25 janeiro 2008

só se fala doutra coisa



urgências, ambulâncias, urgências, INEM, ambulâncias, bombeiros, ministro, enfim....quanto ao caso das últimas 24 horas, e concedendo no ridículo da situação e da articulação das informações e dos meios, de qualquer modo, é bom que se fale, porque estamos a falar de um pedido de socorro e da chegada de uma VMER [Viatura Médica de Emergência e Reanimação] à localidade de Castedo, concelho de Alijó, situada a cerca de 45 quilómetros da capital do Distrito - Vila Real, segundo o INEM 40 minutos depois e, segundo António Fontinha-comandante dos bombeiros de Alijó, "50 minutos" até chegar perto da vítima.
É bom que se fale porque, justamente, falamos de um acontecimento que há 10 anos atrás, ou mesmo há 5, não se imaginava que fosse possível. Onde até há pouco tempo existiam, e só, os mesmos bombeiros que lá estão hoje.

50 minutos é muito tempo? é.

47 comentários:

immortal disse...

há 4 anos precisamos de uma ambulância e ligamos para os bombeiros e eis a resposta : "não temos ninguém para mandar, foram jantar"...
de alijó a vila real são 45 km, mas do mais "doloroso" que se possa fazer...
dizia o comadante de favaios que não tinham acordo com o inem e não tinham que ter pessoal de prevenção (ou algo do genéro) mas e então?se o familiar tivesse ligado directamente para eles e não para o inem?
negavam ajuda?

dalloway disse...

Depois do que bebi ao jantar (estive quase, quase a fumar um cigarro)... fazia um telefonema urgente a pedir que nos proximos 10 minutos me trouxessem o Brad Pitt ou a Angelina Jolie (ou os dois).
Assim só se estragava uma família mas sem vitima nenhuma!

LM disse...

Tudo isto é medonho!!
Beijos

Vinho Seco disse...

Os jornalistas não precisam de ser idiotas para fazerem jornalismo. Foi isso que me pareceram ontem aqueles jornalistas da SIC, que num trabalho, realizado com alguma cirurgia, quase crucificaram o tipo do INEM, por causa do socorro às quatro horas da manhã, a uma pessoa que estava, infelizmente já cadáver. Mas na realidade estas viaturas e estes meios, parecem-me ser de uma eficácia espantosa, e apesar de alguns aspectos ainda por afinar, como sejam melhoras as comunicações, e o treino nessa área aos intervenientes no sistema, verifica-se que sem o telemóvel nada disto seria possivel. Quem diria que este cocktail de meios onde o telemóvel tem um papel fulcral iria salvar vidas. No caso de ontem do infeliz do Castedo, só faltou mesmo a capacidade de ressuscitar, " em tempo ùtil" e nunca em 14 mais 7 minutos como os jornalistas da SIC quase exigiram...

Cristina disse...

immortal
lm

o que é preciso saber é que já melhorou muita coisa e que ha a intenção de melhorar mais ainda. vai custar? vai. devia ja ter-se avançado muito mais? devia. culpa? pois seguramente dezenas de anos de governos que se limitaram a espalhar tascos por esse pais fora que nada têm a ver com assistencia de emergencia a serio. não morriam pessoas? morriam e muito, só que ha uns anos atrás não se questionava nada desde que vissem uma bata branca. as pessoas estão mais exigentes e querem que se faça mais e melhor.

pode ser que isso reulte em melhoria efectiva :)

Cristina disse...

dalloway

pois eu não bebi nada ao jantar, não me apeteceu fumar, a familia bazou e estou tentada a ir ver um filme qualquer do Deppinho mas ainda não me apeteceu sair daqui. tenho estado a ler algumas coisas de que gosto :)

Cristina disse...

descobri aqui no escritorio, nestas pilhas intermináveis de filmes que nunca vi, o Don Juan De Marcoe o Jack o estripador. um deles verei, acho.

Cristina disse...

vinho seco

o caso de ontem era, ao que parece, um caso perdido.para mim a questão nÃo é de todo é essa.

para mim, e ainda hoje o disse a um dos elementos da comissão de reestruturação (que espero que esteja na conferencia de imprensa da proxima semana), é a falta de preparação do terreno. 2 coisas: instruções à população, e falo de "massacre" mesmo, e acesso rapido, dê lá por onde der.

mas, isto só se consegue com a primeira, isto é, com informação precisa e a certeza de qual é o meio adequado. não se pode correr o risco de saidas para falsas urgencias, para assim se poder atender correctamente às reais.

é espaço a mais para andar uma VMER perdida por aí quando nem era preciso e depois faltar onde era essencial.

dalloway disse...

Se é o que eu penso, veja o Jack o estripador porque a interpretação do Deep é fantástica e o filme é bom. Isto de gosto é discutível mas veja esse...sempre pode parar se não gostar ou então continue a ler :) Eu gostei do filme.

E agora que a mana foi embora depois de beber o que havia para beber e um jantar confeccionado por moi-meme, vou ver um filme chamado "the dead girl" (a rapariga morta?), ou isto ou outro filme...tenho filmes a criar pó nas estantes, no chão e tudo e tudo :)

Manel disse...

Para cada vila um quartel de Bombeiros com um bar, claro, e com o respectivo salão de festas.
Compra-se 50 euros de vinho e 50 centimos de pão.
Mas para que é preciso tanto pão?

migas (miguel araújo) disse...

