05 junho 2008

eia, desde ontem, quantas novidades!


Sobre a guerra Clinton-Obama, está tudo n' O Biscoito Fino e a Massa , mas vale a pena deixar aqui este excerto...

Em novembro, os cidadãos norte-americanos vamos às urnas. Temos a chance de derrotar a mais desastrosa coalizão política da história dos EUA. A que mais danos fez à imagem e ao legado do país. A que mais rastros de sangue, mentiras, déficits e ilegalidades(...) Sabia-se que não haveria discurso de concessão de Hillary. Não é do estilo dela reconhecer que perdeu. Ao longo destas primárias, nem uma única vez Hillary Clinton felicitou Barack Obama por suas vitórias. Ao longo da campanha, nem uma única vez Barack Obama deixou de parabenizar Hillary por seus triunfos, incluindo-se aqui o de Dakota do Sul na noite passada. Nessa singela diferença, já fica nítido que separou as duas campanhas.
Mas ninguém esperava o patético e lamentável espetáculo que foi o discurso presenciado por algumas centenas de pessoas no porão de Baruch College, em Manhattan, lugar deliberadamente escolhido por não ter televisões nem possibilidade de sinal para celulares ou Blackberries, de tal forma que ninguém se inteirasse de que o mundo já havia reconhecido Barack Obama como o candidato do Partido Democrata. Para começar, o chefe de campanha Terry McAuliffe – como é possível que em algum país da América do Sul ainda exista gente inteligente acreditando ser feminista uma campanha dirigida por Terry McAuliffe? --
anuncia Hillary com a seguinte pergunta: Vocês estão prontos para a próxima presidente dos Estados Unidos? Sim, eles vivem no universo paralelo. No discurso de Hillary, nem uma única palavra de reconhecimento da vitória de Obama. Depois, a estranhíssima frase I won't be making any decisions tonight, como se houvesse alguma decisão a tomar. Para completar, a repetição patológica de que ela é a melhor candidata (tudo ao som de “Simply the Best” de Tina Turner) e a martelada esquizofrênica de que ela “teve mais votos” -- bizarra matemática à qual eles chegam excluindo os estados que usaram assembléias em vez de cédulas. E excluindo os estados que começam com I e com M. E excluindo os estados de três sílabas. E excluindo não sei mais qual estado no malabarismo de Mark Penn. É como se o Vasco, depois de ser derrotado pelo Flamengo na decisão estadual, decidisse comprar uma taça no armazém da esquina e desse a volta olímpica em torno de São Januário. É inacreditável.
Como sabem os leitores deste blog, eu acompanho política bem de perto. Acho que nunca disse desde quando. Pois bem, é desde a gloriosa campanha de Sandra Starling ao governo de Minas, pelo PT, em 1982, na qual cumpri algum papel, como sabe ela. Nunca, na minha vida, vi uma campanha tão sem classe, tão baixa. Até a manhã de ontem, eu era dos que ainda acreditavam ser possível uma chapa Obama / Hillary. A partir de ontem à noite, juntei-me às centenas de milhares de eleitores norte-americanos que já enviaram mensagens a Barack: Hillary, de jeito nenhum. É fundamental para a democracia americana que se acelere a decadência de um clã que não soube ajustar-se ao bonde da história. É uma dinastia responsável por dois mandatos presidenciais bastante bons (e, em comparação retrospectiva com os anos Bush, melhores ainda), mas que infelizmente não soube cair com dignidade. Chegaram ao final chamando jornalistas de "scumbag" (dou o prêmio para a tradução mais criativa do insulto) por matérias verídicas e recheadas de fontes. Meu amigo Pedro Dória, que é consideravelmente mais moderado, cauteloso e elegante que eu para expressar desgosto, não resistiu e disse: É incrível. Ela não larga o osso.
Pois agora vamos à luta contra os responsáveis pelo desastre que os EUA criaram para si e para o mundo nestes oito anos. Vamos, de preferência sem Clintons na cédula. A unidade do Partido Democrata se dará por outras vias. Não é digna da vice-presidência de Obama uma candidata que se recusa a reconhecer a derrota, pede a seus eleitores que mandem emails com sugestões sobre o que fazer e enviem contribuições para que ela saia do buraco financeiro em que se meteu, enquanto dá sinais de que está interessada na vice-presidência, mas também sinaliza que não a aceitará e que não admitirá que o cargo seja oferecido a outra mulher. Essa é a heroína feminista que não é apoiada por NOW, nem por NARAL, nem por MoveOn.org, mas que algumas sul-americanas mal informadas insistem em coroar como a herdeira da luta das mulheres dos anos 60. Nós, eleitores americanos democratas, poderíamos estar festejando unidos agora. Mas estamos muito ocupados decidindo qual é a melhor estratégia para evitar que esse clã vingativo e ressentido nos destrua. A tática agora é aquela que tenho certeza ser conhecida do meu amigo Marco Weissheimer: chega de articulação. Queremos bater chapa.
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Eu só gostava de saber se esta mulher teria coragem e a falta de vergonha na cara de fazer uma campanha conjunta com Obama, já que é notório que se está a empurrar para a vice-presidência, ajudando agora, depois de ter passado meses a dizer mal dele, a promover as qualidades do deputado para a disputa da presidência. Não sei com que cara, mas provavelmente teria. Eu bem disse há uns meses(lembram-se?) que uma mulher que engole aquela brutal humilhação publica do marido, ali, escancarada para o mundo inteiro, e que a seguir é capaz de aparecer aos beijos com ele nos palanques, tudo pelo poder, é capaz de tudo. Tudo.
Be careful obama. Primeiro, nunca um convertido: regra fundamental da politica. Segundo, nunca uma mulher ressabiada. Seria a combinação perfeita para acabar de vez com as ilusões....

