26 março 2008

a dificil arte de ser feliz.



via Anarca,
The West Boca High School cheerleader, 18, died Saturday from complications of plastic surgery to correct asymmetrical breasts and inverted nipples, after being rushed to Delray Medical Center Friday morning. According to her family's attorney, a rare and silent condition called malignant hyperthermia(condition is triggered by anesthesia) .
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Depois do post sobre piercings, volta o tema estética e procedimentos invasivos efectuados em jovens. Tenho sentimentos diferentes em relação ao caso da cirurgia estética. Especialmente a correctiva. Obviamente, entendo que deve ser feita sob consentimento da família se for menor, e é a única coisa rigorosamente comum nas duas situações mas, há aqui uma motivação substancialmente diferente. Diz o Anarca no habitual tom provocatório, pode vir a ser mais útil..... morrer por causa dum pedaço de silicone nas tetas aos 18 anos resume o estado onde chegámus..... ...... a lado nenhum.... só à futilidade como designiu final e ao instântaniu como modo de vida..........não é bem isso. Segundo entendi, o que a rapariga fez foi uma cirurgia para corrigir uma assimetria, ou seja, uma cirurgia correctiva de um "problema" que seguramente a incomodava ao ponto de querer ser operada. Ora, só quem nunca sofreu com uma destas imperfeições com que a natureza sacaneia tanta gente, só quem nunca tentou a todo o custo disfarçar algum traço menos estético, só quem nunca sentiu a sua auto-estima de rastos quando olha para os amigos lindos e perfeitos, é que não entende a mossa que isso faz num adolescente. Eu já vi vários defeitos serem corrigidos e garanto que não há dinheiro que pague a gratidão de se ver finalmente como uma pessoa normal, igualzinha a todas as outras. Sim, para estas pessoas, o grande sonho não é ser diferente: É ser igual. E dentro do igual, renasce-se, literalmente. Se há coisas que fazem milagres, é a auto-estima.
Aqui, foi azar. A miúda morreu de uma doença raríssima desencadeada pela anestesia, inesperada, como o são, por exemplo, a síndrome maligna dos neurolépticos ou as embolias pulmonares pós cirurgia. Acontece.
Se a minha filha me pedisse para corrigir uma qualquer deformação, seguramente apoiaria. E fazer qualquer correcção por motivos exclusivamente estéticos?? É difícil dizer mas, se eu visse que a sua imagem corporal lhe era particularmente penosa, ou que a impedia de ter uma vida de relação normal, penso que não lhe diria que não. Tenho quase a certeza. Afinal a saúde é também um bem estar psicológico e uma pessoa bem consigo tem grande possibilidade de estar bem com os outros.
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ps-Reli este post e imagino que possa parecer uma contradição em relação aos piercings. Para mim não é, continuam a ser coisas muito diferentes. Aqui trata-se de "corrigir" a imagem corporal, lá trata-se de acrescentar adornos ao corpo de forma invasiva e em que o próprio adorno pode causar danos graves.

25 comentários:

Francis disse...

"Sim, para estas pessoas, o grande sonho não é ser diferente: É ser igual. E dentro do igual, renasce-se, literalmente. Se há coisas que fazem milagres, é a auto-estima."

Dito isto, que nos tempos de hoje é arrasador, o resto é, como dizes, azar...acontece.

Piotr Kropotkine disse...

peçu desculpa mas ser "igua"l tal e coisa...rubish.....

o sonho é ser igual a modelos irreiais e de plástico.... ser adulto e crescer é saber lidar com os "azares" e ultrapassá-los...toda a vida na adolescência aconteceram coisas cruéis comentários cruéis dos pares... e a maior parte das pessoas cresce e marimbaçe para os outros ...

tamus mas é a construir uma sociedade infantilizada e caprichosa em que aqueles que pedem dinheiro a mais e depois não podem pagar e dizem que são "vitimas" dos malandros dos bancos....

ou os obesos que pareçe que vão ser tratados como idiotas pelas comissões de qualquer merda que se intrometem dentro da casa das pessoas porque as pessoas coitadinhas não conseguem lidar consigo mesmas....

bullshit....

Piotr Kropotkine disse...

corrigir um nariz e meter silicone pra ter as mamas da Pamela Anderson são coisas distintas....

Cristina disse...

Piotr
claro que são.

