20 junho 2008

achei


no Carta Bomba , um dos blogs sobre futebol do Último Segundo, uma mensagem para Robinho do Real Madrid. É sobre Robinho, mas poderia ser sobre muitos outros jogadores que chegam aos grandes clubes, particularmente os espanhóis. E trago-a aqui, porque traduz na perfeição o meu receio e o motivo porque acho que Ronaldo não devia ir para o Real Madrid. Ainda. Como dizia Dias Ferreira, ainda não está suficientemente amadurecido. Acho que o risco de se tornar num Robinho é ainda demasiado grande. Oxalá me engane..
Meu caro Robinho,
Circula por aí que você anda meio borocoxô por causa do Cristiano Ronaldo... Seu clube, o Real Madrid, quer abrir os cofres por causa do português e ainda existe a chance de você ser mandado para a Inglaterra, como um troco. Imagino como isso esteja doendo. Justo você, Robinho, que se acha o maior, de repente virar troco...
Afinal, Robinho, depois do drible famoso na partida com o Equador, você passou a atender ao telefone fazendo uma pergunta: “Quem é o melhor do mundo, quem?”. E sorria depois de as pessoas responderem “Robinho”. Ou torcia o nariz quando alguém respondia “Kaká”. Normal você se achar o melhor. Quem mais acharia?
Pena que o título de rei de futebol esteja apenas em seu espelho... Quer saber, Robinho? Aqui lhe escreve alguém que acha você foda! Um craque de verdade, que tinha tudo para passar o Ronaldinho Gaúcho quando chegou à Espanha (escrevi isso para o Diário Marca na época...)
Você joga muito. Mas deslumbrou... O personagem ficou maior que o jogador. A badalação do Real Madrid engoliu você.
Fico imaginando como deve ser dura esta eventual ruptura com o Real. Você se achava o máximo, no topo do mundo, camisa 10 do clube-show do futebol mundial. O rosto de um time mais acostumado às badalações do que às taças. Normal que neste contexto você tenha pegado mais gosto pelas badalações que pelas taças também. O Real treina só de manhã, ... À tarde é ganhar dinheiro com os tais “compromissos comerciais”. E viver a vida. Um vidão!
Mas de repente o clube quer trocá-lo pelo jogador que hoje é tudo aquilo o que você gostaria de ser...
Quer um conselho? Não faça biquinho. Vá para o Manchester feliz. Vá trabalhar com Sr. Alex Ferguson. Vá para um clube sério de verdade, ralar para voltar a ser o craque que você era no Santos. Você era bem melhor aqui no Brasil, Robinho, antes de virar um deslumbrado.
Boto fé no seu futebol, meu caro, de verdade. Alguém que jogou tudo aquilo de 2002 a 2005 tem mais que o direito de querer ser o maior do mundo: tem o dever. “Ah, mas era no Campeonato Brasileiro”, dirão alguns. Na média, o Brasileirão tem melhor nível que o Espanhol e você sabe bem disso.
Você pode ser o melhor do mundo, sim. Mas não no Real Madrid. Ele não fez bem para o seu futebol. Você regrediu. No Manchester, talvez o time mais ofensivo do mundo, você pode compor um trio sensacional com Tevez e Rooney (vai ter que ganhar a posição, pois chegará como reserva). É capaz até de fazer os ingleses esqueceram Cristiano Ronaldo. Aceite este desafio de peito aberto e com humildade. Faz bem para qualquer pessoa descer um degrau de vez em quando, ver que não é tudo aquilo que acha que é. Volte a sujar o calção, treine pra valer.
A Espanha é um país extraordinário para se viver, as espanholas são uma coisa e as baladas de Madrid, inigualáveis. Mas o futebol de verdade, veja o Felipão, hoje em dia está na Inglaterra. Vença lá. E será, enfim, o grande craque que você acha que já é.

3 comentários:

anrafel disse...

Essa carta tem tudo que qualquer pessoal queria dizer ao Robinho. Só que eu temo o seguinte: ele é do tipo que acha que o mundo gira à sua volta demais para se tocar.

E não joga nada há muito tempo, apesar do super-dimensionamento de uma outra jogada por parte da imprensa brasileira.

Cristina disse...

mas quando foi pra lá jogava, não jogava? chegou cedo demais...

Fado Alexandrino disse...

O desejo de Cristiano Ronaldo querer ir para o Real Madrid mereceu-me a melhor atenção e já escrevi um artigo no The Journal of Psychological Behavior .

Traduzindo o que lá expliquei é que o sujeito em questão deseja ainda que não de uma forma perceptível pelo mesmo o reconhecimento social.

Enquanto na cidade inglesa é medianamente aceite como futebolista não só devido a reticência britânica de achar que alguém estrangeiro coma melhor um pudding de um que um natovo mas também a não conseguir aspirar os agás, na movida madrilena ele não só vai ser aceite como tenho a certeza convidado por um dos trinta mil condes ou outro grau de nobreza que florescem lá.

E isto faz a diferença para qualquer um de nós quanto mais para uma criança que começa agora descobrir o mundo.

E portanto esta carta não vai fazer diferença nenhuma.
Aliás nem tem tempo para a ler.
Depois do livro que publicou, sei de fonte segura (Cláudio Ramos) que está a rabiscar como Proust um “Á procura da Namorada Fiel”.