02 março 2008

coerência nos outros, é com eles II


Concordo com a Joana, o melhor da igreja católica é mesmo a caridade cristã, bem expressa pelas palavras do cardeal ao abordar a questão da natalidade na Europa:
Desde que se quebre o coeficiente de equilíbrio a sociedade fica aberta a ser ocupada por gente vinda do terror e vinda do Ocidente e do Oriente como diz o Evangelho. O que faz com que seja previsível que dentro de alguns anos as sociedades europeias percam a sua fisionomia do ponto de vista religioso, do ponto de vista comportamental, cultural. Como se sabe, já há sociedades europeias a braços com a multiculturalidade e com a dificuldade de harmonia entre as diversas procedências da população.
Portanto, faça-se alguma coisa, tenham filhos, para que essa «gente vinda do terror» não invada a nossa santa paz, a harmonia, cultural e religiosa, europeia.
Sem comentários Leonor, sem comentários. Mas depois... Xenófobos são aqueles gajos que rapam o cabelo...

15 comentários:

Sapka disse...

Os países muçulmanos descolonizaram e expulsaram os cristãos das suas terras. Não lhes contesto esse direito. Mas porque não haveríamos nós de controlar e reduzir (ao mínimo!) a sua entrada na Europa? Só se formos muito estúpidos, com a taxa de crescimento demográfica que temos. A Europa não tem que se deixar invadir por gente intolerante que não gosta dos nossos costumes, da nossa religião, da nossa cultura e dos nossos valores políticos, sociais e filosóficos. Os cabeças rapadas são cobardes que atacam os imigrantes que já cá estão, a quem querem negar direitos e dignidade humana. É preciso saber distinguir.

Cristina disse...

sapka

ele fala especificamente do muçulmanos e gente intolerante que não gosta dos nossos costumes?

fala de multiculturalidade. nomeadamente ele condena o facto de gente que foje de locais de terror, seja ele qual for, vir descaracterizar a nossa cultura. é disso que se trata: gente diferente de nós. vamos portanto fazer filhos e ignorar o terror do resto do mundo, de modo a que possamos fechar as portas sem necessitar sequer do trabalho que ca vêm fazer....

Sapka disse...

Uma coisa é o que esse cardeal pensa ou diz, os termos em que o faz, etc. Nem sei quem ele é, o teu link não funciona. Em todo o caso, a Igreja, a que não pertenço, tem defendido os imigrantes.

Outra coisa, Cristina, é pensarmos nós, com a nossa cabecinha, se a Europa deve abrir as portas de par em par a gente XENÓFOBA, gente que não gosta da nossa liberdade, democracia, costumes, mentalidade, valores, etc. Gente que planeia atentados para matar indiscriminadamente inocentes no Metro como há dias se viu em Espanha - havendo planos para fazer o mesmo em Portugal.

migas (miguel araújo) disse...

Eu defendo que a Igreja deve estar junto das pessoas: junto das questões sociais, da justiça, da saúde, da educação, da política e do ambiente.
Se a sua missão estiver desenraízada da vida dos cidadãos apenas serve como utopia. E isso só alimenta alguns egos (assim tipo o teu amigo Das Neves).
Agora... o problema é que a Igreja não está no mundo de hoje. Não é actual. Não procura estar um passo à frente (pelo contrário).
E quando intervém... dá nisto.
Enfim...
Já agora... os meu pelitos cerebrais (os poucos que me restam) são regular e "religiosamente" (LOOOL) rapados.
Espera lá... eu não sou desses gajos, pá.
bjs e boa semana

Cristina disse...

sapka

pois eu acho que o que a igreja pensa ou diz interessa muito, primeiro porque diz asneiras, segundo porque lhe dão ouvidos.

e pensando com a minha cabeça, eu acho que a Europa deve estar aberta a quem cá quiser viver. esses não são xenofobos, xenofobos somos nós se apoiarmos o que o cardeal diz....além disso, o cardeal não faz distinção entre "gente que não gosta da nossa liberdade, democracia, costumes, mentalidade, valores, etc", se é que reparaste! ele fala em pessoas DIFERENTES,QUE IRÃO DESCARACTERIZAR A NOSSA SOCIEDADE. queres coisa mais xenofoba que isto?? a europa é para os perfeitos que mantêm as suas caracteristicas seculares....

e-ko disse...

perfeitamente de acordo com a Cristina e com o Migas... já não é preciso acresentar mais nada.

beijinhos

Sapka disse...

