17 novembro 2008

alimenta-se de quê, a coerência desta luta?



Do DN ...
Já há professores a admitir fazer greve à avaliação dos alunos
A possibilidade de um boicote às notas dos alunos, no final dos períodos de aulas ou na altura dos exames, não foi discutida oficialmente pelos sindicatos nem é consensual entre estes, mas é assumida como uma forma de luta "em cima da mesa" (...)admitiu ao DN Carlos Chagas, secretário--geral do Sindicato Independente e Democrático dos Professores (Sindep). "Essa hipótese ainda não foi discutida, mas é uma carta que está em cima da mesa", avisou. "Temos evitado o prejuízo dos alunos, mas tudo tem limites. Até porque também é em nome deles que fazemos esta luta."
No site do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL), afecto à Federação Nacional dos Professores (Fenprof), o DN encontrou uma "sondagem" sobre a possibilidade de se avançar com esta abordagem já no 1.º período. Entre 785 respostas, 74% consideravam-na "viável e útil".Ineficaz antes de JunhoMas o própriosecretário-geral da Fenprof relativizou a questão: "As sondagens internas são muito úteis para entendermos algumas questões, mas não representam a opinião da maioria dos professores", avisou Mário Nogueira. "Temos um mandato de confiança, que nos foi dado pelos 120 mil professores que foram à manifestação de dia 8, e não podemos pô-lo em causa com voluntarismos excessivos."

Pois...lá está....era de esperar que os sindicatos tivessem ficado deslumbrados com os 120000. Ena tanto poder!, há que aproveitar a oportunidade para uma demonstração de força.....
Só espero que alguém de senso se lembre que, caso o deslumbramento e a ideia estapafúrdia se mantenha, do outro lado estão milhões de pais. Que, e não tenham dúvidas, a partir desse momento "darão" ao governo a legitimidade de que ele precisa para actuar como bem entender. Daí a começar-se a exigir meia dúzia de clones de ministras da educação, é um pulinho. Mas então...., os sindicatos têm tendência a ser assim, excessivamente voluntariosos. O que, em termos negociais, normalmente, é inversamente proporcional à inteligência.

15 comentários:

Pêndulo disse...

Concordo contigo. Com a lavagem cerebral que é feita usando os meios de comunicação rapidamente tínhamos os pais contra os professores.
Ainda bem que Mário Nogueira se mostra sensato, o que, sendo ele dirigente da maior federação sindical de professores, a anos luz das outras, é muito bom sinal. Felizmente o sindicalismo está a evoluir. Resta combater a barragem de editoriais e opiniões que repetem mentiras até à exaustão de forma a que pessoas menos atentas acabam por ficar com ideias feitas que não correspondem à verdade. Veja-se que mesmo a Cristina, até há dois dias, desconhecia que havia um modelo de avaliação alternativo apresentado pela FENPROF, talvez por ler esses editoriais e comentadores a repetir que não existia.
Se assim é com a Cristina que será com a população menos atenta?
Realmente a máquina de propaganda do PS facilmente virava os pais contra os professores.

Fado Alexandrino disse...

Há coisas curiosas.
Noutro sítio onde me envolvi numa argumentação com outros frequentadores desse blog, um atirou-me com o número de 220 mil professores à cara.
Admirado questionei-o e ele respondeu-me que estava a somar as duas manifestações.

Cristina disse...

P

não precisas de meios de comunicação neste caso. espero bem que eles não deixem que os "voluntaristas excessivos" lhes lavem o cerebro. acho que os professores nunca mais se levantavam...


ps- estou cá para aprender. nunca vi nenhum sindicato na comunicação social a lutar pela avaliação do trabalho do professor.
a tonica dominante é a avaliação do trabalho da escola, que é uma coisa em que os maus se escudam.
e mesmo com o documento que mostraste, ainda não entendi o que é que um professor tem que fazer para ser mal classificado, se queres que seja honesta....

Cristina disse...

fado

looooooooooooooooool. pois, esse tipo de "argumentistas" ajuda muito a classe..

António P. disse...

Está optimista Cristins ao considerar que há diregenetes sindicais inteligentes.
Diga-me um.
Cumprimentos

Cristina disse...

se o António que conhece melhor a classe o diz, quem sou eu, que conheço dois ou três.

pelo menos bem informados, são. conhecem TODOS os seus direitos.

António P. disse...

Mas Cristina como dizia um colaborador meu :
" Um canudo não é um certificado de inteligência, é apenas um certificado de habiltações."

Qaunto a serem informados ( pelo menos dos seus direitos ) estou consigo.
Cumprimentos

Pêndulo disse...

