13 novembro 2008





A ministra da Educação pediu desculpa aos professores pela desmotivação (e o incómodo, e a perturbação, acrescento) que lhes terá causado com a alteração do modelo lectivo que obriga os docentes a passarem mais tempo nas escolas...

E já que falamos de escolas, não me lembro de ver tamanha histeria de uma classe profissional no sentido de, custe o que custar, travar um processo de avaliação de desempenho. Sim porque, digam o que disserem, quando falam na "política educativa", a raiva descamba rapidamente para a "politica de avaliação". Mas....ouvem-se sugestões de alternativas? Eu não ouvi nem li uma proposta que seja e se estiver enganada, corrijam-me por favor. Porque eu não acredito que os sindicatos e os próprios professores queiram não ser avaliados tout cour. Eu acredito que os professores considerem ofensivo o método e não o facto em si. Eu acredito que os professores tenham pensado seriamente sobre o assunto e não pretendam ser diferentes dos outros grupos profissionais que são sujeitos ao longo da sua carreira, e bem, a avaliação de empenho e a consequente diferenciação. Eu acredito que os sindicatos tenham um modelo a apresentar ao ministério que premeie os melhores e penalize os piores, que estimule as escolas a funcionar melhor e dignifique a profissão. Mas eu não o conheço. Também não fiquei a conhecer nos poucos minutos de debate televisivo que vi na RTP sobre o assunto.

Uma coisa achei curiosíssima....o único modelo que vi aceite por um dos críticos foi o modo como na Madeira se ultrapassou o problema....parece que os professores, lá, são todos "Bons". Ninguém condenou e outras propostas, continuei a não ouvir. Não fiquei esclarecida, mas fiquei.

37 comentários:

MJB disse...

Boa Noite!
Sou professora... e como muitos dos meus colegas quero ser avaliada!! Sempre achei e acho que quem trabalha normalmente bem não tem, nem pode ter, receio de ser avaliado!
Até confesso que fiquei contente quando se começou a falar nestas coisas (numa perspectiva de: Finalmente)!
Trabalhei, como muitos dos meus colegas, para pôr este modelo a andar. Horas e horas de trabalho, reuniões e mais reuniões. Fichas, grelhas, instrumentos de avaliação, regulamentos, projecto educativo, planos curriculares de turma, planificações por período e anuais, modelo de portefólio, objectivos individuais, indicadores de sucesso, taxas de abandono etc. etc. etc. e etc. Fizemos, desfizemos, refizemos, voltámos a fazer..a cada nova directiva, regulamentação e norma... a cada impasse... a cada beco sem saída! Depois fomos percebendo que não era possível!
(pedem-nos para fazer omeletas com ovos podres... e sabemos que, por mais esforço que se faça, não pode ficar comestível!)
Estamos exaustos e com cada vez menos tempo para os nossos alunos! E não nos podemos esquecer que são eles o que de mais importante a escola possui... é para eles e por eles que existimos! São eles a nossa preocupação! (embora não seja a do Ministério). Estamos cansados e indignados!
Afinal que outra classe tem que produzir tudo o que necessita para ser avaliada? Afinal que outra classe tem pares a avaliar de forma tão perversa (este ano um elemento pode ser avaliador de um colega e no seguinte avaliado por ele)? Que outra classe tem as mesmas cotas para avaliadores e avaliados (um avaliador pode dar notas baixas para que as cotas sobrem para si próprio)? Que outra classe tem um modelo de avaliação nunca testado? Que outra classe tem um modelo implementado em cima do joelho e que, para cada erro detectado (e todos os dias encontramos mais) se fazem normativos de urgência?
Que outra classe é impedida de trabalhar (preparar e dar aulas neste caso) para se poder avaliar a si própria?
E sim... os sindicatos apresentaram um modelo alternativo!
...mas de que serve isso (e tudo o que se diga ou faça) quando 120000 professores na rua (num total de cerca de 140000) são ignorados e apelidados de chantagistas!
Resta-nos a tristeza e com certeza a dignidade... porque isso não nos podem tirar!!

Fiquem bem
Maria José Bettencourt
(desculpem... mas não sei dizer isto em menos palavras... e muito ficou por dizer!)

dalloway disse...

Se me permite Cristina, faço suas as minhas palavras e gostaria que mais 'Maria José Bettencourt' viessem ao Contra Capa deixar uma opinião e testemunho e dessa forma ajudar-nos a perceber a questão de forma menos ambivalente e quem sabe reformular a frase "Não fiquei esclarecida, mas fiquei."

Pêndulo disse...

Pronto, lá tenho de ser eu a esclarecer-te.

Aqui podes ver o modelo de avaliação alternativo apresentado pela Fenprof

A seguir transcrevo uma parte da notícia do Público sobre a Madeira que mostra o que aconteceu-na Madeira os professores têm um estatuto da carreira docente diferente do dos professores do Continente (não sei porquê mas enfim...), ora se cá a avaliação está definida (bom, ele é remendo atrás de remendo e contradição sobre contradição, mas isso também é coisa a que estamos habituados desde Santana Lopes) na Madeira nada disso está feito, daí a saída airosa de Jardim. Não confundas o que se passa aqui com o que se passa lá.

Pelo decreto legislativo regional nº 6/2008/M, de 25 de Fevereiro, o executivo de Alberto João Jardim aprovou o Estatuto da Carreira Docente, incluindo o regime de avaliação, a vigorar na Madeira, mas não procedeu ainda à respectiva regulamentação.

“A fim de evitar hiatos legislativos importa contemplar em sede de avaliação do desempenho, a situação dos docentes” no presente e anterior ano lectivo, justifica a portaria assinada pelo secretário regional da Educação.


