04 outubro 2008

É o bodo aos pobres. De espírito.


Segundo Artigo Expresso[assinantes], são mais que as mães, os artistas a mamar à conta do contribuinte. Dos subsídios às casinhas, sai-nos cara a cultura. Estes é que são os verdadeiros "artistas", ou um bom espelho da nossa indigência intelectual/moral......na verdade, entre eles e os ciganos que vão prá rua exigir casas ao governo, não vejo diferença nenhuma....dão-se é mais ares... .
Aqui fica o artigo integral, tão importante e vergonhoso, que deve estar disponivel para todos os que não têm acesso ao jornal possam ler:

Artistas por conta da Câmara
São 70 os ateliês cedidos a artistas plásticos contabilizados pela Câmara Municipal de Lisboa após um primeiro levantamento levado a cabo pelos serviços municipais, em Março passado. O documento, a que o EXPRESSO teve acesso, revela que a maioria daqueles espaços estão atribuídos por um prazo indeterminado, sem existência de protocolos e, nalguns casos, a título gratuito. José Pedro Croft, Lagoa Henriques, Carlos Amado, Maria Helena Matos, António Cerveira Pinto, João Vieira e até a jornalista Dina Aguiar são alguns dos artistas contemplados pela autarquia num processo de distribuição sem critérios definidos que teve início em 1970, com Fernando Santos e Castro à frente do município e fechado há pouco mais de um ano durante o mandato de Carmona Rodrigues.
O maior complexo de ateliês camarários disponibilizados a pintores, escultores e ceramistas fica em Alvalade. A ladear o Palácio dos Coruchéus, distribuem-se em dois prédios de três andares 50 espaços diferentes. Aí, as rendas rodam os 30 euros e as áreas disponibilizadas equivalem a apartamentos T1. Já nos Olivais, junto à Quinta Pedagógica, os ateliês são oficinas amplas, com escritório e pátio. Croft, que ocupa um desses espaços, justifica as dimensões com o tipo de trabalho que executa, esculturas de grande escala e fala em “troca de serviços” para explicar a ausência de qualquer pagamento da sua parte à CML. “Sempre que sou solicitado para colaborar com a autarquia, faço-o”, diz, salientando uma exposição no Museu da Cidade e vários projectos de esculturas para exteriores já por ele realizados. José Pedro Croft adianta que o contrato que assinou com João Soares em 1998 é renovável de quatro em quatro anos, tendo o município a possibilidade de o denunciar. “Como não o fez até agora e ainda faltam dois anos para poder optar por essa via, não creio que haja alterações ao protocolo. Até porque continuo disponível para colaborar com a Câmara”, diz.
Cedência para sempre
Mesmo ao lado, de portas fechadas, fica o ateliê de Sam. O escultor morreu há 15 anos, mas para que o espaço possa ser ‘libertado’ pela família a autarquia “terá de comprar o espólio do artista”, conta fonte do Gabinete de Rosália Vargas, vereadora da Cultura. As negociações já estão em curso, garante a mesma fonte.
Com direito a “espaço de descanso, porque um artista trabalha a qualquer hora”, como diz o escultor Carlos Amado, existem meia dúzia de ateliês ainda mais espaçosos na Avenida da Índia, em Belém, atribuídos no final dos anos 70. Além de Amado, dispõem desses espaços, definidos pelo documento da CML como “armazéns convertidos”, Lagoa Henriques, Maria Helena Matos e António Cândido dos Reis. Pagam €35, “aquilo que a autarquia determina, mas sabemos que não somos donos dos ateliês”, explica o escultor. “Se eles entenderem que este meu espaço lhes falta para outro fim que se justifique, participar-me-ão e terão que arranjar-me outro ateliê”, prossegue. O escultor, que não executa qualquer trabalho há dois anos, considera ainda que esta é uma cedência “a título provisório ad aeternum”.
“Zangado” com as condições de trabalho oferecidas pelos ateliês dos Coruchéus, onde trabalhou durante três décadas, João Vieira optou por “pedir um espaço maior” à autarquia. Alegou que não conseguia trabalhar “com as faltas de água constantes” e que a área que detinha “já nem dava para guardar metade das obras produzidas”. Há menos de dois anos, Carmona Rodrigues cedeu-lhe uma loja devoluta em Marvila. Em troca o pintor doou à Câmara uma peça composta por vários painéis alusivos ao célebre quadro de José Malhoa, ‘Fado’. “Foi uma doação valiosa”, adianta João Vieira, que garante ter gasto €10 mil na recuperação do espaço. De resto, só ele foge à regra, pagando à autarquia €250 por mês.
Nos Coruchéus, já poucos consagrados trabalham actualmente e com um volume de trabalho significativo destacam-se apenas Soares Branco e Gracinda Candeias, ambos a dispor do espaço há quase quatro décadas. A mais nova inquilina é Dina Aguiar. O ateliê foi-lhe atribuído por João Soares em 1999. A jornalista é dos poucos artistas identificados pelo documento elaborado pelos serviços municipais cuja actividade artística não está classificada. Mas o caso mais polémico em Alvalade tem como protagonista Cerveira Pinto. O pintor transformou o seu ateliê no piso térreo em galeria comercial e a autarquia não gostou. Com um processo instaurado pela CML e com as portas fechadas, Cerveira Pinto alega direitos adquiridos, mas não se mostrou disponível para falar com o EXPRESSO.
O Bairro do Rêgo alberga mais seis artistas, mas outros espaços dispersos pela cidade ainda estão por contabilizar. Rosália Vargas afirma estar a trabalhar na matéria com a celeridade possível e classifica as cedências como uma prática “desadequada”. O novo regulamento está desenhado mas a discussão pública a que tem que obedecer não permitirá que entre em vigor antes de meados do próximo ano, afiança Rui Pereira, director municipal da Cultura, que levanta o véu sobre as novas regras. O prazo máximo de ocupação será de três anos, prorrogável por mais dois em casos excepcionais. As candidaturas serão avaliadas por um júri independente, privilegiando-se os artistas mais jovens de acordo com a qualidade dos seus trabalhos. Os consagrados terão de concorrer com um projecto específico, bem justificado e limitado no tempo.
Texto Alexandra Carita