Para a Cristina é espantoso um dirigente sindical conhecer "TODOS os seus direitos".
Portanto o bom dentista é aquele que não sabe o estado dos seus dentes, o bom mecânico é o que não sabe como está o seu próprio carro e o bom primeiro-ministro é aquele que não sabe o que se passa no seu país.
Compreendi agora tanto "socretismo". De falta de coerência ninguém te pode acusar.
Já agora que é importante um dirigente sindical saber? O programa do governo? O nome dos deputados do PS?

Cristina disse...

P

os seus deveres e os deveres daqueles que pretende influenciar.

o que me espanta é que tu, sindicalista, aches que aquilo que um sindicalista deve saber é de direitos e que isso chega. são aqueles gajos que chegam a qualquer lado e gritam: camaradas nós conhecemos os nossos direitos! e vamos até ao fim para os defender custe o que custar.

isso sim, é bastante elucidativo do que temos vindo praqui a dizer...

(tal e qual como os defensores dos direitos dos seropositivos: só conhecem os direitos. os deveres para com o resto da população, cagaricagarou...)

Pêndulo disse...

os seus deveres e os deveres daqueles que pretende influenciar.

o que me espanta é que tu, sindicalista, aches que aquilo que um sindicalista deve saber é de direitos e que isso chega. são aqueles gajos que chegam a qualquer lado e gritam: camaradas nós conhecemos os nossos direitos! e vamos até ao fim para os defender custe o que custar.


Pois é Cristina, cá estamos mais uma vez perante um caso de desconhecimento. Eu bem digo que andas a trabalhar demais e sem tempo para nada. Não tenhas juízo que o corpo é que paga.


Artigo 55.º
(Liberdade sindical)

1. É reconhecida aos trabalhadores a liberdade sindical, condição e garantia da construção da sua unidade para defesa dos seus direitos e interesses.


A disposição acima é de uma coisita chamada Constituição da República Portuguesa e não vejo ali escrito deveres.

Onde vejo deveres é neste artigo
SECÇÃO II

Dos deveres e direitos


Art. 13.º

São deveres dos médicos:
a) Cumprir o presente Estatuto e respectivos regulamentos;
b) Cumprir as normas deontológicas que regem o exercício da profissão médica;
c) Guardar segredo profissional;
d) Participar nas actividades da Ordem e manter-se delas informado, nomeadamente tomando parte nas assembleias ou grupos de trabalho;
e) Desempenhar as funções para que cada um for eleito ou designado;
f) Cumprir e fazer cumprir as deliberações e decisões dos órgãos da Ordem, tomadas de acordo com o Estatuto;
g) Defender o bom nome e prestígio da Ordem dos Médicos;
h) Agir solidariamente em todas as circunstâncias na defesa dos interesses colectivos;
i) Comunicar à Ordem dos Médicos, no prazo máximo de trinta dias, a mudança da residência, a reforma e os impedimentos por doença prolongada ou serviço militar;
j) Pagar as quotas e demais débitos regulamentares.


Mas isto são os estatutos de uma Ordem, coisa diferente de um sindicato. Aliás na tua profissão coexistem os dois tipos de organização.

Deve ter sido uma confusão tua, não me passa pela cabeça que defendas algo parecido com o Corporativismo do Estado Novo.

Cristina disse...

P

pois não vês escrito. tão conveniente não? quer dizer que está legitimada a insanidadeé e é só disso mesmo que devem tratar? ou seja não faz parte das funções do sindicato colocar algum senso nas cabecinhas dos trabalhadores? vai-se até onde nós queremos doa a quem doer? com ameaças directas? pendulo, eu já sabia disso, toda a gente vê isso.

cada vez se percebe melhor.

não é por acaso que os sindicatos estão cada vez mais descridibilizados, não é por acaso que as greves gerais são a vergonha que são.

direitos direitos direitos e mais direitos, os outros que se lixem.

P não dês mais voltas nem metas a Ordem dos médicos e o que mais te passar pela cabeça ao barulho, não ha volta a dar.


também ainda não percebi porque te faz confusão que eu trabalhe tanto!! ja falaste nisso um monte de vezes. Sim, eu trabalho. muito. realmente ha coisas que para um sindicalista são completamente incompreensiveis. inadmissiveis. contra natura. escandalosas. quiçá, inconstitucionais. refiro-me a trabalhar muito, obviamente. não uses mais esse argumento, que é pra não te enterrares mais ok?

podemos ficar por aqui?

Pêndulo disse...

o que me espanta é que tu, sindicalista,

Sim, eu trabalho. muito. realmente ha coisas que para um sindicalista são completamente incompreensiveis. inadmissiveis. contra natura. escandalosas. quiçá, inconstitucionais. refiro-me a trabalhar muito, obviamente.

