordinária qualidade do ensino que produz tão expressivos progressos ....

Piotr Kropotkine disse...

avaliamos tudo e todos .... comecemos por avaliar as bestas que tem promovido programas para imbecis... com manuais que explicam como carregar na tecla "on" para ligar a calculadora..... na India entrementes já resolvem séries de Fourier .....

"hadem" ver o resultado daqui a uns anos..... ou meses.....

Piotr Kropotkine disse...

mas cuidado ....daqui a nada resolvem fazer avaliação de desempenho de médicos e juizes...... exactamente com os parâmetros do método do ministério da educação.....


quem sabe se calhar faz todo o sentido......

Woman Once a Bird disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Woman Once a Bird disse...

Julgo que em lugar nenhum do meu comentário se pode ler que a classe docente é o umbigo da Escola.
Não é plausível que se queira resultados quando não temos uma política educativa durante um período de tempo que permita a estabilização. Umbiguismos de partidos que sucessivamente modificam o que foi feito anteriormente (porque não foi do seu crivo) originam o caos que temos.
É mentira que os professores não fossem anteriormente avaliados. Pode-se discordar dessa avaliação - que é o meu caso- mas é absolutamente falacioso repetir-se o discurso veiculado por este Ministério, porque sim. Mas enfim, o que é repetido muitas vezes torna-se verdadeiro...
Caro Piotr absolutamente de acordo com o que diz sobre os programas e escandalosos negócios referentes a manuais.
A panóplia de documentação que é preciso preencher nos 2.º e 3.º ciclos seria risível, se o resultado não fosse tão dramático (e não tenho a real noção da coisa, já que só dou aulas no secundário). Mas decerto haverá por cá quem conheça essa realidade melhor que eu.
De frisar também que os alunos que frequentam os Cursos de Educação e Formação têm curriculos completamente díspares dos restantes, mas que depois podem perfeitamente integrar uma turma de ensino secundário regular. Resulta que os pré-requisitos para uma frequência do curriculo do secundário são inexistentes nesses casos (não tão poucos quanto isso). Mas nada disto é pertinente ou significativo. E nem entremos pelo facto de a Escola reflectir obviamente a organização social que temos... Mas repitamos sucessivamente: até aqui (à porta da escola), tudo bem, até aqui tudo bem.

Woman Once a Bird disse...

O que me deixa perplexa é que se julgue que este modelo tem por base optimizar a excelência do ensino e não apenas uma medida economicista (como se revelará).
Reveja-se o Novo Estatudo do Aluno para se perceber mais alguma coisinha do caldinho que se prepara...

Anónimo disse...

Só poderá haver ajustamentos, correcções, melhoramentos..etc,etc se houver inicio..

intruso

mar disse...

Fiz greve, com muito orgulho


mar, professora

maria disse...

Cristina:
Eu gosto do seu blog, mas não percebo este seu assanhamento contra os professores. Eu sou professora e digo-lhe, você não faz a mínima ideia do que lá se passa e do sistema de avaliação que nos querem impor.

Cristina disse...

maria

mar

não é assanhamento nenhum, é a minha opinião.não só minha, de resto. s não sei se ja reparou mas as respostas são bem mais assanhadas....

chegam ao ponto de se escreverem posts destes
http://paismaravilhas.wordpress.com/2008/12/03/recebido-por-e-mail/

verdadeiramente lamentaveis..

o radicalismo dos sindicatos começa a ser tão caricato e idiota que daqui a pouco ja não ha quem os defenda. se vir pela blogosfera fora, ate a compreensão das motivações começa a desaparecer.

mas adiante, basicamente, não suporto sindicatos radicais que partem para negociações a impor condições inultrapassaveis doa a quem doer. só que...azar dos azares, a causa é tão nobre que nem a oposição lhes ligou peva..... que chato, não?..:)

mar disse...

Cristina, eu não falei em "assanhamento"....
Não concordo com a opinião da Cristina neste assunto, tal como a Cristina não concorda com a minha opinião.
É tão simples quanto isso, opiniões diferentes sobre um mesmo assunto. Salutar, certo?

beijos

mar, professora que fez greve :)

Anónimo disse...

Cristina:

Amigas na mesma. Opiniões são opiniões, cada um tem a sua.

maria, professora que fez greve.