02 junho 2008

« Rien n'est plus beau qu'un corps nu. Le plus beau vêtement qui puisse habiller une femme ce sont les bras de l'homme qu'elle aime. Mais, pour celles qui n'ont pas eu la chance de trouver ce bonheur, je suis . » YSL


Não está mais.
O mundo amanheceu hoje com uma noticia triste: Yves Saint Laurent morreu aos 71 anos.
YSL foi um dos desenhadores mais importantes do séc XX, considerado um dos últimos símbolos da geração que fez de Paris a capital mundial da moda, tal como Christian Dior ou Coco Chanel. Tinha anunciado a sua retirada em 2002 depois de passar à história como o primeiro criador de moda a expor o seu trabalho num museu, o Metropolitan de Nova York, que em 1983 dedicou uma mostra às suas criações. O museu de belas artes de Pekin também exibiu as suas obras, tal como o Museu da Moda de Paris.
YSL, que deu poder às mulheres, que ousou vesti-las com trajes masculinos, mudou para sempre a forma de vestir importando da alta costura um estilo mais adequado à vida contemporânea, de clara inspiração masculina, com modelos como o seu célebre Smoking feminino-"Le Smoking"-, os vestidos trapézio, em ruptura com as cinturas de vespa, ou a blusa de tul transparente, o seu contributo para a "revolução sexual".
As suas linhas dos anos sessenta destacaram-se pela adaptação do smoking para mulheres e a inovação do prêt-a-porter feminino. Inovações suas são também os corsários, as bermudas e o estilo safari. De 1970 é o Blazer e uns anos depois as tendências orientais e os desfiles étnicos. Lindos
A sua morte coincide precisamente com os 50 anos da sua famosa colección Trapèze...dizemos adeus a um ícone genial. Genial, é pouco para descrever Yves Saint Laurent, o estilista que deixou de herança para quem fica, nada menos que o prêt-à-porter. A mim, além de tudo o resto, deixou-me o perfume de sempre, o mais constante desde os meus 16, 17 anos: Paris.
O rei morreu, o legado reina e sempre reinará.
___________Do G1, o percurso
Aquele que seria chamado de o "Príncipe da moda", o perfeccionista, o criador de um estilo, chegou com 17 anos a Paris com os esboços de seus desenhos e um talento transbordante.
Um ano depois tornou-se herdeiro de Christian Dior e simplificou o seu nome, passando chamar-se Yves Saint Laurent, com o qual triunfou a partir de 1957, primeiro como director artístico da casa Dior, depois da morte de seu fundador, e mais tarde com sua própria maison.
Seu primeiro desfile, em 30 de Janeiro de 1958, fascinou os clientes e a imprensa, que caíram aos pés daquele jovem míope e tímido e de suas criações. Sua colecção "Trapézio" catapultou-o ao sucesso.
A partir de 1960 Yves Saint Laurent passou a sofrer muitas crises de depressão. Nessa época, a maison Dior decidiu substituí-lo por outro jovem, Marc Bohan.
Saint Laurent resolveu, então, lançar-se em voo solitário, com a ajuda de seu amigo Pierre Bergé. Juntos, o criador e administrador, construíram um império do luxo, que abrangeu da alta-costura e do prêt-à-porter aos perfumes.
Ficou conhecido então como o estilista que proporcionou uma nova liberdade às mulheres através de suas criações, especialmente o fato com calça comprida e o famoso "Le Smoking", apresentado pela primeira vez em 1966.
No início, depurou as peças do supérfluo e refugiou-se no negro até que, um dia, viajou a Marrakesh, de cujo colorido se embriagou até dominar os jogos de cores. Em algumas colecções, chegou a prestar homenagem a pintores de renome universal como Mondrian (1965), Picasso (1979), Matisse (1981) e Van Gogh (1988).
Em 1971, a sua colecção inspirada nos anos 40 foi um escândalo. A referência aos sombrios anos da guerra e da ocupação foi criticada por uma conhecida cronista americana. No entanto, o público gostou e acabou por se tornar num de seus maiores êxitos comerciais.
Nesse mesmo ano posou nu nos anúncios de seu perfume "Homme". Seis anos depois, lançou "Opium", outro escândalo, outro triunfo.
Mas o mestre, que se auto definia como "um provedor de sonhos e de beleza", vivia no desassossego, afastado do mundo. "Ele nasceu com uma depressão nervosa e congênita", comentou Bergé uma ocasião.
Yves Saint Laurent despediu-se do glamouroso mundo da moda em 7 de Janeiro passado com uma conferencia de imprensa colectiva, a única da sua carreira.
Disse então adeus à alta-costura com o orgulho de ter "sempre colocado acima de tudo o respeito em relação a esta profissão que não é de todo uma arte, mas necessita de um artista para existir". Na sua mensagem de despedida, declarou sem pudor que tinha "conhecido o medo e a terrível solidão, os falsos amigos que são os tranquilizantes e os entorpecestes, a prisão da depressão e das casas de repouso".
Confessou que, como Marcel Proust, pertencia à "magnífica e lamentável família dos nervosos que são o sal da terra".

5 comentários:

ines disse...

O "rei da moda" e o último da geraçãoque com Christian Dior e Coco Chanel, fez de Paris a capital da moda mundial!

e-ko disse...

oh... está ali um dos meus perfumes... Paris sera toujours Paris!

jinhos

e-ko disse...

oh... está ali um dos meus perfumes... Paris sera toujours Paris!

jinhos

dalloway disse...

Venham mais nervosos deste tipo que não me importo mesmo nada.

*obrigada pelo video

Álex disse...

tava a ver que ninguém comentava a morte do grande ISL! Foi grande sim, para mim o seu perfume é o polémico "Champagne"