26 outubro 2008

O défice democrático

A Inspecção-geral de Finanças (IGF) analisou milhares de mensagens de e-mail de centenas de funcionários dos impostos e leu o conteúdo de muitas dessas mensagens, designadamente as enviadas para órgãos de comunicação social com o objectivo de identificar fugas de informação. A consulta, feita sem conhecimento dos autores, foi realizada no âmbito de uma auditoria da IGF prevista no seu plano de actividades para 2006, que mereceu a concordância do ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, em Novembro de 2005.
(...)
O DIAP tentou ainda saber quem é o autor, ou os autores, do Jumento, um blogue que se dedica, essencialmente, a escrever sobre situações passadas na DGCI.






Aquele senhor com a bandeira de Portugal atrás é o ministro que autorizou isto.

17 comentários:

Fado Alexandrino disse...

Há tempos atrás um fulano foi de férias e com a pressa deixou no PC vário material pornográfico.
Um dia, distraída, uma colega teve que aceder ao mesmo e por azar clicou na pasta errada donde saltou um magnifico “fellatio”.
Aberto o respectivo procedimento o fulano foi para a rua tendo perdido todos os recursos.

Isto devia ensinar as pessoas que os instrumentos de trabalho no local do mesmo são públicos.
Privado é o nosso PC em casa.
É dai que devem ser enviados os mails para as redacções dos jornais.

Cristina disse...

concordo com o Fado, neste caso.

e o que se chama a um mail enviado do local de trabalho para fora da repartição, sem autorização e com informação supostamente confidencial? há algum nome para isso, deve haver alguma atitude sancionatória, ou não?

Anónimo disse...

Nada é privado..mas todo o fim depende do princípio.

intruso

Pêndulo disse...

Cristina que achavas de aparecerem coisas supostamente confidenciais na imprensa relativas ao teu hospital e veres a tua caixa de correio devassada? Os mails que me mandas e te mando abertos por um desconhecido: Repara que não se investigou o fulano A ou B suspeitos, foram centenas. Houve milhares de e mails pessoais, trocados entre marido e mulher, entre namorados, etc. que foram lidos por outrem que não o destinatário.
Mais ainda, e sem querer adiantar muito: houve um período de tempo em que funcionários, conheço um muito bem, que notou que os mails enviados de e para o sindicato das finanças demoravam imenso a chegar. Mails posteriores, para outros destinos, chegavam antes.

Isto configura violação de correspondência e é grave. Repara também que começou por se ter sabido que o Director Geral dos Impostos tinha uma dívida às Finanças.

Cristina disse...

P

nõa sei se isso é permitido. não sei se a correspondencia destro de uma empresa é considerada "pessoal" ou se pode não ser. essa é a minha duvida. se informações sairem de um mail meu referentes ao hospital, para fora do mesmo, não tenho duvidas de que se souber vou ter problemas legais. é informação DO hospital. agora, não sei se podem ir à procura dessa correspondencia, se podem revistar toda a informação que circula por mail.

(claro que quando queremos que alguma coisa seja confidencial a enviamos de casa....)

não sei mesmo.

Pêndulo disse...

Eticamente não está correcto. Cada repartição de finanças tem um caixa de correio electrónico própria. Foram atribuidas, não sei porquê, caixas de correio aos funcionários, logo serão pessoais e privadas. A oficial é a da repartição a quem só três ou quatro dirigentes em cada repartição tem acesso.
A informação passada por mail pode facilmente trazer-se para casa e ser enviada daí. A perseguição ao Jumento mostra bem a intenção disto. O facto dos mails sindicais terem andado atrasados também é significativa.
Nada tenho contra a penalização de quem passa dados confidenciais mas esses podem passá-los na mesma.
Este comportamento foi pidesco porque abrangeu gente que apenas era suspeita por trabalhar nas Finanças. Não se procurou ler quem era suspeito, leram-se de todos.
É inaceitável. É como abrirem todas as cartas de todos os moradores da tua rua, inclusivamente as tuas, porque se desconfia que há aí um traficante de droga. Não pode ser.

Brancaleone, o justo. disse...

Olha gente. O que um sujeito faz, recebe ou envia de seu computador doméstico, na privacidade do seu lar diz respeito apenas a ele e a ninguém mais. Agora, usar computadores da empresa ou repartição pública em que se trabalha como se fossem computadores pessoais, está errado. Local de trabalho é local de trabalho e pronto. Se alguém usa computadores do patrão para atividades particulares, que corra os riscos e se for pego, que não reclame.

dalloway disse...

A confusão persiste porque a linha que delimita o que é confidencial e o que é público tornou-se cada vez mais ténue.

Desinformador disse...

Lamento, mas em linhas gerais não concordo com o que se tem escrito sobre este assunto.

Antes de se chegar sequer a discutir se é legal dar uso privado a equipamento destinado a trabalhar; há que ter claro que o direito à vida privada é algo intrínseco em toda e qualquer situação.

E a violação desse direito é punível por lei, basta ler o código penal, e muito provavelmente no código do trabalho estará também explícito algo.

Portanto, eu se fosse aos funcionários da DGCI não hesitava em apresentar uma queixa conjunta contra o Ministro das Finanças. E têm tudo para ganhar!

Piotr Kropotkine disse...

eu registo o curiosos alinhamento gráfica da foto do ministru com a foto do post abaixo.....

é...... uma curiosa coincidência......

JMC disse...

O certo é, que ainda não ouvi o Prof. Marcelo falar sobre o tema.

Boa semana.

JMC

cs disse...

Estranho que a violação de correspondência nos dias que correm seja uma prática com alguma aceitação.Seja em que contexto se inscreva tal procedimento,por ser privada, a correspondência só ao remente e destinatário pertencem.De forma nenhuma posso aceitar que se vasculhe a correspondência privada sem que os fins sejam comunicados aos sujeitos e em último caso por ordem judicial.Não parece ser o caso. E já agora, que mal vem ao mundo por o utente saber algo que as finanças não dizem mas existe?

cs disse...

Estranho que a violação de correspondência nos dias que correm seja uma prática com alguma aceitação.Seja em que contexto se inscreva tal procedimento,por ser privada, a correspondência só ao remente e destinatário pertencem.De forma nenhuma posso aceitar que se vasculhe a correspondência privada sem que os fins sejam comunicados aos sujeitos e em último caso por ordem judicial.Não parece ser o caso. E já agora, que mal vem ao mundo por o utente saber algo que as finanças não dizem mas existe?

Animal disse...

eu é que sou o Jumento

RM disse...

Enche-los todos de mel e deitá-los aos ursos...

Fado Alexandrino disse...

A confusão persiste porque a linha que delimita o que é confidencial e o que é público tornou-se cada vez mais ténue.

Tem toda a razão, mas a linha entre local de trabalho e casa de família é mais grossa.

dalloway disse...

Devia ser Fado mas acontece que o tempo tem demonstrado que nem sempre é assim e penso que é esse 'nem sempre' que traduz a teimosia em não perceber que a liberdade implica responsabilidade.