Realmente depois destes teus comentários o melhor é mesmo parar por aqui.
Já me conheces o suficiente para saberes que neste momento estou a fazer um grande esforço para não comentar esta insinuação que é pessoal.E conheces também o tipo de resposta que estou com vontade de te dar.

mar disse...

Pelos vistos chego já tarde à discussão.
E apenas irei dizer isto: Na minha escola, todos os prefessores que podem, e que são os mais experientes e competentes, estão a reformar-se no decorrer deste ano lectivo todas elas com penalização..... pq será? uma delas com 33 anos de serviço, mas apenas 52 de idade, foi reformada com 45% de penalização. Julgo que estas situações reflectem algo.
E eu, que escolhi ser professora, neste momento também me reformaria se para tal tivesse tempo de serviço e idade, mesmo com penalização.

:(

sem-se-ver disse...

(sem ter lido ainda os restantes comentários)

não, cristina, o que a fenprof diz, nesse extracto que citou, é que não se deve embarcar em voluntarismos excessivos, como a proposta de boicote às avaliações.

acção que, contudo, me agradaria sobremaneira.

ganharíamos mais uma guerra? sem dúvida. mas se esses "milhões de pais" não se levantam contra um modelo de avaliação que está objectivamente a perturbar o clima nas escolas, não me merecem especial consideração. porque a solidariedade que temos para convosco, seja porque somos igualmente educadores, seja porque estamos sempre disponiveis para vos atender, seja porque tomamos em conta problemas de ordem pessoal e profissional dos alunos de que tenhamos conhecimento, seja porque, quantas vezes, temos de ser nós a andar atrás dos pais para lhes dar conta do trajecto escolar dos seus educandos e dos problemas que eles estejam a revelar, dizia, a solidariedade que temos para com os encarregados de educação, seria bom que fosse recíproca. e que, reconhecendo essas nossas virtualidades, além de todas as outras que possamos ter (alguns terão, outros nem tanto, mas isso acontece em qualquer profissão) cientifica e pedagogicamente, os façam por uma vez entender que alguma razão devemos ter quando um assunto uniu uma classe profissional tradicionalmente tão dividida: 80% de TODA a nossa classe esteve presente na última manifestação. estaremos todos errados? é só um problema de carácter profissional que não deve ser tido em conta pelos pais?

posso assegurar-lhe que na minha, e em todas, não transportamos os nossos problemas laborais para dentro das salas de aulas; mas que qualquer miúdo se apercebe do clima de tensão e mal-estar existente, sem dúvida. acha que tal é útil para o bem-estar que eles devem sentir nas suas escolas? e isso não a preocupa, como mãe?

não a preocupa estas sucessivas políticas 'educativas' que têm vindo a promover o laxismo, o facilitismo, a impunidade? a nós, sim. e muito.

este modelo de avaliação é mais um factor dessa mesma desastrosa política.

e sim, preocupamo-nos com a degradação da escola pública. e não somos estúpidos: o que move este governo quanto à educação é o que o move quanto à saúde: uma ideologia neo-liberal que tende, subrepticiamente, fazer claudicar a educação e a saúde públicas, em detrimento das privadas.

alguma dúvida quanto a isso?

minha cara cristina, sou professora da escola pública e orgulho-me disso. podia ter optado pela carreira de professora de ensino privado e nunca o fiz. acredito que tenho uma missão enquanto funcionária pública - ao serviço do Estado, prover o melhor que souber os alunos que tenho a meu cargo.

quero, como todos nós, ser avaliada. o anterior modelo nem sequer alguma vez regulamentou os critérios pelos quais poderiamos atingir classificações superiores! temos as nossas carreiras congeladas desde 2005, e não foi por isso que deixámos de trabalhar e nos empenhar conscienciosamente nas nossas tarefas.

aguardávamos, por essa mesma razão, o estabelecimento de um novo modelo de avaliação. mas não este. mas não este.

mente a ministra (e não há outro termo, mente) e é desonesta, quando afirma que não há outro modelo alternativo. há dezenas de modelos de avaliação por essa europa fora (nenhum sequer minimamente aparentado com este, e o célebre-paradigma finlândia, segundo julgo saber, nem tem nenhum!), e mais umas centenas por esse mundo fora.

afirmar que não se suspende este porque não há outro já nem é falácia: é, para mim, caso de polícia.

psiquiátrica, pelo menos. porque a atitude da ministra raia a paranóia absoluta.

desc a extensão do comentário.

agora, vou ler os outros.

sem-se-ver disse...

«nunca vi nenhum sindicato na comunicação social a lutar pela avaliação do trabalho do professor.»

como diz, cristina?!?

deve ter andado muito distraída estes anos todos :-)

e olhe que são muitos!