12 maio 2008

entretanto, no mundo cão sempre se vai sentindo o cheiro de algumas flores :)


É do conhecimento público que a área que se estende da Amadora até Sintra é uma espécie de berço da imigração, já aqui se falou disso aquando da reportagem publicada pelo Expresso há um ano e em que se lia que no Hospital Amadora-Sintra, mais de 40% dos partos são de imigrantes.
O serviço de obstetrícia é uma babilónia de costumes, línguas e paladares. Mais do que os 340 km2 dos concelhos da Amadora e Sintra, este hospital serve a Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola, Brasil, China, Ucrânia, Roménia, países que se estendem fora de portas por bairros tão mal afamados como a Cova da Moura, o 6 de Maio ou Santa Filomena. Pelas condições socioculturais e económicas difíceis, muitos partos são de risco, com uma taxa elevada de gravidez não acompanhada e adolescente, prematuridade e patologias infecciosas.
Na altura, A Fundação Bial atribuiu o prémio da categoria de Medicina Clínica a um trabalho de investigação coordenado por Maria do Céu Machado, a partir do Hospital, que analisava e avaliava os cuidados de saúde materno-infantis prestados a imigrantes, sobretudo nos concelhos de Amadora e Sintra. Nesse estudo, verificou-se que esta população não criava laços físicos ao hospital e aos centros de saúde, o que perturbava o crescimento saudável das crianças.
Tentando entender as suas carências e dificuldades e de que modo estas se reflectem sobre a saúde dos seus utentes, indo mais além e continuando a debruçar-se sobre as condições em que vivem e criam os seus filhos os utentes do Hospital, o Serviço de Pediatria continuou a investir na investigação e chegou à conclusão que um elevado número de bebés nascidos no Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) regressa às Urgências daquele hospital nos primeiros meses de vida com graves problemas de saúde devido ao desconhecimento dos pais em lidar com as crianças. Estas situações ocorrem, sobretudo, com imigrantes que se atrasam na ida às primeiras consultas nos centros de saúde, acabando os recém-nascidos por adoecer. Estes casos entopem, ainda mais, o Serviço de Urgência Pediátrica.
'As jovens mães aparecem na Urgência porque os bebés têm icterícia, porque choram muito, por desconhecerem quando têm fome ou como se dá banho. Estas são questões que seriam resolvidas na primeira consulta no centro de saúde.' -explicou Rosalina Barroso, chefe de Serviço de Neonatologia. Segundo a responsável, a primeira consulta no centro de saúde devia acontecer nas primeiras duas semanas após o parto, mas 'as mães aparecem no hospital ao fim de três semanas, quando os bebés têm algum problema'.
Continuando a ser consequente nos seus cuidados e preocupações, a Pediatria do HFF, para evitar que os primeiros meses de vida dos bebés ali nascidos sejam marcados pelas idas constantes às Urgências hospitalares, e porque o ambiente pode constituir um risco de saúde das crianças, foi produzido um filme e uma brochura, que foram exibidos hoje.
Quer o filme quer o panfleto foram editados em três línguas – português, crioulo e russo – em colaboração com o Alto Comissariado da Imigração e Desenvolvimento Intercultural e Fundação Abbott e contaram com a participação da apresentadora Catarina Furtado e da cantora Sara Tavares, que fala em crioulo. [notícia Correio da Manhã]
É por isso que o Serviço de Pediatria do Amadora -Sintra é o melhor do país. Sem favores.

2 comentários:

Leonor disse...

Parabéns Cristina.
Certamente, contribui com a sua parte para os louros do Hospital.

Lola disse...

Cristina

Bravo. Aplaudo.