08 agosto 2008

dou-me de presente todas as ideias


Pá, Só é pena que estes debates sobre o papel do "estado" ou pelo menus dos snipers no assalto donte ao banco, como refere o Anarca, sejam lançados nos termos patéticos em que o João Miranda os lança, ou seja, na base dos coitadinhos dos bandidos que também são seres humanos e o Estado assassino e violento anda aqui a matar gente de forma fria, pensada e calculista. É que assim, a única coisa que me ocorre é que como diz a polícia, a eficácia foi total, ainda bem que não houve tiroteio nem batalhas campais nem vitimas inocentes, como parece que o professor Miranda queria para que se justificasse a acção dos snipers. E mais: quando for na próxima vez ao balcão do meu banco, vou muito mais confiante sabendo que eles existem e que se um ladrão sequestrador bandido e potencial assassino me ameaçar tem grandes possibilidades de ser abatido antes de me abater a mim. E ainda fico mais contente por ele saber disso.

E prontos. Tenho dito.

28 comentários:

Anónimo disse...

Sempre actual, muito bem! Completamente de acordo. Pena não haver mais snipers para uma série de situações...Para os tipos que violam crianças, por exemplo, um "sniper" de navalha...

Tino.

Animal disse...

herege! a mão invisivel vai-te castigar!

Brancaleone disse...

Olha, lá pelos anos 78 eu pertencia ao Exército Brasileiro (literalmente pertencia) e servia no UTP - Unidade de Tiro de Precisão. Modéstia à parte era ( e ainda sou) bom com uma carabina e sei o valor, a eficiência e a limpeza dum tiro bem dado no alvo certo.
Na II Guerra, Snipers americanos recebiam ordens para abaterem apenas de tenentes para cima. Chegou-se ao absurdo de faltarem tenentes no front, ainda mais que atiradores russos faziam a mesma coisa...
No Vietnam em alguma regiões, era proibido aos soldados americanos fazerem continências aos oficiais quando em campo aberto. O oficial que recebia a continência era imediatamente transformado em alvo pelos "Charlies"...
Parabéns aos snipers lusos.
Estão muito melhores que os cá do Brasil

Fado Alexandrino disse...

Muito bom post.
Certeiro como o tiro do sniper.
Agora acho que João Miranda tentou levar o assunto para uma discussão filosófica pertinente, digo eu.
Só que quando ele diz “Existem por isso boas razões para que o uso de snipers no mínimo seja escrutinada por autoridades independentes.”, já estou a ver a nomeação de uma rigorosa comissão de pré-inquérito ao futuro e hipotético tiro.
Atendendo ao que sabemos, era capaz de não funcionar, ou até, pior que tudo, ser inconstitucional, mas isto não tenho a certeza porque ainda não consegui falar com o Dr. Miranda.

Cristina disse...

Tino

a questão, e de que as pessoas se esquecem, é que se acontecer com um dos nossos, se o Sr Miranda tivesse um filho naquela situação, se certeza que exigia um sniper o mais rapido possivel. e se tivesse um filho raptado e violado, se calhar até era a favor da pena de morte..

não sou a favor da pena de morte que ja alguem comparou a este caso. não tem rigorosamente nada a ver. isto é uma situação de tensão em que estão em causa vidas. e se queres saber, não me causa impressão nenhuma ver um potencial assassino morto.

Cristina disse...

animal

que castigue. doucement..

Cristina disse...

brancaleone

ora aí está. não há nada como perceber o que está em causa.

acho graça a estes meninos da mamã...só não gostava de os ver em situação de perigo porque é um espectaculo confrangedor ver um gajo borrar-se todo.

Cristina disse...

fado

isso é mesmo de copinho de leite a querer ser homem...:D coitadinho..

Carlos S. Matos disse...

Notável!
Eis como, em três palavras, se deita por terra a fanfarronice do Miranda.
Parabéns!

Álex disse...

tentaram op diálogo, não deu... foram eficazes e eficientes. Para a próxima talvez pensem antes depois deste óptimo exemplo

Hipatia disse...