É só clicares nos textos a azul e ficas realmente esclarecida.

Ó mulher, tu a trabalhares tanto não duras muito. Já andas totalmente a Leste da actualidade, qualquer dia deixas de ser gente e passas a robot. A vida não é só trabalho, também temos de ter tempo para nos informarmos.

Maria Henriques disse...

Não sou professora mas conheço alguns... e todos os que conheço são unanimes em quererem ser avaliados, mas não com o modelo implementado. Há já propostas para novo modelo, mas, que me desculpem os jornalistas, apenas se fazem noticias, neste país, explorando um tema só numa vertente sem informar de facto.
O que tenho verificado (entre várias coisas) é:
1. os professores em Outubro têm reuniões a prever quantos alunos VÃO CHUMBAR em Junho/Julho, o que é verdadeiramente espantoso.
2. os professores que tiverem alunos que faltam, e que tentam desesperadamente contactar os pais, tem de fazer 1, 2 e 3 testes para passar alunos que faltaram a 80% da aulas sem motivo aparente.
3. há alunos a serem PASSADOS com SETE NEGATIVAS.
4. há professores a fazer a facturação de Magalhães, tendo de controlar/avisar os paizinhos que não pagaram as devidas contas aos operadores
5.há professores que têm de cortar fotografias de alunos para colar nas fichas administrativas

João Apolinário disse...

Coitaditos dos professores!
Que trabalheira tão grande que têm!
E não querem lá ver que ainda por cima têm de ser avaliados?
Eu propunha que cada professor dispusesse de dois funcionários administrativos, um para os papéis, outro para as aulas de substituição!
E eu que não quis ser professor!
Ai, como estou arrependido!
Força professorado, arrebentemos com isto!
Gandas campeões...

margarida disse...

Há pelo menos 20 anos que quando, numa turma a média de notas era baixa, se substituiam os testes por outros menos exigentes e assim subirem as notas. Se os senhores professores estão tão preocupados com os alunos, porque nunca denunciaram a situação? E quando um aluno ou o se encarregado se educação atirar tomates a um professor também podemos bater palmas?
Claro que estamos esclarecimos, os professores não querem ser avaliados, e é isso que os motiva.

Sardanisca disse...

O que escreve Maria Henriques é uma realidade que a maior parte das pessoas tem dificuldade em encaixar.
Parte-se do princípio que os professores são madraços e não querem ser avaliados.Não é o que ouço dos muitos que conheço.
Há muitos detalhes neste processo de avaliação que são indignos,como o facto de o insucesso escolar e o abandono das escolas seja culpa dos professores.
Alunos há que se estão a borrifar para a escola,escudados em pais que se estão a borrifar para eles.
Assim não.

e-ko disse...

bom, trago-te a informação que te falta, porque já não sabes onde dar da cabeça com tanto trabalho. hoje no público há este artigo:

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1349753&idCanal=58

e vi lá estes dois comentários que são muito interessantes:

"Sou professora, já fui dirigente sindical e conheço o aproveitamento político destes dirigentes que estão interessados simplesmente na sua promoção poliítica, incluindo o professor (?) Mário Nogueira. Os professores estão a deixar-se manipular por questões políticas, estão a deixar-se arrastar por esta onda e muito poucos estão a pensar friamente. A avaliação é necessária, se há outras propostas já deveriam ter sido apresentadas e há um acordo assinado, que não está a ser cumprido pelos sindicatos e professores. NB: Não sou PS nem mandatária da srª Ministra." Anónimo de Aveiro

"Abstenho-me de comentar o nºde manifestantes mas,nem nesta nem na manifestação anterior,estiveram cem mil pessoas - nem vale a pena falar do nºde professores.Para além das pessoas transportadas em autocarros fretados pelos Sindicatos,quantos vieram por convicção e conta própria?Também sou professora e partilho angústias mas a maior parte das medidas do ME são necessárias.O Sr.Mário Nogueira pretende naturalmente fazer carreira política mas esta projecção que a Fenprof lhe está a dar vai permitir que se confirme o Princípio de Peter - o seu discurso não revela cultura política,inteligência e saber para ser um dirigente nacional credível. Veja-se o "dito por não dito" que, sem vergonha deu, quando assinou um protocolo com o ME e agora,por pressão de professores, recusou. O ME mente?Talvez. A Fenprof mente?Seguramente, basta recordar o incidente recente sobre a suposta ingerência em escolas do Centro. Já fui dirigente no SPGL, com outra direcção. Sei como se manipula. Já fui militante do PCP e torna-se difícil acreditar nas boas intenções de lutas que defende e estimula. É fácil manipular trabalhadores e todos os partidos o fazem se houver oportunidade. Ao Sr.JPedroLoures: seja bem educado." Maria de Lisboa

A avaliação de professores talvez não esteja a ser bem conduzida e talvez tenha algumas falhas, mas o que se contata é o simples braço de ferro da classe dos professores, certamente para invalidar todo e qualquer processo de avaliação... não?

beijinhos e força pra aguentar o embate

MJB disse...

(in DN)
Maria José Mogueira Pinto
Jurista

O QUE É PRECISO PARA AVALIAR?

Difícil de gerir, difícil de mudar, o sector da Educação tem constituído nas últimas décadas um campo de ensaio de um experimentalismo infeliz. Como de nove em nove anos hipotecamos uma geração, a transformação deste espaço em permanente campo de batalha, num processo de desrazões, constitui hoje a mais cara factura que o país terá de pagar ao seu próprio futuro. O processo educativo devia ser uma área de tréguas e consensos, poupada à demagogia e ao aproveitamento político-partidário e protegida de visões sectoriais, seja a do ministério ou a da máquina, seja a das corporações ou a dos sindicatos, seja a dos pais ou a dos alunos.

