10 setembro 2008

Vergonha, nunca tiveram. Os ideais, alugaram a juros pornográficos.


a propósito do ataque de fúria do Anarca... por causa desta notícia, é claro que uma pessoa com síndrome de down neste país, ou tem família com dinheiro para lhe proporcionar uma vida digna, ou está entregue aos cães......qual é a dúvida? ou a ilusão?....
É claro que ninguém vai pagar "ensinos especiais"...para quê? Então não dizem os pedagogos e os pedo-psicólogos "as crianças devem ser integradas com as normais", claro!... desde que se prepararem os normais para lidar com os deficientes e os deficientes para "levar"com os normais. O que é uma criança com Down abandonada numa das nossas fantásticas escolas públicas em que vale tudo e até tirar olhos? Numa daquelas escolas maravilhosas em que os alunos batem nos professores? Numa daquelas escolas simpáticas em que os professores estão quando estão e o único vigilante está se não lhe der uma dor de cabeça que o arrume com um mês ou dois de baixa? Em que toda a gente está preocupada com imensas coisas menos com os miúdos?
Ahhh, mas a integração é uma coisa tão linda.... diz a boa prática pedagógica que se deve promover a adaptação das diferenças individuais dentro das escolas do ensino regular...ou seja, que o Estado deve promover o desenvolvimento global a alunos portadores de deficiências que necessitam de atendimento especializado respeitando as diferenças individuais, de modo a assegurar-lhes o pleno exercício dos direitos básicos de cidadão e efectiva integração social. Ora esta boa prática pedagógica, requer metodologias, procedimentos pedagógicos, materiais e equipamentos adaptados. Parece-me. E pelos vistos, parece também aos pais. E às pessoas que escrevem sobre o assunto. Mas é só. Porque quem depois toma decisões, tem esta merda desta tendência para só ler a primeira frase: que se deve promover a adaptação das diferenças individuais dentro das escolas do ensino regular...e ficam satisfeitíssimos com a descoberta.

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De qualquer maneira......aquela parte de

estruturar o auto-conhecimento, desenvolver a compreensão da realidade, desenvolver a capacidade de expressão, o desenvolvimento físico, aquisição de hábitos de bom relacionamento e cooperação, aquisição de destreza com materiais de uso diário, a estimulação da auto-confiança nas actividades do dia a dia, a familiarização com recursos da comunidade onde vive, o conhecimento e aplicação regras básicas de segurança física, o desenvolver interesses, habilidades e destrezas que o oriente em actividades profissionais futuras, o desenvolvimento da leitura e interpretação de textos, etc, etc....ADAPTADOS a criança com deficiência, servem pra quê num país onde a máxima ambição de um jovem de classe média (os de classe alta e baixa já nem ilusões têm) é vir a participar nos morangos com açúcar e o máximo que consegue, com sorte, é ser operador de call center? Deixem lá o miúdo pá...pode ser que os colegas mais atrevidos lhe acabem com a vontade de ir à escola. E com o sofrimento.

10 comentários:

O QUATORZE disse...

Boa tarde
Efectivamente não se encontram condições dignas para essas pessoas, de aalgum modo diferentes, deviam procurar aplicar formas de entender as necessidades de cada um e orienta-los por sectores, dos quais escolheriam os mais indicados para cada um deles.
Amizade
LUIS

Rosalina disse...

Então não dizem os pedagogos e os pedo-psicólogos "as crianças devem ser integradas com as normais"...

Não, minha cara, e uma vez mais completamente errada no que respeita matérias que tenham a ver com educação. Quem diz isso é a nova Lei sobre o ensino especial. A tal que há meses tinhas dúvidas em achar que estivesse a ser feita com esta intenção.

Até à chegada desta nova lei, o Daniel frequentava uma instituição onde lhe era dado o apoio e atenção necessárias. Mas frequentava-a, porque a mãe tinha apoio financeiro por parte do Ministério. Agora deixou de ter, porque a nova Lei, e não os pedagogos, assim o exigem. E a mãe não tem dinheiro.

Cristina disse...

ola Rosalina, ainda bem que resolveste sair finalmente do buraco para me dizer que "mais uma vez estou completamente errada". muitissimo obrigada, foste muito gentil :)

de qualquer modo, respondendo à tua simpatia..