6 comentários:

stock investor disse...

very nice! hahahahaha

Brancaleone disse...

Pois aqui na ex-colônia de Vera Cruz tem também que viva do erário com o que ousam chamar de "arte". Pena que são "artistas" que fazem uns trombolhos estrombóticos que podem ser dependurados ou colocados de ponta cabeça que não perdem o significado pois não significam nada.
Uns metidos a intelectuais chamam de "arte conceitual" ou de "arte moderna" mas no fundo é pura enganação. Pior mesmo são uns otários que pagam caro por rabiscos feitos por adultos "artistas", idênticos aos que minha filhota de dois anos faz.
Mas é assim. Quem não tem competência para ser livre, submete-se ao Estado...

Anónimo disse...

Pá, se os gajos tém ou não veia artista, tanto se me dá como se me deu! Agora que esses fdp (os pseudo-artistas e os outros) gozem com quem trabalha a sério e ainda é obrigado a contribuir para essa pornografia, é muito mau...

Tino.

Fado Alexandrino disse...

Dentro de um mês já ninguém se vai lembrar disto e o A. Costa fez uma jogada de mestre ao pedir autorização À CNPD para divulgar a lista.
Claro que a CNPD já veio dizer que não tem prazo para dar resposta.
Deve dá-la lá para 2037.
Para se perceber como isto funciona podes ler a defesa que é feita por FC e JAD e que transcrevo no meu blog.

Baidauei disse...

Hoje (10/10) no Publico:

"O ex-deputado do PS Fernando Ka paga cinco euros e 60 cêntimos de renda à Câmara de Lisboa por um rés-do-chão de dimensões consideráveis (cinco assoalhadas com quintal) que a autarquia lhe entregou em 1984."

Cristina disse...

baidauei

eu conheço bem o Fernando Ka. Somos amigos. não sei se ainda deveria beneficiar da casa ou não mas garanto uma coisa sobre palavra de honra: todo o seu tempo e dedicação é gasto a ajudar e criar condições de vida dignas de vida para os imigrantes. e porque o conheço tão bem, sei que não beneficiou com isso 1 euro.

talvez se necessitasse de um emprego para pagar a renda não pudesse fazer o que faz. é o unico "artista" que de facto tem uma obra feita, desde distribuição de alimentos até cursos de formação em muitas áreas, até distribuição de fogos a gente carenciada, de tudo passou por ali, por aquela casa.
hoje, apesar de a sede ja não ser lá, entras e é uma casa do mais simples que ha. o exlusivamente necessario e nada mais.

todos usassem esse beneficio tão bem como ele.