O que me irrita a mim é o tanto de faladura a que este caso deu origem. Morrer gente nunca é desfecho para festas, mas num caso deste género é bom saber que temos gente capaz de apontar e acertar no alvo. Ontem, aqueles desgraçados do BES, amanhã qualquer um de nós. E irrita-me mais ainda a suspeita que não me larga de que esses, agora tão prontos a deitarem faladura néscia, seriam os primeiros a salivarem quase contentes se os atiradores da polícia tivessem falhado. Aliás, não te parece, Cristina, que os posts que pariram foram assim quase como a alternativa aos que já estavam escritos, a dizerem mal de tudo e todos porque tinha acontecido a grande desgraça de morrer gente inocente?

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Excelente texto.

maria disse...

Completamente de acordo, Cristina.
O pior é que já se vislumbra nos telejornais um movimento de comiseração pelos assaltantes, coitadinhos, tão bons rapazes! Pronto, assaltaram um banco e fizeram reféns, mas isso é um pormenor sem importância!

Cristina disse...

carlos

eu tenho pena que esta gente não esteja um dia cara-a-cara com um assassino disposto a limpar-lhes o cebo. juro.

já uma vez aqui disse que a grande dissuasão em relação ao crime não são as penas posteriores, é a consciencia de que vai ser dificil executa-los.

esta cena, não tenho duvidas, evitou muitas outras. mais que a prespectiva de ser julgado.

Cristina disse...

alex

é evidente. noutro país fariam a mesma coisa sem dramas nenhuns. aqui, enfim, a maioria percebeu que há situações extremas. esta é uma delas.

Cristina disse...

hipatia

é que nem duvides. mas isto é aquele grupinho que vive a vidita espumando pela boca. fazer o quê?

Cristina disse...

sofia

obrigada, mas é mais um desabafo que um texto...lol

beijos

Cristina disse...

maria

somos uns tristes. é o que faz ter um país sem criminalidade a sério. talvez um estágio no Brasil, no Rio de Janeiro, lhes fizesse bem. lá, deve haver muuuuito pouca gente a falar assim...lá terão as suas razões..

e-ko disse...

não sabemos ao certo o que foi determinante para que a decisão de atirar a matar fosse tomada pelo director da polícia em causa depois de ter obtido a autorização do ministro. pairam alguns questionamentos...

a operação acabou não tão bem quanto seria desejável, com tiros mal coordenados que poderiam ter tido consequências desastrosas, mas, afinal, também os larápios não se caracterizam por um grande profissionalismo... talvez que os assaltantes não limpassem o sebo dos reféns, mas, quem sabe? só dúvidas!

a questão que JM levanta tem, no absoluto, razão de ser... e uma formação rigorosa nestas questões é o mínimo exigível para as polícias no geral. não se trata de decapitar as altas patentes do exército inimigo, embora que progressivamente avancemos para uma guerra civil surda... mesmo os criminosos têm direito a redimir-se depois de julgamento. a nossa constituição não prevê ainda a pena de morte.

beijos piquena

Susana disse...

Uma morte não deve ser nunca motivo de celebração - a polícia tem a obrigação moral de ser reger por valores mais elevados.
Acredito que talvez não houvesse outra solução para este caso, mas o desfecho está longe de ter sido o ideal. Preocupa-me saber que a polícia considera esta uma operação de excelência - isso significa que não vai lutar por melhorar o seu desempenho no futuro.
Como sempre em Portugal, os nossos padrões de exigência são mínimos. Enquanto dos males conseguimos o menor, estamos todos satisfeitos.

anchorite disse...

A verdadeira questão não é "coitadinhos doa assaltantes, polícia calculista etc...", as coisas poderiam ter acabado melhor mas a verdade é que tudo se desenrolou para estes desfecho.
A verdadeira questão não é "polícia eficaz e resolveu tudo bem, o ladrões vão pensar duas vezes, etc", porque tenho dúvidas que esta acção tenha realmente um real efeito dissuasor. Além disso, e ao ver uma retrospectiva na SIC sobre o vários acontecimentos do tipo nos últimos que, sejamos honestos, terminaram todos melhor que este, nunca me lembro de ver ninguém a aplaudir as autoridades pela maneira como resolveu o problema.