A avaliação dos professores só faz sentido num sistema que seja capaz de se avaliar a si próprio. Quanto vale um bom professor num mau sistema? Que causas estão na origem do insucesso escolar ou do abandono precoce da escola que possam caber, exclusivamente, numa grelha de avaliação do desempenho do professor? E que factores se mantêm constantes, independentemente da envolvente da escola ou da caracterização social da sua população?
(...) continua

MJB disse...

De Miguel Portas
"(...)
Porque politicamente estou solidário com esta luta, mas também porque sou pai de dois filhos que estudam na escola pública. Quero que eles gostem das escolas que frequentam. Quero que aprendam, que estudem e que tenham aproveitamento. Sei que têm professores melhores e piores, como estes sabem que têm alunos mais interessantes e interessados e outros nem tanto. É assim a vida, feita de encantos e desgostos. Gosto dela porque é assim, imperfeita e por isso aperfeiçoável. Do que não gosto é de uma escola que, frustrando os professores, não se pode encontrar com os alunos, que são a sua razão de ser. Uma escola de professores desesperados e angustiados é uma escola que morre dentro de muros. É por isso que a ministra até podia ter a melhor avaliação deste mundo, mas não servir. A avaliação que urge não é a dos professores, mas a de um ministério e de uma ministra que têm sido incapazes de perceber o mal que estão a fazer às próprias escolas. Não preciso de muita papelada nem de conselhos científicos para concluir que o problema mora em cima."

MJB disse...

(comentários no Jornal Público)
14.11.2008 - 15h19 - Maria B., Estoril
Mais uma vez... muita gente a escrever e comentar sobre educação! Mais uma vez... grande parte sem conhecer ou saber o que verdadeiramente lá se passa! Mais uma vez muita gente a achar que, só porque andou na escola... ou porque tem lá um filho (embora, num ano, apenas se desloque lá uma ou duas vezes... ou nem isso), tem capacidade para opinar! Tudo isto é muito mais complexo... e apenas o reflexo de políticas, posições e atitudes autistas! (devidamente divulgadas pela nossa comunicação social, que normalmente apenas dá voz a um dos lados...acrescento eu!)
O que se coloca aqui.... é sabermos se ainda temos democracia neste país! acho que não! infelizmente acho que acabou! e pior! ... muita gente ainda não deu por isso! ... um dia todos vão perceber!

MJB disse...

Cristina!
Faz muito tempo que conheço este blog e que o acompanho regularmente. É a primeira vez que invado a sua (vossa) casa... mas não podia ficar calada!
Peço desculpa e tentarei que seja a última...
Mas antes de não dizer mais nada, queria só esclarecer que não sou sindicalizada, nem nunca fui!
Muitas vezes achei e disse que os sindicatos nem sempre contribuíram para melhorar as coisas... muitas vezes tentaram nivelar por baixo, pelos menos bons. Têm alguma culpa (mas muito menos que a do próprio Ministério) do estado das coisas. Não me sinto instrumentalizada... leio e informo-me! Fui por conta própria à manifestação, nunca pertenci a nenhum partido.

Estamos preocupados (Srª. Margarida) estamos e denunciámos a situação, vezes e vezes sem conta!
Só que o fizemos nos locais próprios (não na televisão... como o próprio ministério), escrevemos, colocámos questões, pedimos esclarecimentos, fizemos sugestões... fomos a reuniões onde alertámos para as incoerências!

Mas nunca nos ouviram...

Na verdade, temos uma ministra que, além de não ouvir (nem responder às perguntas de forma séria), vai muito às escolas, aparece muito na comunicação social, vai a muitas reuniões (nunca nenhum outro o fez... é verdade) fala muito de avaliação de professores, de estatuto da carreira docente e de estatuto do aluno, de rankings e de estatísticas ...mas muito pouco de matérias, de programas nacionais das disciplinas, de aprendizagens, de saberes, de currículo... etc. etc. ou seja das coisas que no fundo preocupam os pais, deviam preocupar os alunos e interessam para a formação dos jovens e o futuro da país!
Fiquem bem!

margarida disse...

Eu disse que essa situação tem cerca de 20 (vinte) anos, mjb. Só denunciaram agora porque dava jeito para angariar a simpatia de alguns pais que não acompanham o percurso escolar dos filhos, mas eu sou das que não falta às reuniões, das que questina, das que vocês não gostam. É mais fácil lidar com as que vão agredir porque podem ser denunciadas e não põem em causa o vosso trabalho, bem pelo contrário.

Sardanisca disse...

"E quando um aluno ou o se encarregado se educação atirar tomates a um professor também podemos bater palmas?"
Cara Margarida,o dia a dia de um professor é aturar canalha malcriada,que agride verbal e por vezes fisicamente os que tentam,ainda assim,meter alguma coisa naquelas cabecinhas que acham que,via benesses do ministério da educação e total desinteresse e incompetência parental,tudo lhes é permitido.
Seja séria e tente conversar,a sério,com professores sérios,que há muitos por aí.

Rosalina disse...

Deduzo, Sra. D. Margarida que seja daquelas EE que, então, vá à Escola, partindo do princípio que as falhas do(s) seu(s) educando(s) seja da incompetência dos professores.