Com o objetivo de caracterizar a percepção de educadores sobre a inclusão escolar de crianças com Síndrome de Down, Martins (1999) realizou uma pesquisa em nove escolas regulares, cinco governamentais e quatro particulares, da cidade de Natal. Os resultados possibilitaram constatar que a inclusão de alunos com a síndrome foi percebida como construtiva para o desenvolvimento de professores e para os outros alunos. A convivência com colegas com Síndrome de Down proporcionou maior grau de interação na turma, a construção de vínculos afetivos e a diminuição de preconceitos e estereótipos em relação aos colegas com a síndrome. O conhecimento das conseqüências da interação entre alunos com necessidades especiais e seus colegas de turma pode influenciar a diminuição de julgamentos com base em concepções discriminatórias e preconceituosas e, dessa forma, contribuir para o estabelecimento de políticas públicas de inclusão social.

Revista Brasileira de Educação Especial
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-65382008000100007&lng=es&nrm=iso&tlng=es
.



Ao longo da sua obra, Lou Brown especifica que os conteúdos dos programas educativos não se
devem basear nos diferentes grupos de alunos, separados por diferentes níveis de QI ou por
diferentes tipos de deficiências (autistas, com paralisia cerebral, com Sindroma de Down, etc.) mas
1 What regular educators should know about students with severe intellectual disabilities.(1989) In Schooling and
Disabilities, 88th Year Book Part III, Chicago National Society for the Study of Education.
considerar todos os indivíduos que se colocam entre 1% a 2% menos capazes nas características
individuais e na forma única como estas se inter-relacionam e conjugam,
3. Conceitos em que se baseia a perspectiva educativa funcional
preconizada por Lou Brown
Lou Brown baseia toda a sua obra nos seguintes princípios fundamentais:
3.1. Os objectivos globais da educação pública são idênticos para todos alunos, independentemente
do nível das suas capacidades intelectuais: espera-se que todos atinjam o máximo das suas
potencialidades, que se tornem membros produtivos da sociedade, que promovam a sua cultura e os
seus valores morais, que se tornam cidadãos responsáveis, etc.…
Quando se trata de alunos com deficiência intelectual acentuada, estes objectivos traduzem-se em
conseguir que possam vir a ter uma vida com qualidade, funcionando da forma mais autónoma e
integrada que for possível.
Ou seja:
que vivam num ambiente familiar - e não uma instituição
que frequentem, enquanto crianças e jovens, uma escola da sua comunidade, com os seus
irmãos e vizinhos - e não uma escola especial, na maior parte dos casos, distante
que convivam com pessoas sem deficiência - e não unicamente com pessoas com deficiência
que usufruam dos recursos da comunidade - e não estejam confinados a espaços limitados e
segregados
que participem em actividades normais de recreação/lazer - e não exclusivamente em
programas recreativos especiais
que tomem decisões sobre a sua vida - e não sejam totalmente controlado pelos outros.
e, quando adultos, que trabalhem em serviços da comunidade e sejam pagos pelo seu
trabalho - e não permaneçam inactivos ou estejam ocupados em centros destinados
exclusivamente à população com deficiência.
3.2. Os alunos com deficiência intelectual acentuada devem frequentar as escolas regulares da
sua área, para onde vão os seus irmãos, os seus amigos e os seus vizinhos e não para escolas
especiais ou para escolas ditas “de referência”. como núcleos especiais para este tipo de alunos.
Este princípio é justificado por quatro ordens de razões:
• Contribui para uma sociedade solidária e plural
A integração destes alunos nas escolas regulares irá permitir que grande percentagem da
população escolar conviva come eles na escola o que irá ter um impacto na forma como, ao
longo da sua vida, irão encarar as pessoas com deficiência e irão estar abertos e contribuir para a
sua inserção social e laboral.
• Promove a utilização da sua comunidade como ambiente educativo
A frequência das escolas da área de residência facilita a utilização dos serviços da sua
comunidade nos programas educativos, os quais constituem meios fundamentais na sua
aprendizagem, dadas as dificuldades de generalização e de transferência que o caracteriza estes
alunos. .
• Facilita o acesso ao seu meio familiar
Considerando a importância fulcral da relação entre a escola e a família na educação destes
alunos, verifica-se que a frequência da escola regular da área de residência contribui para esta
aproximação e para os benefícios que daí podem advir, quer para a intervenção familiar quer
escolar.
• Proporciona o desenvolvimento de relações sociais com os colegas não deficientes
Sendo indiscutível a dificuldade destes alunos criarem relações próximas e de amizade com
colegas não deficientes, o que contribui para as condições de isolamento e segregação com que
muitos se deparam, verifica-se que a sua frequência de escolas regulares, desde que os
educadores desenvolvam uma intervenção adequada e sistemática, constitui o meio mais
adequado para se encarar tais dificuldades.....
Currículo Funcional no
Contexto da Educação Inclusiva
Ana Maria Bénard da Costa

http://redeinclusao.web.ua.pt/files/fl_46.pdf



e já agora, deixo-te a chave do problema, encontrado num link muito interessante.

