30 setembro 2008

e a pergunta é: onde é que nós estavamos enquanto tudo isto acontecia?



João Miguel Tavares no DN [Jornalista - jmtavares@dn.pt]


Numa breve troca de mails, Baptista-Bastos negou-me ter tido qualquer comportamento "reprovável" e eu não tenho qualquer razão para pôr em causa a sua verticalidade. Mas também não tenho dúvidas de que ele jamais deveria ter recorrido à câmara para conseguir uma casa. O escritor Baptista-Bastos, que já tanto deu a Lisboa, podia ter direito a ser ajudado numa altura de dificuldade, como parece ter sido o caso. O jornalista Baptista-Bastos, não. Porque pediu um favor ao poder autárquico. Porque auferiu de um privilégio vedado ao cidadão comum. Que alguém que sempre foi tão moralmente exigente nos seus artigos de imprensa não perceba isto faz-me confusão. Quem, como ele, acredita na nobreza do jornalismo, tem de reconhecer uma cunha quando a vê. E, sobretudo, deve reconhecê-la quando a mete.

3 comentários:

Francis disse...

"O escritor Baptista-Bastos, que já tanto deu a Lisboa, podia ter direito a ser ajudado numa altura de dificuldade, como parece ter sido o caso. O jornalista Baptista-Bastos, não"

E como é que um gajo dá pela diferença ? Tira os óculos ? Tira o laço ?
Só por curiosidade.

Baidauei disse...

Eu é que precisava de uma renda de 30 euros por mês... ou então que nacionalizassem as minhas dívidas... Mas não me sai nada. E no euromilhões o melhor que consegui foi um numero. Irra que é preciso ter azar.

Fado Alexandrino disse...

Pior do que isto, é a explicação que o próprio hoje dá.
Com aquele ar de monárquico porque é que não aceita o conselho do Rei espanhol?