"ser igual a modelos irreiais e de plástico....". será isso mas muito mais! pá, tu ja não te lembras de ser adolescente? nem precisam de modelos extra, os modelos são eles proprios, os que não têm nada que se lhes aponte. pá, faz parte, não ha nada pior que possa acontecer a um adolescente do que ser "diferente dos outros" por qualquer caracteristica mais inestetica. e sinceramente, eu não vejo que ultrapassar as frustrações fisicas ajude especialmente alguem nem que seja grande escola....acho mesmo que em tudo o resto da vida, se aprenderam a lidar com elas já é muito bom. se uma filha minha achar que tem as orelhas grandes e quiser corrigi-las até sou capaz de apoiar, mesmo que eu não ache. se ela se sentir diminuida por ter um dedo do pé torto até sou capaz de a apoiar, mesmo que isso não interfira em nada com a vida dela. e daí, se quiser se modelo, interfere!
agora, se quiser ter as mamas da Pamela Anderson, não a apoiaria por duas razões: porque o facto de não as ter não é motivo de inferiorização e porque a cirurgia tem riscos que ñão podemos prever, embora poucos.


bom, no fundo, no que diz respeito ao corpo, aceito mudanças desde que a pessoa melhore a sua auto estima com isso e a faça sentir-se realizada. dentro do razoavel que, aceito, tem um limite dificil de definir, portanto apela-se ao bom senso.

não acho que esse tipo de frustração seja essencial no desenvolvimento de cada um, sinceramente.

Cristina disse...

francis
aí é que esta!!!! não é nos tempos que correm, sempre foi assim. desde sempre que desde crianças a adolescentes, DETESTAM ser diferentes. isso é coisa de gente adulta, o querer evidenciar-se pela diferença. os miudos querem é ser iguais aos outros, não ter nada que os outros lhes possam apontar...isto em questão de aspecto, é óbvio..qualquer coisa que os faça notados é motivo de vergonha.

se te lembrares bem, sempre foi assim.

Francis disse...

cristina,
plenamente de acordo.

Piotr Kropotkine disse...

ora bem ....e para quando as plásticas para os adolescentes deficientes? se os que tem piquenos problemas são tão frágeis e querem fugir deça terrivel "abnormality" o que farão os deficientes?

comem só com o paternalismo cínico do "todos diferentes todos iguais"?

Piotr Kropotkine disse...

não me lixem, uma gaja ou um gajo com 15 anos que quer ser "perfeito" ou uma cota de 60 que quer voltar a ter 18 tem mas é de ir ao psique....

uma gajo nasce cresce vive e lerpa e no intervalo deve tentar ser feliz ...não ser um sucesso ou ser perfeito....

Cristina disse...

piotr

os deficientes dariam tudo, e quando digo tudo é tudo mesmo, para que fosse possivel retirar-lhes a deficiencia. não tenhas a minima duvida. e se fosse possivel? acharias que o que os gajos deviam era habituar-se a viver com ela e aprender a ultrapassar a frustração?? epá, não sejas tão cruel... tu fazes ideia do que isso implica em termos de auto estima??? va la, não me lixes...e olha que eu, se ha coisa que não sou é piegas!! mas, quando fiz o meu estagio de cirurgia plastica, uma das coisas que me marcou, e me ficou na cabeça, foi a expressão de reconhecimento sem tamanho quando se livrava alguem de uma "imperfeição" que nem eles tinham coragem de dizer em palavras como os humilhava.. aquela expressão não tem preço, porra!

achas mesmo que lhes fazia algum bem continuar a esconder o defeito? porque é isso que acontece, não penses que alguém se habitua porque é mentira, mesmo que o diga.

Bé disse...

Cara Cristina,
Acho que chegou a altura de lhe fazer um comentário ao seu interessante e dedicado blog, já que já me fez tantos e eu ainda não tive vá coragem para lhe responder! Relativamente a este assunto da cirugia plástica... acho e sempre achei a cirugia plástica desnecessária, tirando as excepções que já referiu, pois a natureza cria-nos como acha que deve de ser, porque cada ser é único assim como é, por isso a Natureza tem necessidade de criar cada vez mais pessoas únicas,portanto diferentes. Às vezes tambem encaro estas diferenças como desafios que a vida nos propoem... e temos que resolver esses desafios aceitando-nos e aceitando os outros como são!
Esta é a minha teoria.