ATITUDE DOS PROFESSORES EM RELAÇÃO À INTEGRAÇÃO/INCLUSÃO
UMA REVISÃO SOBRE VÁRIOS ESTUDOS
ALGUMAS CONCLUSÕES / HIPOTESES EMERGENTES DA REVISÃO DE ARTIGOS

A síntese de pesquisa apresentada anteriormente revela que os professores, apesar de positivos face à filosofia da educação inclusiva, não partilham a ideia de uma “inclusão total” como forma de se aproximar do esquema de educação. Antes pelo contrário eles defendem ideias diferentes sobre as mudanças escolares, baseadas principalmente na natureza das incapacidades dos estudantes. Os professores estão mais interessados em incluir alunos com deficiências ligeiras ou com incapacidades físicas ou sensoriais do que alunos com deficiências graves. Há muitos aspectos evidentes que nos podem levar a sugerir que em casos de deficiências graves de aprendizagem e dificuldades comportamentais os professores demonstram ter algumas reticências graves face à implementação da inclusão. Dadas estas evidências tanto a nível nacional como a nível temporal os governos ao desejarem promover uma educação inclusiva têm pela frente uma tarefa muito dura. Consequentemente parece imperativo que o processo seja cuidadosamente planeado e bem apoiado com vista a que as desconfianças e reservas dos professores sejam ultrapassadas. Tudo isto requer, por seu lado, uma analise cuidadosa dos recursos existentes baseado na severidades das necessidades apresentadas pelas exigências da inclusão.
Outra conclusão é que a evidência relacionada com as variáveis dos professores são inconsistentes e nenhum deles isolado pode ser encarado como um forte indicador das atitudes educacionais. Por outro lado há consistência suficiente relacionada com as variáveis do ambiente educacional que nos sugerem que uma reestruturação no ambiente das escolas tradicionais deveria ser levado a cabo antes que os estudantes com incapacidades consideráveis sejam incluídos. Mais uma vez parece-me razoável concluir que com a aquisição de mais fontes e apoios as atitudes dos professores talvez pudessem ser mais positivas. A primeira implicação para a prática é o estabelecimento de sistemas de apoio externos apropriados ( e a expansão e reorganização dos já existentes) que operem em todas as escolas e a criação de equipas de apoio de ensino capazes de apoiar professores que necessitem de ajuda relacionado com necessidades especiais de educação.
Mais ainda, a criação de oportunidades extensivas de treino no pré e nos próprios níveis de serviço deveria ser visto como uma prioridade para os políticos. O problema aqui é que se os professores recebem assistência na gestão das capacidades de implementação de algo tão inovador como a “inclusão” eles tornar-se-ão mais comprometidos com as mudanças ao mesmo tempo que os seus esforços e capacidades aumentam. A este respeito podemos concluir que enquanto os professores mostrarem resistência a qualquer politica inovadora as suas atitudes poderão ser mais positivas no futuro à medida que desenvolvem as capacidades necessárias para implementar a medida e sentirem o sucesso dos seus esforços. Esta hipótese também emergiram de um estudo Australiano (Harvey 1990) que comparou as atitudes de um grupo de professores, de Victória, Austrália, no ano de 1984 sendo que alguns estavam em estagio e outros não e as suas respostas 6 anos depois. Em 1990 os grupos de professores exprimiram respostas mais positivas do que os seus companheiros em 1984. Além do mais o grupo de professores em 1984 eram mais negativistas do que os seus companheiros não estagiários, esta diferença desapareceu em 1990. O autor conclui que seis anos após a experiência, as atitudes dos professores face a uma politica de integração era muito mais positiva. Esta evidencia mostra-nos a necessidade de se adoptar uma aproximação gradual na implementação da inclusão e para que esta reorganização tenha sucesso é necessário existir um plano cuidado bem como uma boa monitorização e revisão do mesmo. Contudo, tal como já foi referido anteriormente, não existem estudos que comprovem a passagem a uma atitude mais positiva face à inclusão e que chegue mesmo a uma total aceitação da mesma.

http://www.sei-online.net/consultorio/artigos/inclusao_integracao.htm


beijinhos e "mais uma vez", obrigada pela simpatica colaboração.