Mais do que julga talvez, há muitos assim. Aqueles que como a Cristina e a Margarida, pelos vistos, do alto de um pedestal de barro, falam de assuntos que não dominam, que lhes passam completamente ao lado, mas que acham que devem comentar, porque até fica bem e, prontos, é in, sei lá, no intervalo de tantas horas de trabalho a sério, meu Deus, achincalhar a classe que muitas vezes, porque os pais trabalham sem fim de horas, são as escolas que educam...

A porcaria dos professores que até saíram em rua em peso, são uns mandriões, uns idiotas. Deviam era estar calados, já que dá jeito ter quem eduque por meia dúzia de tostões, enquanto os papás arranjam dinheiro para os telelés e afins. É tão fácil ser pai assim.

Sabe, eu até gosto muito de EE como a Sra D. Margarida. Não imagina o gosto que me dá de as ver a ficar sem argumentos.

Chiça que há gente de estudos muito ignorante.

______

A Cristina, uma vez mais, irá dizer, provavelmente, que eu estou a ser agressiva.

Será.

Mas então que não escreva sobre o que não sabe.

Informe-se a sério. Não escreva disparates.

margarida disse...

Sr. professora rosalina vou às reuniões sempre que convocadada pelo dr. de turma sim. E gosto de ouvir a sr. profesora, depois de dar a conhecer aos EE o regime de faltas dos alunos dizer "mais trabalho para mim". Quanto a transmitir valores e dar educação aos meus filhos faço questão que seja uma competência minha. Até porque sei que anda por aí muita gente que não pode dar o que não tem.

Manel disse...

Os professores são parte do processo educativo, e a avaliação (mediçao) deste para a sua potencial melhoria passa, obrigatóriamente também por eles.

http://www.youtube.com/watch?v=smU1s63XK6k

http://www.youtube.com/watch?v=wuRio6SuXTg&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=a5Sv1kh0sSQ&feature=related

Pelas respostas que vejo nestes 3 vídeos da manifestação, que podem encontrar no youtube, fiquei sem ser esclarecido acerca da manifestação dos professores e vejo o beco sem saída a que são conduzidos pelos sindicalistas.
Como cidadão, lamento.
Os muros que as estas pessoas colocaram e deixaram colocar à sua volta são, em alguns casos, difíceis de derrubar.
Respostas como estas que vemos nos vídeos, são pobres, de quem nem sabe o que não quer, porque não espreita para fora do muro.
Lamento!
Os muros para serem bem derrubados terão que ser partidos pelos dois lados.
Eu como cliente da Escola, sei que esta me está a fornecer muita quantidade e pouca Qualidade.

Este assunto da Instrução, Ensino ou Educação, não é exclusivo dos que afirmam que este é só para quem sabe. Este assunto é para o utilizador final do produto que sai da Escola, que devia ser o meio para a igualdade de oportunidades, e esse "Cliente" é cada um de nós, cidadãos.
Só que a Escola, em muitos casos, anda fechada nos seus muros.
Abraço amigo a todos.
Manel

Rosalina disse...

Até porque sei que anda por aí muita gente que não pode dar o que não tem.

Fale por si e para si, Sra. D. Margarida. Que pelo que escreveu até aqui sobre educação só revela que fala do que não sabe. Logo os valores que deve passar aos seus educandos devem valer nada, uma vez que demonstra aqui que acha válido opinar sobre assuntos sem argumentos.

E o mais curioso de tudo é os papás e mamãs virem sempre com essa conversa de que os valores e educação são passados por eles.

Isso tem mesmo imensa piada.

Pois saiba que mais de 80% dos problemas da Escola hoje em dia passam precisamente pela questão dos EE não educarem os seus filhos / educandos e estes terem de ser educados na Escola, quando a função desta devia ser apenas a de os formar.

Lamentavelmente, os papás e mamãs não são avaliados.

Fizessem os papás e mamãs o que devem e nas salas de aulas os professores a quem pagam para ensinar, não teriam de estar a educar.

Quer que lhe diga quantas vezes hoje tive de parar as aulas para chamar a atenção dos alunos sobre o comportamento?

Claro que a Sra. deve ser uma excepção e os seus educandos devem ser exemplares.

Anónimo disse...

Professores..quem avalia tem de ser avaliado (ou então não andamos cá a fazer nada e, bom seria que assim fosse em todas as profissões) e, na vossa profissão as matérias/ciência que têm por objecto de estudo pouca alteração têm num tempo de vida profissional a não ser o modo da sua aplicação..todas as escolas deviam ser motivadas ou melhor obrigadas a ter certificado de qualidade..da certificação à qualidade total-avaliação continua..para mim as escolas devem ser vistas como empresas, os alunos são produto acabado, agora vejam a qualidade deles se fossem carros quem é que os comprava, num hospital morriam quase todos..não brinco, infelizmente cá ainda tudo se movimenta pelo pseuda-statutu..
gostava que aqueles senhores do sindicato que tão arrogantemente falam fizessem as provas finais de um ano..provavelmente nem iriam acreditar..

abraço

intruso

e-ko disse...

o que é insuportável é a arrogància de muitos professores que, lá porque têm uma licenciatura, no melhor dos casos, partem do princípio que os EE são uma cambada de ignorantes pouco frequentável... não generalizem se não querem que os EE digam que os professores só estão preocupados com os seus interesses sem darem o meio-litro quanto mais o litro.

se o ensino neste país está no estado em que está, não é só o ME e os seus pedagogos que o levaram a este estado, a classe dos professores também tem uma grande parte de responsabilidade e nunca manifestaram qualquer interesse em denunciar o que estava mal... quem era sério fazia o seu trabalho seriamente e quem não era encostava-se!

Cristina disse...

