16 março 2008

embora o mundo desconheça, deve haver uma explicação para o facto de

cada vez que se fala em discriminação de doentes com HIV, os termos da indignação sejam um claro passo atrás na luta contra essa mesma discriminação. Hoje, mais uma grande comoção na comunicação social pela notícia de que alguns lares terão negado a entrada de idosos por estarem infectados com vírus da SIDA. Na sequência, lá vieram as vozes do costume (Abraço e tal..) defender os coitadinhos dos infectados que, injustiça das injustiças, não podem ser tratados como pessoas com doença. Bom, isto é tão ridículo como cansativo, e penso que por mais que se fale e explique e volte a explicar, a anestesia da ignorância cria de facto obstáculos potentes ao entendimento da situação e, pior ainda, à sua resolução.
Deixo uma pergunta para reflexão: alguém já pensou porque é que a aceitação de pessoas com doença infecciosa requer um alvará especial para doenças infecciosas?? Eu digo: porque a existência de uma doença infecciosa, que, RELEMBRO, é o que a SIDA é, uma doença infecciosa, obriga a preparação diferenciada e algumas condições especiais. Portanto, enquanto quem trabalha com doentes potencialmente infectantes não estiver tecnica e legalmente preparado para trabalhar com doentes infectantes, e não falo, mais uma vez, do HIV em si mas de todas as infecções oportunistas, não deve aceitar recebê-los.
A notícia fala ainda de «quebra do sigilo profissional» do médico que divulgou a situação clínica do idoso aos responsáveis do lar. Ora eu gostava de saber como é o lar presta a assistência médica especifica a um infectado se não souber que ele está infectado? Por exemplo, como é que o pessoal sabe que deve estar atento a uma candidiase, a uma diarreia, a uma expectoração purulenta, a uma febre, de maneira diferente em relação a determinada pessoa se não se informar quem lida com o doente? Como é que o lar leva o doente a uma consulta de doenças infecto-contagiosas onde seguramente é seguido, como é que lhe administra a terapêutica que não passa despercebida sem saber que o doente está infectado? A insanidade é total, parece-me. ..Afinal, queremos gente a trabalhar com cabeça e profissionalismo ou a irresponsabilidade total sob um paternalismo ridículo??
De acordo com o Instituto Ricardo Jorge, estão notificadas no país 2.411 pessoas seropositivas com mais de 55 anos. Nos últimos tempos, tem aumentado exponencialmente o número de novos casos de infecção na população mais velha. Se calhar, o que eu tenho dito por aqui faz algum sentido, quando é que começamos a lidar com coisas sérias como gente adulta?

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