Cristina disse...



ora ate que enfim que te vejo por cá...:))

tens toda a razão quando dizes que todos temos diferenças e devemos saber conviver com elas. o problema são exactamente as excepções. ou seja, a partir do momento em que essa diferença é fonte de sofrimento para a pessoa, que achas que se deve fazer? imagina que tinhas umas "orelhas de abano" e que, não sendo considerado exactamente uma malformação, isso era causa de sentimentos de inferioridade. se soubesses que esse pequeno defeito era facilmente solucionável, e é, gostavas de te ver livre desse peso ou não? acharias isso uma futilidade?

a resposta não é sempre linear e não se limita só ao sim e não, digo eu....

um beijinho

Fado Alexandrino disse...

Tanto quanto se percebe o defeito era minúsculo (para ela podia ser grande) e o resultado foi maiúsculo.
Acontece, são azares.
às vezes ser pobre dá jeito, ainda estava viva!

Cristina disse...



lembrei-me de uma história engraçada a proposito das orelhas de abano.

uma vez, na tal disciplina de cirurgia plastica, estava a assistir a uma consulta de um miudo adolescente. ja não me lembro qual era o problema, mas foi resolvido. durante a consulta, reparei que o miudo tinha umas orelhas de abano de todo o tamanho!! fiz sinal á medica para lhe falar nisso mas ela mandou-me calar.
depois do miudo sair com a mãe, eu disse mas então, porque é que não falou ao miudo das orelhas?? eram horriveis e aquilo podia-se resolver!
e ela, com a maior calma, respondeu: você viu-o queixar-se? então não lhe atribua uma "doença" que ele ão tem...

isto foi uma boa lição. e é tão verdade que o contrario também se verifica. entendes o que quero dizer?

Cristina disse...

fado

sem duvida, um horrivel azar.

Piotr Kropotkine disse...

há anos na Suécia vi um programa (da BBC) só devotado aos perigos da cirurgia plástica...uma secção do programa era sobre os implantes de silicone substituidos por oleo de soja e depois de novo por silicones pelo meio ficavam dezenas e dezenas de exemplos de implantes que rebentavam de cancros de implantes que caiam que derramavam e o diabo a sete mais uma secção sobre as "espinhas" utilizadas para esticar a face e que dão aquele aborto com que anda aquela gaja da TVI que pareçe saida duma série de horror......... e exemplos de mulheres que no final testemunhavam e o que diziam não ia muito ao caminho do cor de rosa....

os deficientes davam tudo por não o ser ...pois é.... mas axandramçe e dão muitas vezes lições de dignidade que envergonham as pessoas de plástico que abundam....

Piotr Kropotkine disse...

a verdade é que as razões para as miudas e miudos procurarem a cirurgia plástica estão muito menos associadas à correcção de orelhas de abano e cada vez mais a prendas de aniversário para terem o corpo próximo do ideal propagandeado por revistas de "estética" vendidas por psicopatas.....

e pela "industria" que lucra como se calhar nem com as armas....

Piotr Kropotkine disse...

um dia acordamos num mundo de Vitórias Beckam e só resta a um gajo dar em maricas....

dalloway disse...

Primeiro: não tenho nada contra a cirurgia plástica e acho mesmo que as pessoas são livres de fazerem o que quiserem com o seu corpo.

Segundo: é importante não confundir o uso da cirurgia plástica por motivos exclusivamente estéticos da cirurgia plástica que pretende corrigir qualquer deformação (genética, por acidente...).

Terceiro:a auto-estima não deixa de ser o porta estandarte daquilo que pretendemos e queremos fazer.
O ir às compras faz bem à auto-estima, o viajar, ter carro e coisas que tais. Tornou-se tão corriqueira esta auto-estima e tão vazia de propósito.
Quer a cirurgia exclusivamente estética quer a cirurgia para corrigir qualquer deformação assentam na auto-estima.

Quarto: aqui estamos a falar na adolescência ou mesmo na pré-adolescência o que por si só nos remete para a instabilidade e fragilidade inerentes a estas idades.
Esse ser igual que a Cristina fala não deixa de representar uma geração que está cada vez mais inserida num contexto da imagem. A repetição de comportamentos leva à padronizarão do mesmo o que por si só nos remete para a erotização da imagem e no facilitismo de mudar aquilo que não está dentro dos padrões.

Quinto: o não gostar do corpo porque está em constante mudança, a dismorfobia ou o transexual mais novo do mundo - 14 anos (que há uns tempos a trás a Cristina falou) entre outras coisas, são possibilidades na adolescência.
O não gostar do corpo porque ainda não está formado é por si só um indicio que não se deve interferir. Se a rapariga do post tivesse esperado mais uns anitos só teria a ganhar com essa espera. Para além de não ter esperado teve muito azar com as complicações.