Não respondeste às minhas objecções, Cristinita, calaste o que não te convinha. A Igreja tem defendido os imigrantes, é um facto. Esse cardeal, seja ele quem for, não é "a Igreja", é apenas um cardeal. Se calhar nem cristão é, só cardeal... A Igreja é internacionalista por natureza, não podes negar, e foram padres os primeiros a lutar contra a escravatura e a discriminação racial. Também não respondeste à minha objecção sobre xenofobia. Parece que para ti só há uma xenofobia, esquecendo-te, p. ex., da xenofobia dos fanáticos muçulmanos em relação aos europeus e aos ocidentais. Xenofobia é ódio aos estrangeiros, só isso. Grassa na Europa um erro que já custou caro à esquerda, ao centro e ao centro-direita: o de se abandonar o tema dos riscos da imigração muçulmana à direita e à extrema direita, aos tais cabeças rapadas. A questão está muito para lá desses bandos de cobardolas, não querer vê-lo, é cegueira, é não querer pensar, que é a pior cegueira. Não falaste do risco de importar fanáticos que nos querem matar no Metro, nos aviões ou nos aeroportos. Quando houver o primeiro atentado em Lisboa, talvez mudes de ideias. Quando te quiserem proibir de falares do Islão no teu blogue como falas do catolicismo, talvez comeces a pensar.

Sapka disse...

Já li o que diz a Joana (não a entrevista do cardeal) e não me custaria muito estar de acordo com ela. Os termos em que o patriarca parece que falou são detestáveis, tipicamente xenófobos e também anti-cristãos: "gente vinda do terror", sem fazer distinções, que é o primeiro sintoma da tentativa de demonização. Por isso, recomendaria eu a toda a gente distinguir, distinguir sempre o que é diferente, não amalgamar. Inclusive a ti, quando pareces arrumar as opiniões contrárias às tuas todas no saco dos cabeças rapadas.

Cristina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cristina disse...

perdão??? deve haver, ainda, qualquer coisa que não percebeste.

penso que te referes à frase "Mas depois... Xenófobos são aqueles gajos que rapam o cabelo.." e concluis daqui que eu incluo o quê, onde? lê tudo de novo se não for muito incómodo....as vezes que forem precisas, há tempo de sobra.

quando escreves..."pensarmos nós, com a nossa cabecinha, se a Europa deve abrir as portas de par em par a gente XENÓFOBA, gente que não gosta da nossa liberdade, democracia, costumes, mentalidade, valores, etc." onde é que enquadras este comentario, exactamente, nas palavras do cardeal, e nas minhas?


talvez queiras começar a comentar de novo, a confusão que prai vai...

Sapka disse...

Bom, não quero fazer disto uma polémica, mas arrumaste o cardeal juntamente com os cabeças rapadas

Pêndulo disse...

Que grande confusão para aqui vai entre xenofobia e xenofilia que será gostar do nosso povo.
O multiculturalismo tende a transformar tudo num uniculturalismo que resulta da amálgama. Apesar de eu não ser nada religioso não vejo nada de horrendo no que o senhor cardeal disse. Ele refere, e bem, o limite crítico. Temos visto que enquanto os emigrantes são em reduzido número não há problema de maior. Quando atingem certa dimensão, elevada, começam as chatices.

e-ko disse...

o terrível das declarações do Policarpo está exposto assim:

"Não sei o que é mais chocante na afirmação do cardeal patriarca ao "Sol" segundo a qual, com a queda da natalidade em Portugal, "a sociedade fica aberta a ser ocupada por gente vinda do terror", se o facto de D. José Policarpo pensar isso se, pensando-o, não ter pejo em dizê-lo. A expressão "gente vinda do terror" não é inocente; o cardeal não se refere a imigrantes chegados de lugares dolorosamente marcados pela miséria e a violência, não é esse o "terror" a que se refere, ou não apresentaria a situação como perigo (com ela, os cristãos portugueses até poderiam capitalizar boas acções com dividendos certos na bolsa da Salvação; pois não chamou Cristo a si os pobres e os andrajosos?). A palavra "terror" é mais óbvia trata-se de estrangeiros e pobres, que se amontoam em bairros suburbanos e não comungam nem vão à missa, isto é, "terroristas" ou delinquentes. Pior: têm "outra" cultura. Por isso, diz o cardeal, "já há sociedades europeias a braços com a multiculturalidade", como se a multiculturalidade fosse uma epidemia a erradicar. Às vezes as nossas palavras dizem mais que nós; porque é nelas, e não na razão calculista, que pulsa o coração, "o coração revelador" como diria Poe. E o coração das palavras do cardeal está cheio de sombras terríveis."

hoje aqui: http://jn.sapo.pt/2008/03/04/ultima/o_coracaorevelador.html

Cristina disse...

e-ko

excelente, comentário. brilhante.

obrigada.

(o link, diz que o artigo ja nao esta la...)

e-ko disse...

http://jn.sapo.pt/2008/03/04/ultima/o_coracaorevelador.html