10 setembro 2008

"Não acrescente detalhes inúteis a um vestido. Não coloque uma flor simplesmente porque lhe apetece fazê-lo, mas para indicar o centro da cintura, o ponto final de um desenho."
Balenciaga









Porquê Balenciaga?? Porque li por aí que faz este ano 90 anos que "o costureiro" abriu o seu primeiro atelier na cidade de San Sebastian, em 1918.
Cristóbal Balenciaga Eisaguirre, nasceu na cidade de Guetaria, na região basca, em 1895, e era filho de um pescador e de uma costureira.
Em Guetaria, morava a marquesa da Casa Torrès, que foi a grande incentivadora do jovem Balenciaga na sua carreira como estilista. Os seus talentos revelaram-se bem cedo sendo que, aos 12 anos, desenhou pela primeira vez um vestido para a marquesa. A partir daí, começou a frequentar o atelier de um alfaiate madrileno, com quem aprendeu alfaiataria. Formou-se alfaiate, o que fez toda a diferença na sua postura no meio.
1918, abriu a sua primeira loja em San Sebastian e em seguida outras unidades em Madrid e Barcelona, onde atendia a família real e membros da corte do país.
Quando a Guerra civil espanhola começou, em 1936, o estilista viu-se obrigado a fechar suas lojas e fugir do país, passando por Londres antes de se estabelecer em França, país em que fez fama com a sua personalidade reservada, de poucas entrevistas e pouco contacto com a imprensa, fazendo um perfeito oposto do seu contemporâneo Christian Dior. Mas foi em Paris que Balenciaga marcou para sempre a história da moda.
Em 1937, Balenciaga abriu no número 10 da Avenida George V a Casa Balenciaga. Começou a ser conhecido como "o espanhol", que se fez notar, como disse atrás, pelas suas caracteristicas de formação. A experiência adquirida em alfaiataria permitia que o espanhol não só desenhasse os seus modelos, mas também os cortasse, armasse e costurasse, o que não é comum nos estilistas, que em geral apenas desenham as criações.
Foi elogiadíssimo por todos os seus pares como um ícone da perfeição na confecção. “A alta costura é como uma orquestra da qual apenas Balenciaga pode ser o maestro. Todo o resto de nós somos apenas músicos, seguindo as direções que ele nos dá”. A frase é de Christian Dior e demonstra como o espanhol era visto dentro do mundo da moda. Outra de suas concorrentes e contemporâneas, Coco Chanel, disse certa vez que o espanhol era “um verdadeiro costureiro, ele sim, sabia cortar tecidos e costurá-los com perfeição”. Todos os outros, incluindo ela própria, eram apenas desenhistas.
Era exímio e ambidestro no manejo das tesouras e das agulhas (quase um Eduardo mãos de tesoura...). O resultado foi um estilo único, caracterizado pela audácia de volumes e o rigor arquitetônico. Nas suas criações estão, entre outras modernidades, o vestido-saco, a saia balonada e o casaco com manga de quimono.


O trabalho de Balenciaga tinha como referência a cultura e a história espanholas.
Em 1939, lançou o corte de manga com a aplicação de um recorte quadrado e uma linha de ombros caídos, com cintura estreita e quadris arredondados. No ano seguinte, apresentou o seu primeiro vestidinho preto, com busto ajustado e quadris marcados por drapeados, além de abrigos impermeáveis em tecidos sintéticos. Os drapeados são uma constante e uma influencia clara de Espanha.
Em 1942, as jaquetas largas e as saias evasé compunham a chamada “linha tonneau”. As mangas-quimono surgiram em 1946. As coleções de 1947 e 1948 tiveram também inspiração espanhola, com elegantes vestidos e boleros de toureador para a noite.
Em 1949, fez casacos muito largos e, em 1950, vaporosos e retos, além do vestido-balão. Na década de 50, Balenciaga apresentou lã tingida de amarelo-vivo e cor-de-rosa.
Em 1955, criou o vestido-túnica e, em 1956, subiu as barras dos vestidos e casacos na frente, deixando-as mais compridas atrás, além do primeiro vestido-saco. Em 1957, apresentou o vestido-camisa. A linha “Império” foi criada em 1959 e veio com a cintura alta para os vestidos e os mantôs em forma de quimonos.
Durante os anos 60, Balenciaga criou casacos soltos, amplos, com mangas-morcego e, em 1965, apresentou os primeiros impermeáveis transparentes em material plástico. A sua última coleção foi lançada na primavera de 1968 - ano em que se aposentou e fechou sua maison - e mostrou jaquetas largas, saias mais curtas, vestidos-tubo e muitas cores.
Balenciaga era considerado purista e classicista. O seu estilo ainda é lembrado pelos grandes botões e pela grande gola afastada do pescoço, além de que, qualquer folho gigante, decote drapeado e largo, qualquer caimento sinuoso, evasé ou bolero ibérico que se veja nas passarelas deve alguma coisa a Balenciaga.
A sua personalidade pouco dada a multidões conferiu-lhe outra característica: as temporadas de desfiles sempre foram atração e prato cheio para as revistas de moda mas, Balenciaga arranjou uma forma diferente de lançar as coleções: sempre depois das maratonas oficiais de desfiles. Assim, em vez de dividir as páginas com os outros estilistas, ganhava espaços maiores e exclusivos em revistas como Vogue e Harper’s Bazaar. Acabava por só divifir as edições com o amigo francês Hubert de Givenchy, que resolveu fazer o mesmo.
Aposentou-se em 1968 e morreu, aos 77 anos, no dia 24 de março de 1972, em Javea, na costa espanhola do Mediterrâneo.
A grife acabou por cair no esquecimento por muitos anos. Primeiro, a casa foi controlada por um dos seus sobrinhos e depois trocou de mãos mais algumas vezes durante as décadas de 70 e 80 sem obter sucesso. Só em 1995, com a contratação do francês Nicolas Ghesquière, é que a Casa Balenciaga voltou a respirar o ar da alta costura e do topo do mundo da moda. Mas essa já é outra história...
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1 comentário:

Francis disse...

ouça lá, mas a menina não está de férias ?
vá lá apanhar solinho pró jardim, ou para o guincho, e deixe-se deste posts de 3.800 palavras...