03 janeiro 2008

outras bandas se passam.



Um dos acontecimentos de 2007 em termos discográficos, foi a decisão dos britânicos Radiohead de lançar o seu novo álbum, “In rainbows”, online, sem a ajuda de uma gravadora.

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A banda baralhou as regras de edição discográfica, depois de ter disponibilizado o álbum na íntegra em Outubro na Internet, com o preço a ser escolhido pelo consumidor.
Depois de ter terminado a relação com a editora discográfica EMI, a banda de Thom Yorke disponibilizou em Outubro as canções de "In Rainbows" na Internet, tendo sido feitos cerca de 1,2 milhões de "downloads" do álbum.
De acordo com a empresa Comscore, que monitoriza estatísticas na Internet, cada exemplar de "In Rainbows" custou cerca de 3,90 euros, valor que a banda não confirma. Nas contas do vocalista, este foi o mais lucrativo de todos os álbuns do grupo pela simples razão de que os lucros não foram repartidos com a EMI. "In Rainbows" foi eleito pelas revistas da especialidade como um dos melhores álbuns de 2007, mas mais do que a música, foi sobretudo a atitude da banda perante a indústria discográfica que mais deu que falar, pondo em causa a relação entre artistas, editores, distribuidores e consumidores de música. Tendo já sido escutado por milhões de pessoas que fizeram as suas próprias escolhas das canções favoritas, a banda seleccionou "Jigsaw Falling into Place" como o primeiro single a retirar de "In Rainbows"[ SIC]
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Quem serão os próximos? Sabendo que a maior parte das receitas das bandas provêm das suas actuações ao vivo (por exemplo, em 2005, a vendas de cds apenas representou 6% das receitas dos U2), estarão os artistas realmente ameaçados pela internet? Ou serão as editoras quem mais receia as novas tecnologias?
Por exemplo, Os Pearl Jam
já venderam gravações ao vivo no seu site e seguem uma tradição de eliminar intermediários para baratear a música disponibilizada aos fãs. Com esse sistema já implantado, seria simples fazer o mesmo com álbuns de estúdio. Os Pearl Jam teriam liberdade para fazer isso, já que o contrato com a Sony BMG é negociado por álbum. Prince,
já se mostrou disposto a distribuir música fora das estruturas tradicionais das gravadoras, lançando novas canções no seu website, por meio e oferecendo seu álbum mais recente em parceria com o jornal britânico “Daily mail”. Prince travou uma batalha judicial pela proibição do uso da sua imagem por clubes de fãs. Aparentemente, Prince quer centralizar as atenções no seu site. Courtney Love,
postou um texto na sua página no MySpace admitindo a fascinação pelo modelo lançado pelos Radiohead e considerando a possibilidade de fazer algo similar no futuro. Seu álbum mais recente, intitulado provisoriamente “How dirty girls get clean”, deveria ter sido lançado em 2007, mas ainda não apareceu. Nine Inch Nail,
depois da muito anunciada despedida do selo Interscope e da Universal, o líder do Nine Inch Nails, Trent Reznor, declarou a intenção de lançar o próximo disco do grupo no website por US$ 5. Também colaborou no lançamento de “Niggy tardust”, de Saul Williams, oferecido online nos moldes do álbum do Radiohead.
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Esta nova modalidade de edição é uma janela de oportunidades que se abre para os músicos, uma vez que o seu trabalho chega ao público sem necessidade de requisitar qualquer intermediário.
A criação das netlabels- editoras sem fins lucrativos que operam na Internet há mais de 10 nos, disponibilizam música quase sempre gratuitamente em formato mp3, com o consentimento dos autores e demonstram a massificação desta nova forma de fazer música e de a dar a conhecer.
Muitas bandas começam a ser conhecidas devido à Internet e posteriormente alcançam grande sucesso com muitos álbuns vendidos e concertos esgotados um pouco por todo o lado. Artic Monkeys, Clap Your Hands Say Yeah são exemplos de bandas que nasceram no mundo da Internet, sem quaisquer agentes a dá-los a conhecer.
As netlabels distribuem música em formatos digitais. As edições são semelhantes às de uma editora tradicional, mas estão disponíveis na Internet, regra geral, gratuitamente. Surgiram, a nível mundial, na década de 1990, mas têm raízes na chamada demoscene (equipas de artistas gráficos, programadores informáticos e músicos que competiam entre si). A maior parte destas editoras virtuais lança música electrónica ou experimental, mas há editoras dedicadas a outros géneros. "Com o avanço tecnológico, o formato tornou-se como a música: imaterial", refere Pedro Granja Carvalho, da Plastic4Records. "A tecnologia evoluiu a tal ponto que nos permite divulgar música com escassos recursos obtendo potencialmente os mesmos fins que qualquer editora major [multinacional]", continua. Para André Neto, da Yellow Bop Records, as netlabels "espevitaram o músico que há em nós" e, por outro lado, permitem "aceder directamente ao consumidor". Por estas razões, há quem as compare às editoras independentes dos anos 1980, que também apregoavam o "faça você mesmo". [Público]
Netlabels Portuguesas
Enough Records
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Irão agora os músicos já consagrados ultrapassar as editoras e aderir às tendências não só da cultura musical urbana mas também do negócio da música e das transformações que a tecnologia tem provocado nos últimos anos neste sector?