Rosalina
começo ja por aqui.

desculpa lá, mas se vamos partir para a baixaria, ou seja, para o julgamento da vida pessoal, tua primeira intenção, eu falo tanto do que não sei como tu falas de pais educadores sem teres noção do que isso é...ou estou errada? tens? sabes o que é educar um filho, tens filhos, conheces as nossas preocupações, receios, angustias e medos? na pele? não. e dirás, como eu, que podes dar uma opinião porque lidas com os filhos dos outros. pois eu tambem lido com os professores.
ahh, e não vou responder que não digas disparates nem fales do que não sabes porque não me parece que leve a lado algum. portanto só me resta agradecer a tua sempre "simpática" colaboração neste blog e o tempo disponiblizado, que certamente roubaste ao esforço imenso de todos os dias preparar a formação dos filhos dos outros.




muito obrigada.

Cristina disse...

Maria José Bettencourt

obrigada por ter dado a sua opinião, participe sempre e com o tamanho de comentário que entender necessario...:)


mjb

bom, em relação a outros grupos profissionais conheço o meu, tem avaliações anuais que são duras e muitas vezes injustas porque não contemplam factores importantes,e com as quais não concordamos. mas são as que existem e é sobre elas que temos que trabalhar. temos carreiras e temos exames.aliás, só assim se sobe na carreira, sujeitando-nos a um exame com um juri nacional escolhido pela Ordem.

eu entendo a sua indignação e as explicações sobre as falhas existentes. o que me espanta é que os representantes dos professores não coloquem à frente da indignação publica quase diária o "como é que queremos ser avaliados". se me permite, é que se é esse o seu interesse, o que parece é exactamente o contrário. mais ainda, são os proprios a dar o flanco. a palavra que fica sistematicamente como mensagem é NÃO. e isto, obviamente, tem uma reação óbvia do publico que sente que os seus filhos são tão abandonados pelos professores como estes se queixam do contrario. exactamente a mesma coisa.

eu tenho varias amigas professoras. e digo-lhe com toda a sinceridade que o que me contam é isso mesmo: que acham que uma grande parte dos colegas encara a profissão como um escritorio: fazem lá umas horas e estão-se borrifando para que os alunos aprendam ou não. e que me desculpem os que se preocupam.

e depois, vejo comentários como o efectuado no blog da Sofia Loureiro dos Santos e fico a pensar que "já ouvi isto varias vezes", se calhar é verdade, até porque o que vemos na pratica, tende a não o desmentir...

tomo liberdade de transcrever:

«Começo por esclarecer que sou professor há mais de 22 anos.
Adianto também que não me reconheço nestas manifestações, nem na histeria manifestada pelos meus colegas.
Não é politicamente correcto dizê-lo, mas o que se passa é que a qualidade pedagógica e humana da maioria dos professores é muito, muito baixa. A maioria dos meus colegas formou-se com notas anormalmente fracas, acabaram para vir para o ensino apenas aqueles que não encontraram melhor alternativa de emprego. A maioria não são professores, são funcionários do Ministério da Educação, e que como parte do seu contrato de trabalho têm de aturar miúdos durante umas quantas horas por semana. As 'bestas' como alguns se lhes referem dentro da sala de professores, para gáudio geral.

Estão 100.000 professores na rua? Ou 100.000 funcionários que apenas vêm os seus privilégios ameaçados? 100.000 parasitas do Estado que apenas querem direitos, mas recusam quaisquer deveres, quaisquer obrigações de prestar contas à sociedade que lhes dá de comer?
O que mais me angustia é que há um erro de princípio na reforma da educação: ela não se fará com os professores (como é politicamente correcto dizer) porque estes não o são. Apenas se fará com OUTROS professores; dignos dessa profissão e cujo nome foi usurpado.
Escusado será dizer que não me atrevo a manifestar publicamente o meu desacordo perante os meus colegas na escola. Uma maioria esmagadora, ameaçadora, mesquinha e incapaz de discutir com quem discorda, apenas insultar. Estou refém dos meus colegas, tal como os pais dos alunos e todos aqueles que querem ver o seu país evoluir baseado no esforço e no mérito;
Estamos todos reféns porque hão-de vir paralisações e suspensões de aulas. Hão-de arranjar maneira de parar as aulas para pressionar os pais, mas sem greves, pois essas lhes afectam o vencimento que querem garantido no final dos 14 meses. Os alunos são as primeiras vítimas porque eles não têm, nem terão, quaisquer escrúpulos em os sacrificar à manutenção das suas mordomias, aos interesses políticos de terceiros. Quando ouvi o Manuel Alegre (em quem votei), dizer as barbaridades que hoje disse sobre a Ministra percebi o quanto esta é uma luta política de que os meus medíocres 'colegas' são meros peões.....»



e depois, ouvimos os debates, as palavras de ordem nas manifestações, e a tónica dominante é NÃO, NÃO QUEREMOS A AVALIAÇÃO.

ha-de compreender que é licito colocar em causa se o drama da falta de formação oferecida actualmente (não falo de educação porque essa dá-se em casa...) aos alunos é culpa do ministério e da ministra. só.

cheira tanto a desculpa...

um abraço.

Cristina disse...

Pendulo

já vi a proposta da Fenprof, obrigada.

eu como mãe poria um monte de questões mas parece-me que os pais não são para aí chamados...


trabalho muito, é verdade, mas ainda dá para cumprir a minha parte de mãe e educadora. e até acho que não fiz mau trabalho, honestamente.

beijos

Cristina disse...

e-ko

sob pena de ser linchada acho sim que os sindicatos estragam quase sempre o que poderia ser um trabalho sério. nesta profissão, como na minha, como em outras. a necessidade de protagonismo e a filosofia do "bota abaixo" são uma merda sempre que há uma crise. não só não ajudam como pioram quase sempre a imagem da classe.

