14 março 2008

melhor será, dedicar algum cuidado à avidez dos julgamentos imediatos...

Lembram-se certamente de um post sobre a relação incestuosa entre Patrick Stuebing e Susan Karolewski .
Relembro: Quando a família se dissolveu, o menino Patrick Stuebing foi adoptado por outra família e criado em Potsdam. Ele só se reencontrou com a irmã Susan aos 23 anos, quando viajou até Leipzig em 2000 para conhecer a sua família biológica. Depois da morte da mãe, os dois contam que se apaixonaram."Somos um casal normal. Queremos constituir uma família. A nossa família despedaçou-se quando éramos crianças e, depois disso, a Susan e eu aproximamo-nos .""Só quero viver com a minha família e ser deixada em paz pelas autoridades e pela Justiça." Juntaram-se e tiveram filhos sendo Patrik, por isso, condenado pelo tribunal a dois anos de prisão. Uma vez cumprida a pena têm de novo uma filha, agora de dois anos. De novo à pega com a justiça apelou para o tribunal constitucional, aguardando decisão deste.
Pois bem, o tribunal constitucional, pôs fim ao sonho do casal de viver a sua relação livremente. Soube-se esta quinta-feira. O tribunal considerou que o artigo que condena o incesto a 3 anos de prisão, se justifica para manter a ordem familiar o evitar os efeitos danosos do incesto.
Patrick foi condenado em 2002, depois do nascimento do primeiro filho Erick, a 1 ano de prisão. Em 2003 o casal teve uma filha, Sarah, e em 2004 uma outra, Nancy. Foi condenado a dois anos e meio de prisão, tendo ficado a irmã gravida de um quarto filho. Fez a seguir, uma vasectomia. Com a decisão do juiz, deve ser preso novamente em finais de Março para cumprir mais um ano.
A situação não é fácil de avaliar, nem linear, mas pergunto, que tipo de danos causa este casal à sociedade ou a eles? Por outro lado, que beneficio trás à sociedade, ou a eles, as prisões sucessivas? Que justiça? Deverá a justiça ser cega?
Neste momento, do que não restam dúvidas é que se trata de uma FAMÍLIA que se entende, onde, ao que parece, há amor. Não consta que qualquer deles tenha alguma deficiência mental. Tiveram quatro filhos. Vivem a sua vida, perturbada pela condenação de um crime moral, e só. As bases cientificas são demasiado frágeis. Na altura deixei um comentário que penso que vale a pena republicar porque continuo com a mesma opinião.
______Uma das razões universalmente aceites para a proibição do incesto é o risco de consanguinidade e consequentes doenças genéticas; argumento com consistência precária já que, para se tornar efectivamente um problema, essas doenças dependeriam do tamanho da população -quanto maior o número de pessoas, mais limitado o problema – e mesmo que existisse, há que considerar os avanços da medicina. No mesmo sentido, e seguindo o mesmo tipo de fundamento, não são proibidos casamentos entre pessoas com doenças genéticas/hereditárias ou proibida a procriação a pessoas com maior risco de dar à luz indivíduos com deficiência, nomeadamente os relacionados com a idade dos progenitores. Independentemente do aspecto biológico, cada vez mais ultrapassado, a condenação persiste: não há sociedade alguma em que não haja uma norma que interdite o casamento entre pessoas com determinado grau de parentesco, embora a noção de "parentesco" seja variável de sociedade para sociedade.
Uma outra explicação fundamenta-se na ideia de que haveria um horror natural ao incesto, uma sensação de fenómeno anti-natura. Como contestação a esse tipo de explicação, lembremo-nos, basta considerar que, se houvesse um horror natural ao incesto e a consequente falta de desejo de o praticar, não seria preciso proibi-lo, só se proíbe aquilo que se deseja. E deseja-se. Não é tão raro quanto isso e com consentimento de ambas as partes. Nem sequer é crime em Portugal, ou na França, na Bélgica, ou na Holanda, por exemplo.
Dessa forma, o tabu do incesto é quase totalmente de origem na organização social. A condenação baseia-se provavelmente na incompatibilidade violenta sentida " instintivamente " entre intimidade sexual e as relações familiares de afecto e respeito mútuo, no medo da disrupção da estrutura familiar, encorajando as uniões que reforçam as relações existentes entre os membros de uma sociedade, longe dos laços familiares e envolvido por um enquadramento religioso que o torna pecado; será? Uma mera função de reforço da família e de diversificação social?
As questões que no passado eram consideradas tabu passaram a ser motivo de discussão pública e de controvérsia. No caso em questão o Tribunal rejeitou a pretensão dos recorrentes alegando um "distúrbio familiar" que, no caso, só existe na lei.

7 comentários:

Animal disse...

the horror... the horror... cá pra mim inventou-se o tabu do incesto pra obrigar a malta a sair de casa à procura de parceira e sempre se arranjavam umas alianças políticas com os gajos da tribo ao lado - parecia mal os cunhados sogros genros sobrinhos andarem a saquear as aldeias uns dos outros... mas o Das Neves deve ter umas teorias engraçadas pra explicar a coisa.

só vejo um inconveniente e, vá lá, uma justificação prática prá coisa: a minha mãe passava também a ser minha sogra. não sei se isso fará bem à saúde mental dum gajo.

e-ko disse...

questão difícil... não condenar seria a porta aberta para que uniões destas fossem possíveis entre pais e filhos também e legitimar relações incestuosas depois de abusos sexuais muito frequentes no seio das famílias... houve e há muito mais crianças vindas ao mundo depois deste tipo de relações do que se pensa.

não sei se seria possível possível fazer vista grossa em relação a este caso um pouco particular... e não penso que em si ele contenha algum perigo, a priori, do ponto de vista genético/hereditário, mas poderá não ser o caso noutras situações... trata-se da abertura dum precedente.

Cristina disse...

animal

ora nem mais...as alianças assim eram muito mais faceis.
O das neves, com isto não chega a velho. e o inconveniente, de facto, é o que dizes. além de que zangar-se com o namorado e mandá-lo pra pqp, é uma cena foleira...

Cristina disse...

ahhh e no caso de divorcio, quem é que vai pra casa da mãe??? outra cena foleira..

Cristina disse...

e-ko

as uniões entre irmãos não têm mais risco estatistico de consanguinidade e doença genetica do que ja ha pelas uniões de pessoas com o mais variado tipo de doenças, que não têm relação familiar mas têm risco. ora, ninguem condena nem proibe essas uniões...acho que nem sequer pensamos nisso. mais ainda, quando um casal desses em que ambos têm doença genetica quer ter filhos, avança-.se com o apoio do diagnostico prenatal.

a questão aqui é só e exclusivamente moral/de organização social/qualquer outra coisa....

é estranho, sem duvida que é. mas não é anti-natura apesar da condenação social, ja reparaste?? tanto que não é, que existe. e muito. so não existe mais, por sentimentos de culpa.


como lidar com isso, não sei muito bem...

Anónimo disse...

E a seguir deveria abrir-se a porta às uniões entre tio(a)s e sobrinho(a)s, Tia e caniche, tio e bulldog, blogger patética e asno...

Cristina disse...

ó anonimo
também lhe fazia falta um tratamentozinho que eleve o QI um bocadito acima das amebas. é que assim, é-lhe impossivel participar na conversa, lamento...:/