02 julho 2008

ora comme d'habitude,


da intervenção da ministra da saúde no parlamento realça-se uma frase-espectáculo: que a ministra "não ia a um hospital privado em caso de acidente grave"....que espanto...nem ela nem ninguém! até porque provavelmente nenhum hospital 100% privado recebia um acidente grave.

Mas, adiante.
Muito mais importante, "Ana Jorge referiu-se, ainda, às irregularidades detectadas pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde nas salas de parto privadas." Ora aí está o motivo pelo qual temos na privada uma % verdadeiramente escandalosa de cesarianas: medo (como já aqui uma vez escrevi). "até ao final do ano a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde irá avaliar o cumprimento das indicações e serão tomadas as medidas correspondentes". Ainda bem.
Outro problema:
o SNS também tem de ter bons profissionais, "parâmetros de qualidade" e a capacidade de incentivar e dar ânimo aos profissionais para desenvolver a sua actividade e a investigação.A ministra tinha já anunciado hoje – durante a apresentação do Relatório Primavera 2008, do Observatório Português dos Sistemas de Saúde, que alerta para a saída de muitos profissionais para o sector privado – que o governo pretende aumentar o número de médicos no sector público da Saúde através da abertura de mais vagas nas universidades.
Segundo o relatório “daqui a poucos anos não haverá recursos humanos para manter o serviço público de saúde” pois verifica-se “falta de atenção pelos profissionais”. Além disso, os autores do documento adiantam que "não são de certeza as formas contratuais que pouco a pouco se vão instalando nos hospitais públicos que vão criar condições para a fixação de profissionais necessários ao serviço público".
Ora vamos lá ver.....não serve de muito aumentar o numero de médicos formados, se se acabaram com os vínculos definitivos e as carreiras médicas nos serviços públicos.... Até podem, mas, a partir daí velem as leis do mercado, claro. Ou seja: se o meu hospital oferece um contrato sem termo com boas condições, ordenado superior ao que se pratica no público, progressão numa carreira interna, e regime de incentivos, digam-me lá o que é que eu vou fazer para o Estado? Aceitar um contrato miserável ou trabalhar a recibo verde?? E depois admiram-se que a malta que acaba a especialidade se comece já a encaixar nos hospitais privados? espanto, só porque pensar não tem sido o forte de que gere hospitais no sector público.....eu espero bem que "se vão criando condições para a fixação de profissionais necessários ao serviço público", como disse a ministra, porque correm o real risco de daqui a uns anos não terem quem lá trabalhe. E não é por culpa da Universidades....é por incompetência, mesmo.

11 comentários:

Pézinhos N' Areia disse...

ahahahahahahahahah .....

http://www.youtube.com/watch?v=BH8ADuPrmOw


Saudações sportinguistas...

:-)))))

Fado Alexandrino disse...

Não há nada mais mais explicado do que os problemas da saúde em Portugal.
Era útil que os ministros tivessem todos uma laringete daquelas grandes.
Ainda outro dia num blog tentei explicar a um senhor que queria em Loulé um hospital igual ao de Faro ou em Faro um estádio igual ao de Loulé que nada disto serviria porque nem um nem outro estão equipados para aquilo que foram feitos.
Não consegui.

Animal disse...

se não houver médicos no serviço público, não há azar: importam-se alguns da Ucrânia, que até são baratos e submissos.

e isso só até que se instalem máquinas de diagnóstico nas triagens: com o CID-10 (e o DSM, que também é preciso dar vazão aos Lorenins e Prozacs) na memória, o doente entra por uma porta e sai pela outra com uma etiqueta e um código de barras e segue para o processamento. ou directo para a morgue, se o tratamento para o que foi diagnosticado for muito caro.

Ana Cristina Corrêa Mendes disse...

É tão fácil fazer serviço social à custa do trabalho de outros, as seguradoras e os governos devem ter estudado pela mesma cartilha. Mesmo assim prefiro as seguradoras.

Ana Cristina

Sofia Loureiro dos Santos disse...

Por incompetência de gestão dos hospitais públicos, os EPE em especial!

Cristina disse...

pezinhos


:))))))
beijinho

Cristina disse...

fado

o buraco da gestão da saúde é o desperdicio e a má utilização de meios na gestão publica. e quando não ha dinheiro, corta-se no pessoal mais caro. está bom de ver quais são as consequencias....

Cristina disse...

animal

o que irrita é que nós somos, leste bem, NOS, somos dos paises que mais gastam com a saude . o governo e o cidadão. consegues explicar porque é que vivemos sem dinheiro??

olha, eu, depois de 13 anos num hospital com gestão privada, percebo. o hospital dava lucro e nunca deixamos de tratar doente algum ou alguma vez nos puseram limites. mas, sentimos sempre que era preciso justificar o que se pedia e que tinhamos que ter alguma noção dos gastos. e mais: das diferenças de preços entre varios medicamentos para o mesmo efeito.

enquanto estive no estado tda a gente achava ofensivo falar em preços de medicamentos ou meios de diagnostico.....:/ como se isso não fizesse sentido. talvez porque ninguem estava para se incomodar...afinal o patrão não ia à falencia, de certeza.

a diferença é essa.

Cristina disse...

Ana Cristina

sim....entre o governo e as seguradoras, temos a certeza de melhor gestão das primeiras e a inevitabilidade de termos que viver com as segundas...

beijinhos

Cristina disse...

Sofia

isso mesmo. neste momento, por exemplo, não conheço no Estado, alguns contratos de jeito. e concursos, também não ouço falar. sendo assim....

Cristina disse...

Sofia

isso mesmo. neste momento, por exemplo, não conheço no Estado, alguns contratos de jeito. nomeadamente em relação ao nosso. e concursos, também não ouço falar.

sendo assim....queixam-se que os medicos abandonam os serviços publicos?? é de rir...

ainda ha dias uma colega da urgencia me disse que ia largar o serviço onde estava para fazer bancos. entre o contrato que lhe fizeram e os bancos prefere os segundos, vê lá como é que isto está.