A verdadeira questão não é terem sido brasileiros, este tipo de actos não tem nacionalidade.

A verdadeira questão é a sede de sangue, o júbilo com que as pessoas reagiram ao tiro do snipper. Sejamos honestos, na verdade tudo isto foi um "show da vida real", e o grande problema é mesmo esse...

pedro oliveira disse...

«a questão, e de que as pessoas se esquecem, é que se acontecer com um dos nossos, se o Sr Miranda tivesse um filho naquela situação, se certeza que exigia um sniper o mais rapido possivel. e se tivesse um filho raptado e violado, se calhar até era a favor da pena de morte..»

Cristina, a questão é, precisamente, essa.
Eles eram brasucas não eram dos nossos.
Vamos supor (mero exercício intelectual) que «os sequestradores» eram os filhos da Dra. Leonor Beleza e do Dr. Santana Lopes (apenas para referir dois jovens que segundo os jornais têm ou tiveram problemas com a justiça) será que a polícia agiria do mesmo modo?

Cristina disse...

susana

não é a morte que é motivo de celebração, é a resolução do problema, que caso não esteja lembrada, ameaçava a vida de inocentes.e para isso, na minha opinião NÃO DEVE haver contemplações. foi resolvido com eficiencia e sem atingimento desses inocentes, isso para mim é que conta. houve mortes? paciencia, foram os bandidos, menos mau. temos pena..

Cristina disse...

anchorite

1º coisa, nunca aqui foi escrita por mim a palavra brasileiros. quanto a isso, arrumado.

2º coisa, esta nossa ingenuidade é fantastica...ao fim de 8 horas de conversações, é óbvio,porque é fisiologicamente previsivel, o stress aumenta e por isso a probabilidade de a situação fugir do controlo. a policia corria o risco de ultrapassar o tempo útil.

3º ja que fala em brasileiros, se fosse no brasil, a policia tinha entrado por ali dentro e nem conversações havia. só que eles pensaram que cá, como a policia é frouxa e temos imensos problemas em ver um bandido morto, isso nunca acontecia.. enganaram-se e ainda bem.

4º se outros casos terminaram melhor que este, isso PROVA QUE A POLICIA SABE NEGOCIAR. se com este não aconteceu, foi porque não foi possivel.

5º não me escandaliza nada ver um bandido morto. só para deixar tudo bem claro. escandalizar-me -ia muito mais ver um inocente morto.
mais: se isso acontecesse a policia era cilindrada, por isso...prefiro de longe essas criticas.

Cristina disse...

pedro oliveira

a resposta que lhe posso dar é esta: quero acreditar que sim, que se fosse filho da "Dra. Leonor Beleza e do Dr. Santana Lopes" o procedimento fosse o mesmo.. como quero acreditar que ao responder por qualquer crime, a pena seja a mesma. como lhe posso dizer que, ao olhar para aquelas criaturas não me interessa de quem são filhos nem de onde vieram. estão a praticar um crime e a ameaçar a vida de inocentes. isso para mim é uma situação de gravidade tal que justifica a ordem que foi dada.

no meio de tanta conversa, parece que estamos a falar de meninos mal comportados que foram abatidos, por favor!! 2 homens, com armas apontadas à cabeça de duas pessoas que estavam a cumprir o seu dia de trabalho, inocentes, com filhos menores em casa. ha que ter contemplações? quem são os criminosos aqui? está tudo doido???

pedro oliveira disse...

«houve mortes? paciencia, foram os bandidos, menos mau. temos pena...»

Desta vez foi um bandido com 11 anos, temos pena.

Cristina disse...

Pedro

está a tentar dizer-me que os pais devem estar à-vontade para levarem os filhos de 11 anos para um assalto, é isso??

por favor...a insanidade tem limites..

Anónimo disse...

Faço minhas as tuas palavras...

Xana