é o que há enquanto la se mantiverem aqueles dinossauros completamente quadrados.

1 beijo

Cristina disse...

Manel

completamente de acordo. em tudo.

Cristina disse...

Maria Henriques

pois então..denunciem claramente que estão a fazer um mau trabalho! é esse o passo que a classe não é capaz de dar: assumir que está a formal mal e denunciar as pressões a que são sujeitos para perpectuar no erro.

essa seria uma atitude muito mais bem aceite e melhor entendida.

Cristina disse...

João Apolinário

cada profissão tem tendencia a hipertrofiar um bocado a taxa de esforço. bem conversado, todos dão o maximo pela pátria que obviamente não os compreende...

Cristina disse...

Sardanisca

é verdade.existe muitas vezes "desinteresse e incompetência parental" e por parte dos professores, também existe, ou é tudo gente de competencia acima de qualquer suspeita?

Cristina disse...

intruso

sabes que isso é feito ns hospitais? a certificação de qualidade. são muitos os itens e até ja foi publicado o resultado. por exemplo não é aceitavel que se reinternem doentes num prazo de 24 a 48 horas após a alta numa % acima de X...não é aceitável um nº de mortes acima de X % em determinada cirurgia...

e por aí fora..

o que eu gostava de ver era algo semelhante e mais concreto em relação ao funcionamento das escolas e aos resultados obtidos no produto final (o formado)

sem-se-ver disse...

eu fico sempre muito preocupada.

particularmente quando leio isto:

«a classe dos professores também tem uma grande parte de responsabilidade e nunca manifestaram qualquer interesse em denunciar o que estava mal...»

tenho encontrado esta acusação em muitos posts e/ou comentarios por aí.

e é tão mas tão falso... manifs sempre fizemos, greves também (lembram-se da última? o ME ameaçou com processos disciplinares e ordenou às direcções regionais de educação que, escola a escola, lhes fornecessem os nomes dos docente em greve; claro que isto, além de fascista, é inconstitucional, mas como os professores são uns mandriões do caraças, não obtiveram grande solidariedade da 'sociedade civil' na altura, tal já tinham a 'cabeça feita' contra nós pelas acções de propaganda e manipulação políticas governativas)

(nota: na altura, o motivo foi a aprovação do novo estatuto da carreira docente, causa directa de tudo o que se está a passar agora...)

mas indo mais longe: para além de todos os protestos e denúncias, expressos dentro de portas (escola) e registados em actas, os profs, repito, sempre se manifestaram e protestaram publicamente. olhem, por exemplo, contra o novo regime de aprovação dos alunos, cavaco silva governo made, que iniciou o descalabro a que hoje se assiste (professor que quisesse - por demérito do aluno - reprovar um aluno era quase considerado bandido a abater [e um elefante burocrático impedia-o de facto] e a obrigatoriedade do ensino até ao 9º ano passou a implicar que os alunos não reprovassem por faltas: o laxismo, a impunidade face ao incumprimento dos deveres básicos do aluno, como seja assistir às aulas, e o facilitismo decorrente disto tudo passaram a grassar.

e contra tal os professores se manifestaram na altura. mas a memória do povo, oh cruel destino, é curta...

caros amigos, cara cristina, ando nesta vida, que abracei por vocação, e alguns dizem por talento, desde 1982. e posso asegurar-vos, assegurar-lhe, que muito fazem os professores para, por um lado, combaterem como podem as situações que levam objectivamente à degradação da escola pública, numa luta, que parece sem quartel, que movem todos - todos - os ME, PS ou PSD, que desde o 25 de abril temos tido; e, por outro lado, para se adaptarem o melhor que podem, e como é seu dever enquanto funcionarios publicos, aos desvarios das ''politicas educativas'' com que temos sido brindados e aos quais não podem escapar, salvo se optarem por abandonar a profissão.

(sabe porque nunca a abandonei? pela mesma razão pela qual, suponho, a cristina não abandona a sua: porque gosto daquilo que faço - porque gosto de dar aulas, porque gosto de alunos, porque gosto da minha profissão. sabe porque? porque, mesmo que ela seja aviltada, pelos ministérios, pelos pais, pela opinião pública em geral, eu gosto dos alunos e eles gostam de mim. e são eles a minha razão de ser. e só eles. e só a eles concedo o direito que é aliás uma situação de facto e diária: o de me avaliarem.

professores cobaias, alunos cobaias, reformas e contra reformas, directivas e contra directivas, modelos que são testados mas nunca avaliados e por isso substituídos por outros... tem sido um forró.

quanto ao modelo de avaliação, e tudo o que já foi dito aqui saliento e subscrevo por inteiro as questões que a comentadora mjb lhe/vos lançou - porque parece que ainda ninguém percebeu que o busilis da questão, e da inoperacionalidade do modelo imposto pelo ME (já assumida pelo próprio quando no ano transacto recuou determinando que só uma versão simplificada do mesmo seria aplicada, e este ano está já a seguir o mesmo caminho, mas timidamente), é esta:

«Afinal que outra classe tem que produzir tudo o que necessita para ser avaliada? (...) Que outra classe tem um modelo implementado em cima do joelho e que, para cada erro detectado (e todos os dias encontramos mais) se fazem normativos de urgência?»

o ME eximiu-se das suas responsabilidades quando lançou um modelo de avaliação em que os instrumentos específicos e objectivos que lhe deverão estar associados têm que se produzidos pelas escolas, o que é dizer, cada escola literalmente inventa, sem apoio e sem rede, como desdobrar os parametros indicados pelo ME em instrumentos, grelhas e lista de indicadores, pelo que, literalmente, o caos está lançado. cada escola interpreta da sua maneira. pelo que os principios, a que o codigo de procedimento administrativo obriga aliás, de equidade, imparcialidade e justiça estão necessariamente colocados em causa: em rigor, eu posso ser classificada como excelente numa certa escola num certo parametro, e boa, ou até nem isso, nesse mesmo parametro, noutra qualquer! parece-lhe/vos isto correcto?