14 comentários:

Susana Barbosa disse...

Boa! Excelente Novo Ano 2008.
Bjs

dalloway disse...

A falta que faz uma Nikon D50 com objectiva X e todas as características que a Cristina gentilmente explicou :)

Se tivesse uma máquina fotográfica comigo teria tirado uma foto e mostrava-lhe com nevava hoje quando aterrei em Londres. A neve era pouca mas foi um momento quase angelical. Já vi nevar algumas vezes mas hoje aconteceu algo de especial...mesmo!

Depois de começar a ouvir a música de Nando Reis até se me engasgou o cerebelo....e daqui não sai mais nada. Que me desculpem os Radiohead e suposto comentário ao post.

Ai Nandinho...

Cristina disse...

querida Dalloway, e porque é que a menina não anda com um maquina no bloso pra me mostrar esses momentos ein? tá mal...

sabia que ia gostar da música :), eu, gosto muito.

acho que vou fazer mais um ciclo de musica brasileira, eles é que nos entendem né? :))

Francis disse...

hoje em dia o que dá dinheiro aos musicos são as tournées e o merchadising, os discos têm um peso insignificante na bolo dos artistas, claro. assim sendo interessa-lhes chegar o mais rápidamente ao consumidor final para o resto vir por acréscimo.

Skiweb disse...

Bom...
Nice space...hehehe
vou voltar mais vezes:))
e um 2008 ainda melhor!!!

DUCA disse...

Querida Cristina

Passando para te desejar um excelente 2008.

Beijo

Dywas disse...

Olá Cristina!!

Não podia deixar de comentar este post.
A indústria da música está a mudar à força ultimamente, com os músicos descontentes a verem o seu trabalho a ser abusado em nome de editoras que lhes roubaram os direitos com um contrato que parecia melhor à primeira vista.
Bandas como os Radiohead são um exemplo a seguir, é importante acabar com a distância entre os músicos e o público. E deixar de ver as coisas como os produtores e os consumidores. É arte.

Ao tirar do caminho a distribuição, a duplicação de CD's/DVD's, a "edição" que as editoras gostam muito.. aqueles 3 minutos de música orelhuda de que eles tanto gostam para por em rádios e vídeos e vender, vender, vender..

Quanto ao merchandising, não se esqueçam que também são lucros repartidos e há muito contrato pelo meio..

Sim, a maioria das receitas de um artista ou banda vem dos concertos.. mas isso é mais do que justo. Tentem vocês dizer adeus à família durante largos meses (e até anos, em casos extremos) e andar pela estrada a tocar até não aguentar mais. Mesmo que o façam com gosto, é um trabalho. É a divulgação da arte que produziram.


Um beijinho grande de bom ano,
Luis "Dywas" Domingos.

astrid disse...

Gostei.muito bem|
beijinho

Cristina disse...

francis

acredito que sim, que o mais importante seja mesmo cativar o público, o resto vem por acréscimo :)

beijinho

Cristina disse...

skiweb

olá, bem vindo então. sempre. :)

cumps

Cristina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cristina disse...

Luis "Dywas" Domingos. :))

Olá, prazer, ver-te por aqui :)

achas que a breve prazo teremos os músicos a chegar ao público via net em primeiro lugar?

para mim, talvez o maior problema seja mesmo o excesso de oferta e a dificuldade em "escolher". mas no fundo acontecerá o mesmo que com as notícias e as escolhas de leitura, já nos habituámos a determinados portais ou sites e a selecção acaba por estar feita. não será?

sendo músico, ja pensaste ou já editaste alguma coisa na net?

um beijo, Bom Ano para ti também :)

MariaTuché disse...

Adoro as coisas que fico a conhecer através deste blog!!, qual Google qual quê!!

Contra Capa, sem dúvida um dos meus locais preferidos no mundo da Internet!!

Obrigada por tão boa leitura em 2007, apesar de não ter vindo com a frequência que gostaria.

Beijossssssssssss

barb michelen disse...

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