Sexto: não podemos nem devemos encarar estas situações com displicência nem acharmos que somos uns pais bué da cools e pra frente porque deixamos os meninos fazerem cirurgias por motivos exclusivamente estéticos.
A auto-estima destes jovens que recorrem a cirurgias destas tem um nome bem mais convincente: dinheiro.

Setimo: Nasci polidactil (6 dedos nas mãos e nos pés). Assim que os meus pais souberam dessa diferença tentaram saber qual o melhor cirurgião da europa e arredores que fosse indicado para a minha cirurgia. Isto há quase 42 anos. Pagaram a deslocação do supra-sumo do dito cirurgião, para ir a Londres operar-me em menos de 24 horas do meu nascimento. A auto-estima dos meus pais e respectiva filha (euzinha) foi resolvida com uma pipa de dinheiro.

Cristina disse...

ahhhh, isso é outro departamento!....além de que dizem que dar em maricas tamem não é mau de todo...

mas repara bem que eu não falo de miudas que querem ser barbies, eu falo de miudas/os, em que um determinado pormenor menos elegante, ou menos estético, causa complexos de inferioridade. e muitas vezes violentos. é absolutamente necessario à formação da personalidade equilibrada passar por isso? ou tornam-se mais fortes por isso? pergunto..

Cristina disse...

dalloway

pois, temos aqui varios conceitos e varias realidades muito diferentes.

bom, em relação à cirurgia exclusivamente estetica em adolescentes, digo exatamente a mesma coisa que disse em relação aos piercings "a adolescência, nem sempre comporta uma ideia madura sobre aquela que deve ser a imagem corporal definitiva e também, ou sobretudo, sobre os riscos que podem transformar uma alteração reversível numa deformação definitiva."
pronto. cautelas maximas. parece que estou a qui a defender coisas muito diferentes, não é nada disso...


agora, não entendo essa ideia de "ser igual" como uma coisa quase nova fruto de uma geração não sei quê....sempre foi assim Dalloway, desde sempre, uma criança tem horror ao diferente, ao "ser diferente dos outros", ao "porque é que eu tenho que ser diferente dos outros?". criança e adolescente odeiam sentir-se diferentes. em tudo.


quanto à sua experiencia, que bom não ter passado por ela. não ha melhor sentimento para uns pais, essa é que é essa...

beijinho

dalloway disse...

Claro que sempre foi assim, o ser igual, mas convenhamos que é um igual muito mais mediático e com a agravante de ter ao seu dispor técnicas que podem resolver de forma rápida e eficaz o desagrado corporal. E o perigo aqui é não pensar duas vezes e tudo é para...ontem!

Cristina, eu não acho que esteja a defender coisas diferentes quando fala dos peircings.

Os meus pais são os melhores porque... são os meus :)

Beatriz disse...

O importante é que as pessoas se sintam bem com elas mesmas e se tiverem de fazer 1000 e uma operações, então que o façam. Eu pessoalmente não quero fazer nenhuma porque embora ache que alguns traços em mim, como é que tu dizes? NÃO SEJAM MUITO ESTÉTICOS, realmente tenho de aprender a viver com eles. Mas sou a favor das cirugias estéticas.
Um beijinho

Isabel-F. disse...

concordo em abosluto contigo ...

é muito importante a auto estima ... seja em que idade for ...

mas num adolescente ou jovem ... certamente até será mais ...


beijinhos

Cristina disse...

beatriz

como assim,tu???? uma giraça tão perfeitinha?? :D

Bé disse...

Pois, lá está, as excepções... são casos e casos, e nesse exemplo acho que seria a favor da cirugia, mas fazer mil cirugias para esticar o mais possivel a cara para não ter uma pinta de rugas ou por bodegas nos labios para parcer mais atraente, isso sim acho completamente fútil, estúpido e desinteressante! Se tivesse nascido com o nariz em batata, ou com os lábios mínimos ou com umas orelhas de abano ou quem sabe com o queixo deformado, acho que quereria aceitar isso para mim,(digo agora porque nunca me aconteceu realmente, mas penso que seria assim que eu iria agir), acho que iría aceitar as diferenças e quem não me deixasse integrar só por ser defeituosa esse ser sim, ainda seria mais fútil do que umna operação plástica para mudar esses defeitos! Este assunto tem muito que se diga... falo por mim e digo o que realmente acho.