Cristina disse...

Luis

ahhh, pois, se quem está no terreno está preparado ou não, é poco relevante...

Rosalina disse...

Afinal, Cristina, o que te levou à indignação do título deste post?

O facto de haver quem estude a inclusão ou o facto de uma pessoa com síndrome de down neste país, ou tem família com dinheiro para lhe proporcionar uma vida digna, ou está entregue aos cães......qual é a dúvida? ou a ilusão?....?

É que a tua resposta ao meu comentário não explica.

A indignação que provoca este post resulta do facto de um jovem ter de frequentar uma escola regular, já que lhe foi retirado o apoio financeiro, pelo Governo, para frequentar uma instituição que respondesse às suas dificuldades.

Pelo menos essa foi a minha leitura do texto.

Cristina disse...

Rosalina

como afinal parece que é verdade que os pedagogos e os pedo-psicólogos dizem que "as crianças devem ser integradas com as normais" e não fruto da minha imaginação e conhecida ignorancia sobre o tema ensino, nem um dos um dos meus "completos erros" sobre o asssunto, e como
é rigorosamente verdade que "pessoa com síndrome de down neste país, ou tem família com dinheiro para lhe proporcionar uma vida digna, ou está entregue aos cães", daí o titulo do post.

mais directo e claro que isto, é impossivel.

Animal disse...

tendo em vista aquilo que vamos vivendo, acho que me sentiria mais tranquilo entregue aos cães do que aos cuidados do nosso governo... os cães ao menos sabem o que é lealdade.

mar disse...

Cristina, eu pouco perecbo do assunto, mas julgo haver vários graus no sindrome de down, e parece-me que nos casos menos graves o estarem numa escola dita "normal" com alunos ditos "normais" é benéfico oara a criança. Há no meu prédio um caso dessese q é um caso de sucesso.
Claro q isto depende mt da escola.

No caso do meu filho, no 1º ciclo andou numa escola publica e tinha na turma dele duas alunas surdas-mudas, e posso dizer q correu lindamente, oo outros alunos foram preparados, não houve gozos e afins. E o mais engraçado é q após pouco tempo a maior parte dos outros alunos já sabiam linguagem gestual..! posso dizer q foi lindo, e os outros miudos habituaram-se à diferença.

No 2º e 3º ciclo foi para o particular, tinha na turma um colega completamente cego!
Tb os alunos ditos normais foram preparados. E posso dizer q td coreu mt, mt bem.
Inclusive, no final do 9º ano fizeram uma viagem de finalistas a Barcelona, e fizeram questão de levar o colega invisual !! :)
Correu td lindamente.
E mais uma vez os miudos habituaram-se à diferença.


Agora qd o sindrome de down é profundo, não sei, não sou especialista.

Mas conheço caso de alunos autistas, integrados no 3ºciclo do ensino dito regular, e posso dizer q com sucesso.

Em todos estes caso q mencionei, havia.. houve.. ha, professores de retaguarda com formação especifica para as necessidades especiais em causa.

Bjs

mar

Anónimo disse...

Não concordo...
A integração de alunos com necessidades educativas especiais em turmas regulares é uma forma de sociabilizar essas crianças que normalmente resulta bem.
Trabalho com miúdos T21 e sei bem o que têm evoluido desde que estão integrados em turmas "ditas" normais...
A questão passa por a escola ter uma Unidade de Intervenção, ou seja, um espaço onde eles aprendem a transitar para a vida activa ( saber escrever o nome, fazer a cama, passar a ferro, cozinhar, fazer compras,usar o pc, jardinar...)e frequentarem ALGUMAS disciplinas com a turma ( aquelas que podem acompanhar).
É excelente para as duas partes.
Todos aprendem a conviver com a diferença e - mais importante - a respeitá-la...

Cristina disse...

anonimo...???

é claro que essa é a situação ideal, ninguem tem duvidas, além do governo, que é importantissimo que os normais aprendam a conviver com a diferença e os diferentes se integrem no mundo normal.

agora imagina um cidadão do cacém, que ganha 500 euros por mês, com um filho com S Down.

pois, é disso que estamos a falar..