(e ah, que já me esquecia: a nossa classe sempre foi das mais divididas neste país; pululam os sindicatos e a esmagadora maioria dos profs nem sindicalizados são; manifestámo-nos, a maior parte divididos, nestes 20 e tal anos que levo de profissão. e eis senao quando, num só ano, as divisoes desaparecem, os não sindicalizados tambem se manifestam, 100.000 em março e 120.000 (85% de TODA a nossa classe!!) em novembro: seremos nós, e só nós, que estaremos errados? saberão vós, e só vós, as razões de um mal estar que rematam com uma pérola demagógica repetida ad nauseum pelo ME e por tantos de vós engolida sem reflexão: a de que não queremos ser avaliados? por deus, cristina... desde 1982 por aqui e nunca pude ser outra coisa senão classificada com um Bom (vá lá, nunca me portei mal ao ponto de ter tido uma classificação inferior :-) e sabe porque? porque os sucessivos ME NUNCA regulamentaram o que faltava na lei. e sabe o que era? os criterios pelos quais um professor poderia ser classificado como Muito Bom... acha/acham mesmo que esta situação, de gritante injustiça perante todos aqueles professores de elevada competencia e empenho e dedicaçao nas suas escolas, não nos indignava e nos fazia GRITAR por uma AVALIAÇAO digna desse nome????

é por ela que gritamos, cristina, creia-me: por uma avaliação DIGNA. não a DESTE modelo. mas de outro.

(por último: acha que merece credibilidade uma ministra que afirma e defende que tem de ser este modelo porque não ha mais nenhum?!?! admitiria a cristina quem lhe falasse nestes falaciosos e desonestos termos ao nivel da chefia da sua instituição? então, explique-me, porque temos nós, professores, que nos sujeitar a tamanhas barbaridades proferidas por tal bárbara, autista, arrogante e prepotente criatura?)

beijinhos.

Rosalina disse...

Literacia Informação

MJB disse...

Olá Cristina!
Ainda bem que não se "zangou" com a invasão do seu (vosso) espaço!
E como me deixou a porta aberta... gostaria (só) de deixar mais um esclarecimento, desta vez relativo à avaliação das escolas... e na sequência de um comentário anónimo lá mais para trás, que dizia:
"...todas as escolas deviam ser motivadas ou melhor obrigadas a ter certificado de qualidade..."

Como gosto que as pessoas estejam informadas digo-vos:
Deviam... e têm! porque são avaliadas para esse efeito! efectivamente são!
E ainda Bem!

Como podem ver no site da Inspecção Geral de Ensino em:
http://www.ige.min-edu.pt/
Onde se lê:
"A actividade de Avaliação enquadra-se no âmbito da avaliação organizacional e pretende assumir-se como um contributo relevante para o desenvolvimento das escolas e para a melhoria da qualidade das aprendizagens dos alunos numa perspectiva reflexiva e de aperfeiçoamento contínuo."

...e sobre o que avaliam:
" Os Resultados: Como conhece a escola os resultados dos seus alunos, quais são e o que faz para os garantir?
A prestação do serviço educativo: Para obter esses resultados, que serviço educativo presta a escola e como o presta?
A organização e a gestão escolares: Como se organiza e é gerida a escola para prestar esse serviço educativo?
Liderança: Que lideranças tem a escola e que visão estratégica está por trás da organização e da gestão?
Capacidade de auto-regulação e progresso da escola: Como garante a escola o controlo e a melhoria deste processo?"

Este processo levou algum tempo a ser preparado e teve início em 2006-2007 com uma fase piloto em que foram avaliadas 100 escolas, no ano seguinte 273 escolas (nestes 1ºs anos eram as escolas que avançavam com a proposta para serem avaliadas) em 2008-09 serão avaliadas 291, brevemente estarão todas avaliadas. Depois este processo voltará ao início e, para além de se repetir todo o processo, será também avaliado o modo como as escolas tentaram ultrapassar os seus pontos fracos!

E se este processo não funciona há mais tempo é porque nenhum Ministério de Educação de nenhum governo o implementou antes! Mas mais vale tarde que nunca!
...E ouviram os senhores falar disto? algum professor se queixou? Alguém disse "não"? Alguém se manifestou contra?
... Não, não se falou porque reconhecemos que, além de muito exigente, este processo tem credibilidade, critérios objectivos e conhecidos, e avaliadores competentes!

E esclareço: este processo é complicado, um grupo de 3 inspectores passa alguns dias inteiros nas escolas. Consultam toda a documentação, "vasculham" tudo, visitam, perguntam, observam, ouvem muita gente, em painéis organizados para o efeito (desde professores individualmente e/ou enquadrados nos órgãos de gestão intermédia, a alunos e Auxiliares de Acção Educativa).

Na minha escola já fomos avaliados! acreditamos na avaliação e candidatámo-nos para o efeito! (e até tivemos resultados muito bons!)... a mim não me parece que uma escola de "maus" professores consiga obter bons resultados numa avaliação destas: exigente, externa e neutra!

Mas isto parece de pouco servir ao Ministério!
Na minha opinião... é pena!

