18 abril 2008

vale a pena ler.

Fernanda Câncio no DN

É verdade o que José Miguel Júdice disse esta semana na SIC Notícias sobre Jardim: há décadas que os responsáveis políticos portugueses o tratam como se tratam os doidos, fazendo de conta que não o ouvem e nunca o contrariando. Aliás, não são só os responsáveis políticos. Basta não se ser madeirense ou, sendo, não viver na Madeira, para poder ignorar Jardim. E se um madeirense que vive na Madeira se queixa, a resposta está na ponta da língua: "Votam nele, não votam?"Certo que votam, há décadas, e sempre com maioria absoluta, não havendo notícia de quem acuse Jardim de manipular resultados. Terão pois o que merecem e nós, os outros portugueses, só damos por eles e por Jardim quando ele se lembra de insultar alguém "do Continente" ou desata num berreiro porque quer mais dinheiro ou ameaça não cumprir leis da República. Como alguns pedopsiquiatras dizem da má educação das crianças, será a forma de Jardim dizer "estou aqui".Há, porém, um pequeno, minúsculo pormenor: nem todos os madeirenses votam em Jardim. Nas últimas eleições, em 2007, foram quase 40% dos recenseados a não votar nele. E dizem as regras da democracia que esses 40% têm, não só direito à vida, como a respeito, respeito esse devido aos seus representantes eleitos no Parlamento madeirense. Representantes que Jardim, igual a si próprio, faz gala em desrespeitar e insultar. Até aqui nada de novo. Novo é ter tido, ultimamente, apoios de peso nesse desrespeito: primeiro, o do presidente da Assembleia da República, o socialista Jaime Gama, que naquele mesmo Parlamento elogiou Jardim como "uma figura ímpar da democracia portuguesa" (se era para ser irónico, a ironia foi daquelas com necessidade de livro de instruções). E, esta semana, o do Presidente da República, que iniciou uma visita à Madeira após o anúncio, por parte de Jardim, de que não seria alvo de uma sessão solene no Parlamento Regional porque ele, Jardim, "tem vergonha daquele bando de loucos" (para Jardim os " loucos" são os deputados eleitos da oposição, bem entendido). Há quem, como António Barreto, defenda que Cavaco, nestas circunstâncias, não devia ter ido; e quem, como Pacheco Pereira, considere que Cavaco devia ir para tornar bem claro a Jardim que por mais absolutas que sejam as suas maiorias o regime em vigor é a democracia, e o país no qual vive é Portugal. Não me contando entre os apoiantes de Cavaco nas eleições presidenciais, esperava do Presidente eleito o mesmo que Pacheco Pereira. Por um motivo muito simples: é o seu dever. Mas Cavaco achou que não. E não só aceitou a desfeita à democracia e a si próprio, assim a modos de um qualquer sr. Silva e não do representante supremo de Portugal, como chegou a, num discurso qualquer, referir-se ao "sentimento inquebrantável entre portugueses e madeirenses". Fez-se pois luz: Cavaco acha que a Madeira é o estrangeiro. Até se compreende, mas não se desculpa.

6 comentários:

Zb disse...

Cristina,

eu que sou madeirense e vivo nesta ilha gostava de lembrar a quem ainda não deu conta disso, que o Jardim é apenas o bobo da corte, ele é aquele madeirense ( dentro da sua laia ) que dá a cara. Porque na realidade a Madeira tem muitos jardins, pois é, são muitos os senhores desta terra que ainda são muito piores do que o tio Alberto, e que vivem na sua sombra. E estes verdadeiramente não querem nunca que o AJJ saia do governo, para não acabar a "mama". Eles são os lobbies do cimento, da construção, do suga suga de capitais públicos. E esses votam sempre em JARDIM. Se bem que existem outras pessoas, essas já de menos posses, e são aquelas que vivem em casas sociais dadas pelo Alberto, que claro está também votam no João das festas.
Por tudo isto, como podes ver, não é preciso manipular resultados eleitorais, claro que não, quem vota nele vota com vontade e muito querer.
Só que estes votos são todos comprados, e bem pagos, voto a voto com o dinheiro do continente e de tantos outros Fundos Europeus. E depois estes senhores ainda cospem na sopa.

beijinhos
bom fim de semana
e muitas felicidades pra ti na casa nova.
mais beijinhos

Cristina disse...

ZB

obrigada lindo, para ti também. Pois é, no fundo é um pouco aquilo que á distancia já sabemos: varios feudos defendidos até às últimas pelo amigo Alberto, apoiado pelos senhores da ilha.

vês alguma solução possivel para esta teia?

Zb disse...

Cristina,
a oposição política a Jardim e ao seu governo é também muito fraca e por isso este poder só acaba quando o Alberto abandonar o seu PPD e começarem as guerrinhas internas pelo lugar cimeiro, será o próprio partido a se auto-destruir e não de outra forma.

beijinhos

Eric Blair disse...

A técnica é a do valentim loureiro, ou da fátima de felgueiras, ou do isaltino, ou ..., ou ..., há muitos ous; a única diferença é a escala

antonio boronha disse...

posso admitir que outros, na ilha, tenham, até, mais cromossomas 'fdp' do que o ajj.
mas quem manda é um só: ele.
os outros ocupam a quadrícula e executam de acordo com as ordens recebidas. ao pormenor.
(com todo o respeito pela opinião de zb)

já tás definitivamente 'instalada' na nova mansão? hope so.

bfs
bj

Rui @t Blog disse...

O Alberto Jonas Jardim é o retrato daquilo em que se tornaram a maioria dos políticos portugueses, uns porque fedem como estrume e outros porque se limitam a fechar as narinas para comer e não cheirar.