12 abril 2008

às vezes, somos mesmo um rico país.


Há dias, um casal estrangeiro meu amigo, que tinha acabado de conhecer a A-2 e a A-6 num dia de semana, comentava comigo que nunca, em lado algum, tinha visto auto-estradas tão boas e tão desertas, ao que eu respondi que nós éramos um país bem mais rico do que as estatísticas económicas mostravam: um terço da população activa, com crise ou sem ela, viaja compulsivamente para destinos exóticos distantes, no Verão, no Natal e na Páscoa; temos 1,5 fogos por habitante e continuamos desenfreadamente a construir segundas habitações no que resta de litoral ou interior ainda disponível; temos mais de um automóvel por família e mais de um telemóvel por habitante; e temos auto-estradas para todo o lado e algumas sem portagens, que fazem corar de inveja esses casos de sucesso económico sem auto-estradas nem TGV que são a Irlanda, a Suécia, a Noruega, a Dinamarca. MST
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Sem ironias, este excerto da crónica do MST, fez-me lembrar um episódio acontecido com uma doente inglesa, com cerca de 80 anos, residente em Portugal há mais de 40, por casamento com um português. O marido tinha morrido há um par de anos e a senhora vivia do que este lhe havia deixado: uma casa e uma pensão miserável. Com dificuldades, mas sempre bem cuidada e, além de tudo, um exemplo de de força, coragem e dignidade. Era seguida regularmente pelo médico de família. O serviço de saúde inglês tinha-lhe retirado todos os direitos.
A dada altura, dissemos-lhe que tinha que fazer uma histerectomia. O olhar ensombrou-se-lhe e respondeu com tristeza que não tinha dinheiro para tal. Dissemos-lhe que não se preocupasse que em Portugal ninguém pagava os tratamentos necessários feitos através do SNS. A senhora ficou estarrecida. "quer dizer que o governo português paga a cirurgia a uma cidadã estrangeira??" Exactamente, aqui ninguém paga nada. A permaneceu em silênco uns segundos e, com uma explessão comovida de agradecimento respondeu: "olhe, o seu país está a fazer mais por mim do que o meu fez, muito obrigada."

3 comentários:

Pêndulo disse...

Ninguém paga nada?
Ó pah, eu farto-me de pagar impostos e começo a ter de pagar também por todos os serviços.
Se não pagas é porque andas a fugir ao fisco :P

Desinformador disse...

bolas... eu então fartei-me de pagar e nunca tive direito a uma mísera operação laser à miopia e astigmatismo... e se tentei!

Cristina disse...

mas impostos toda a gente paga nos outros paises. agora, de facto, eu ja presenciei varias vezes o espanto de estrangeiros por não terem que pagar nada além da inscrição quando vão a um hospital. não ha muitos paises no mundo que atendam um cidadão estrangeiro sem lhes pedir pagamento por inteiro daquilo que é feito. muito poucos.