E só me indigno porque não quero andar atolada em papéis e mais papéis (muitos a servir de pouco ou nada para melhorar a escola e a qualidade de ensino), fichas, instrumentos, indicadores, taxas, rankings, listas de objectivos, etc. etc.
Porque eu SÓ quero continuar a cumprir tudo o que sempre cumpri (e segundo me dizem, bem!), a preparar as minhas aulas com tempo e qualidade e a dar aulas o melhor que sei! (adoro dar aulas, tal como a sem-se-ver... sei que me compreende!)
Mas o que eu adoro mesmo... é quando termino uma aula e oiço os meus alunos: "já??"..."já acabou??"

MJB

Cristina disse...

sem-se-ver

muito obrigada pela trabalheira e a paciencia de explicar tudo isso e que me leva a concluir, definitivamente que o modelo é mau.

mas no fundo, as pessoas não sabem porquê, só sabem que os professores não querem ser avaliados. a mensagem não é passada e atrevo-me a dizer que não será enquanto for o sindicato a fazer de porta voz. ssv, enquanto a imagem que passa do vosso protesto forem manifestações com cartazes ridiculos e com frases de mau gosto, nunca serão levados a sério, poior ainda, serão vistos como um bando de arruaceiros que não querem que alguém os classifique. isto é a agressivo, mas é o que nós vemos.
depois vemos debates como o de há dois dias em que um individuo diz que na Madeira o AJJ fez bem em classificar tudo com a mesma nota, Bom, e não se ouve a indignação dos restantes.
Ninguém conseguiu ser suficientemente assertivo para explicar objctivamente como seria o modelo correcto. e como poderia ter a população uma ideia fiavel do que é um bom professor ou um mau professor, ou uma boa e uma má escola com culpas imputadas aos proprios porque certamente que as haverá.
entende o que quero dizer? parece que ninguem está verdadeiramente a falar do que interessa. e a conclusão é a de que também não interessa falar.

e depois, a ajudar à festa, está o produto final, que é o que sabemos.

não sei se me fiz entender....

Cristina disse...

mjb

ora por favor!, zangar??? eu só me zango quando me tratam mal, nada mais..:))
este espaço é para isso mesmo, para ser invadido e está sempre aberto.
O processo de que fala, de avaliação das escolas

" Os Resultados: Como conhece a escola os resultados dos seus alunos, quais são e o que faz para os garantir?
A prestação do serviço educativo: Para obter esses resultados, que serviço educativo presta a escola e como o presta?
A organização e a gestão escolares: Como se organiza e é gerida a escola para prestar esse serviço educativo?
Liderança: Que lideranças tem a escola e que visão estratégica está por trás da organização e da gestão?
Capacidade de auto-regulação e progresso da escola: Como garante a escola o controlo e a melhoria deste processo?"

parece-me um trabalho importantissimo e uma valiosa ferramenta de trabalho, se está a ser usada. espero que seja.

e quanto à avaliação do professor em si? como é feita até agora? como é ele classificado? como, neste momento, é diferenciado um professor que cumpre os objectivos de um que não cumpre?? enfim...considerando o objectivo o produto que apresenta no fim do ano( com a noção que temos de bom e mau professor do nosso tempo de estudantes e do que vamos observando com os nossos filhos...) como se avalia onde acaba a "responsabilidade da ministra" e onde fez a diferença a responsabilidade do professor?

pergunto isto por causa da resposta que dei à sem-se-ver...

dalloway disse...

Caramba!

Como eu gosto deste blogue.

Sardanisca disse...

Cara Cristina:acredito que a grande maioria dos professores é capaz.O modelo de avaliação é complexo,burocrático e tem parâmetros de extrema injustiça,porque querem avaliar algo que está fora do alcance dos professores,nomeadamente o abandono e insucesso escolares.
Como é possível concordar ser avaliado negativamente pelo facto de muitos alunos (são muitos e a Cristina sabe-o,acredito) não quererem andar na escola e serem obrigados,aprender e respeitar os docentes e não o fazerem?
Perguntei a um amigo meu,que é perito de seguros e alinha pelo diapasão "não querem ser avaliados",o que acharia se a empresa dele o penalizasse pelo facto de,na sua área de trabalho,não terem ocorrido acidentes e lhe atribuirem a culpa.Ficou a pensar.
Finalizo:a minha mulher é professora,não é sindicalizada e está farta dos sindicatos,mas esteve em Lisboa.Quer ser avaliada porque compreende a avaliação como um ponto de partida para melhorar,mas não nestes moldes.
Bom dia

Anónimo disse...

"mjb" :-)

Hum depreendi.. esse será o 1º passo (optimizar recursos), o que eu pretendia era da certificação à Qualidade Total, avaliação continua e, aqui já vocês têm de ter entrado (o envolvimento tem de ser de todos)..a maneira de partilhar o vosso saber seguramente evolveu, mas provavelmente (falo de cor e não gosto de fazer juízos de valor) grande parte dos professores continuam a partilhar o saber como os meus professores o fizeram..
nas mudanças tudo parece complicado, muitos papeis a maioria inútil :-), mas isso é só ao principio, quando implementado,vai vêr que a satisfação vai melhorar, a sua e a dos seus alunos e, por consequência a da Escola..nada pára, tudo está sempre em movimento (mesmo que eu pare, continuo em movimento, a terra está a girar :-)
..Já deviamos estar a procurar mais que a Qualidade: a Excelência.

mjb.. um abraço e boa semana (desculpe sou um rude e muito terra à terra, mas também sou genuíno)

Cris..desculpa o by-pass um abraço e boa semana..

intruso