20 setembro 2008

"cada mulher tem o direito a uma gravidez um parto e uma maternidade seguros"


Chamada de atenção do Publico

Unicef: complicações durante a gravidez ou no parto causam a morte a meio milhão de mulheres por ano.
Peter Salama, chefe do departamento de Saúde da UNICEF, que ontem apresentou o relatório Progressos para as Crianças: Um Balanço sobre Mortalidade Materna. Todos os anos, mais de meio milhão de mulheres perdem a vida em resultado de complicações na gravidez ou no parto, segundo esta organização.
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Sim, a mortalidade materna, isto é, aquela resultante de complicações directas e indirectas da gravidez, parto ou puerpério, é um bom indicador da saúde da mulher na população bem como do desempenho dos sistemas de atenção à saúde.
E sim,
Ainda há lugares onde, se a mulher tiver uma hemorragia pós-parto, se esvai em sangue até morrer.
Ainda há lugares -foi-me contado recentemente um episódio passado na Guiné-, onde, o facto de uma mulher não conseguir expulsar o feto por via vaginal se transforma numa agonia lancinante e silenciosa que acaba inevitavelmente na morte da mãe e do filho. Onde fazer uma cesariana está fora de questão se não houver dinheiro para a pagar a preço de ouro.
Ainda há lugares onde, por cada mulher que morre, 20 outras terão sequelas durante o resto da vida. Há lugares onde, rasgaduras de períneo, fistulas, ou qualquer tipo de lesão nos órgãos reprodutivos, culminam com frequência em infertilidade, doença inflamatória, dor pélvica crónicas, incontinência, prolapsos, etc, porque não há qualquer acompanhamento durante ou no pós parto. O sofrimento, será constante e definitivo.
[Cerca de 40% ou mais das mulheres grávidas – 50 milhões cada ano – apresentam morbilidades vinculadas à gestação, durante ou imediatamente após o parto. 15% sofrem sérias complicações, imediatas ou a longo prazo, como, por exemplo, prolapso uterino, fístula (abertura no canal do parto que permite que haja filtração da bexiga ou do recto para a vagina), doença inflamatória pélvica e infertilidade (Safe motherhood Initiative: 2003). ]
Há lugares, onde qualquer infecção grave durante ou depois do parto (septicémia), equivale a um atestado de óbito.
Sim, há lugares onde ficar grávida não é motivo imediato de felicidade nem garantia de que se vai sobreviver em condições razoáveis de saúde para acompanhar o crescimento de um filho. Não é sequer garantia de esse filho venha a nascer.
Um desses lugares, a liderar as estatísticas , é, por exemplo, a Índia: 22 % do total global, equivalente a 117 mil mortes das mulheres que morrem devido a complicações associadas à gravidez ou ao parto. Dezassete mil mulheres por ano. Na Índia, esse grande país emergente e promissor onde as mulheres, obviamente, não contam para as estatísticas do desenvolvimento.
Mas não é só. Os países da América Latina e do Caribe registam cada ano um nível "vergonhoso" de mais de 23 mil mulheres mortas por complicações durante a gravidez ou no parto, conforme advertiu a Organização Pan-Americana da Saúde (OPS) não há muito tempo, e, segundo a qual, "a maioria dessas mortes são evitáveis".
Nos países africanos ao sul do Sara, a mortalidade materna constitui um verdadeiro problema de saúde pública , indicou a UNICEF. No Senegal, por exemplo, a mortalidade ligada à gravidez e ao parto constitui a primeira causa de morte nas mulheres com idade de procriar. A probabilidade de uma rapariga de 15 anos de idade morrer por complicações decorrentes da gravidez e do parto durante a sua vida é mais elevada em África: 1 em 26. Nas regiões desenvolvidas, essa proporção é de 1 em 8000. Segundo os dados oficiais, o lugar mais perigoso do mundo para parir é o Níger, onde 1 em cada 7 mulheres morrerá durante a gravidez ou parto.
Em termos globais, o risco de morte materna ao longo da vida num país em desenvolvimento é de 1 em 80.
A questão não é nova, nem pontual, nem constitui mistério algum. O pior de tudo, é que sabemos exactamente como se resolve e o que é preciso fazer para que a uma gravidez corresponda uma mãe saudável e um filho saudável. Mas ficamos por aí.

6 comentários:

mar disse...

é uma triste realidade, onde os comentários são quase desnecessários......... Eu q tive q fazer uma cerclage, sei bem o q é uma gravidez de alto risco :(

bjs

Dinada disse...

Posso dizer Phodasse?

Eu, que sou mãe de 3, que tive partos de 20 minutos, abençoados, o 1º em Estocolmo (até TV tinha no quarto), os outros Em Sta Maria mas NADA a dizer...penso: Merda de MUNDO!!!

Cristina disse...

mar

pois é. e se vivesses na India, por exemplo, o mais provavel era ja não existires.

até pra ser cão é preciso ter sorte...

Cristina disse...

dinada

olá, bem vinda!

epá, eu fico completamente agoniada com isto. ja viste o que deve ser o desespero de alguem que está a parir, a criança não sair, com dores de morrer, e perceber que vai morrer ela e o filho??

até dá nauseas, dasseee..

dalloway disse...

A Cristina aconselhou no post de cima (devemos sempre ouvir os conselhos da xotora) então senti a loucura dos delírios selvagens, enlouqueci, soltei as correntes, saltei muros e mergulhei...
Posto isto dificilmente terei palavras para comentar este post!

mar disse...

pior do q eu não existir, seria a criança não ter nascido, ou a ter nascido não ser são e perfeito.

mas se ha alguem q sabe o q é uma gravidez de alto risco, esse alguem sou eu...


bjs e boa semana