10 comentários:

Anónimo disse...

A América e o Mundo, perderam a oportunidade de uma grande leader "estratégica" Hillary Clinton..
infelizmente, muito cedo, o tempo irá dar-me razão..

a Hillary teve a humildade de perdoar, ela tinha e tem tudo, difícil alguém ter tido a dignidade que ela teve (só mesmo os seres humanos com um H muito grande).

Doutora a outra é que engolia :-).. desculpa, não resisti :-)

Sei que mudou de casa (li aqui claro)..espero que tenha levado da outra o bom habito de ter deixado de fumar :-)

um abraço

intruso

MariaTuché disse...

Não tenho tido muito tempo para noticias mas ontem ouvi num noticiario da rádio que a Sra.Clinton não reconhece de todo a sua derrota...

Ressabiada é pouco eu acho mesmo que ala anda é a meter alguma coisa que lhe atrofiou o neurónio.

Caso isso venha a acontecer de Obama a convidar para Vice o mundo está mesmo perdido.

Beijossssssssss

Lola disse...

Cristina mais linda,

Tens razão ela já disse que vai apoiar Obama.

É tudo estranho, mas podem estar a dar votos ao candidato republicano, que se mantem tranquilo, low profile...à espera de vez.

Beijinhos

dalloway disse...

Mas a politica também é isto Cristina.

Cristina disse...

dalloway

belheque! :) de facto, ha coisas que eu não engoliria...;)

Cristina disse...

Intruso

aí é que eu não concordo contigo. não acho nada digno dominar o orgulho pelo poder. e pra mim é só disso que se trata. não engulo a muçher de maneira nenhuma. nunca, mas nunca confiaria nela. esta é daquelas que quando menos esperas nem sabes de onde é que caiu! e já ñunca mais te levantas. podes crer...

Cristina disse...

lola

até ja se ofereceu para vice de um presidente que ela acha que não era indicado. extraordinario, a cara de pau desta gente. "não larga o osso" MESMO!!

Anónimo disse...

Quem sou eu para te contradizer..

um beijo pela tua simpatia

intruso

Anónimo disse...

Cristina, eu sou sua admiradora mas não percebo este seu ódio pela Hillary Clinton. Pois eu, que sou mulher, gostaria muito que o país mais poderoso do mundo fosse governado por uma mulher, e penso que a Hillary Clinton estaria à altura do cargo. Não consigo ver nela esse demónio de saias cheio de ambição e sede de poder, que você vê. E mesmo que fosse, em quê é que os homens são diferentes? E o Barack Obama não é ambicioso, nem quer o poder? Sinceramente não percebo.Repito, tenho muita pena que ainda não seja desta que a América (mundo)não seja governado por uma mulher.

Uma velha feminista

Cristina disse...

feminista
eu nunca defendi nem defenderei uma mulher só por ser mulher. acho humilhante para qualquer uma. se de vez em quando "puxo" pelas mulheres é no sentido de que se valorizem e só. o resto são brincadeiras.
em relação a esta em particular, acho-a cinica, mau caracter e demasiado obcecada com o poder. é do genero que faria qualquer coisa. sério, não confiaria nela nunca e, a atitude dela durante a campanha tentando desvalorizar o adversario, os golpes baixos, mais:o lançar o barro à parede para se tornar vice logo que viu a causa perdida, ainda por cima vice de um presidente que ela não queria e não achava adequado, então, acho o fim da cara-de-pau. falta de vergonha na cara, mesmo. ela não engole o sair de cena. mesmo. detesto gente assim. homem, ou mulher. evidentemente.