Minha Cara
Quer se goste quer não, é o que dá fazer reformas sem estruturar os sistemas.
É o que dá não se olhar, nem se ter respeito, pelo Portugal Profundo. Aquele que também existe fora dos grandes centros urbanos e populacionais. Onde também existem portugues (mesmo que alguns os considerem de segunda).
bjs

Cristina disse...

manel

lool, pois, pão só engorda e é obstipante.

beijo

Cristina disse...

migas

o bom é que se começa AGORA, e só AGORA, a olhar para estas povoações. quando é que há meia duzia de anos tu vias noticiarios com os gajos que morriam em Alijó e em Anadia????????????????????

Desinformador disse...

nao me parece que seja caso para crucificar quem quer que seja. neste caso pelo menos, porque depois do que li, a vítima teve morte imediata em consequência da queda nas escadas.
No entanto, a falta de meios é preocupante e deve ser discutida.

Probably já vou tarde... mas estou com a Dalloway! Jack o estripador definitivamente! se bem que o don juan de marco tem o seu encanto.

Pêndulo disse...

"o BOM" ????

És uma idealista, queres que uma população semi-analfabeta como a portuguesa comece de repente, graças a um "massacre" mágico, a saber fazer triagem de doentes. Talvez ao telefone passem logo a indicar a cor da etiqueta correspondente nas urgências.
Tiveste um momento zen, fora do real.

Fado Alexandrino disse...

Parece haver aqui uma verdade.
O fulano de Castedo, naquela noite, morria de certeza absoluta qualquer que tivesse sido a queda.
Ás quatro da manhã esperar que uma VMER de Vila Real resolva os problemas de acidentes graves por todo o distrito não me parece que vá dar grandes resultados.
Por outro lado manter SAP's abertos com médicos não treinados e sem equipamento apenas vai dar em que alguns ainda apanhem com processos disciplinares.
A solução?
Ir transferindo gradualmente as pessoas para as localidades maiores mais próximas, e assim sucessivamente até estar tudo concentrado em Lisboa.

Eric Blair disse...

e pensar que alijó é ali já...

Pézinhos n' Areia disse...

ahahahah ... boa Fado Alexandrino !

Como diz o Piotr:

quem vive na província está fudido.
eu diria ... BEM fudido.
E está Hoje, esteve ontem e estará Amanhã ... pelo lento andamento de mudança que se constata.

É que 45 Km no interior não é a mesma coisa que 45 Km nas zonas urbanas. Este é um aspecto.

A grande vantagem que hoje temos é a visibilidade que esta fragilidade social (e outras) têm por via dos "media".
Não vale a pena tapar o sol com a peneira, porque o sol vai passar na mesma pelos buracos.

Aquilo que eu quero dizer à Cristina, se bem me lembro, de tudo o que já foi apresentado, por ela, aqui no blog, de forma aprofundada e clara, é que aquele aspecto que a Cristina, sublinhava de que os meios de emergência (viaturas e bombeiros) teriam de estar à altura de dar resposta às alterações operadas pela reforma implementada pelo Ministério da Saúde, para tudo dar certo, neste caso, parece-me que AINDA não estão, porque não deram a resposta necessária, em tempo útil.
Dado que se se tratasse de um caso de a vítima ainda estar viva, provavelmente (digo provavelmente) teria morrido.

Mas o que tb me perturba, é todo o desenrolar da conversa telefónica, que denota problemas de competência ao nível do saber comunicar, entre o 112 e os bombeiros. Para além de que o bombeiro diz que está sózinho para ir buscar a vítima. Um bombeiro não pode estar sózinho, naquela situação. Ou pode ?

Não pretendo atribuir responsabilidade ao Governo PS, porque a responsabilidade (penso) é deste e de todos os governos que o antecederam, de uma situação desta natureza, poder acontecer no nosso país, no séc. XXI, catapuldando-nos para os níveis do 3º Mundo.

Somos "frágeis". Ainda somos, sim.

Desculpe-me alguma expresão errada, mas a linguagem técnica destas coisas não domino.


Agora tb devo dizer que os médicos portugueses têm sido, ao longo de décadas, pouco solidários com as populações, nomeadamente a Ordem dos Médicos, ao manterem uma postura passiva, ausente, nada interventora, no sentido, de acabar com este ATRASO por demais evidente.

São os médicos, quem melhor sabe, o que está mal e o que é preciso fazer, no que concerne à saúde das populações.

Cristina disse...

dsi

este caso especifico é pouco relevante.

acabei por ver o Don Juan De Marco e..................quero um doente d.a.q.u.e.l.e.s!!!!!!!!!!!!!!!://

Cristina disse...

P

quero, quero sim! não quero que o meu pais se conforme com sistemas adaptados, e mal, a uma população é analfabeta!

e vê se entendas, ninguem te pede triagens, pedem-te só meia duzia de respostas. não é muito.

Cristina disse...

fado

não é a falta de centros de saúde que despovoa, é o despovoamento que vai retirando escolas e centros de saude de determinadas localidades.

também não é por la se colocarem que as pessoas vão para lá viver, precisam de mais qualquer coisa...

Cristina disse...

Sofia

obrigada pelas suas observações. vamos lá.

por enquanto quem vive lá no castedo ainda está fodido. mas sempre esteve. pela primeira vez, ha um governo que tenta chegar lá e chegou, ainda que com atraso de 50 minutos. percebe o que quero dizer?? há meia duzia de anos NENHUMA ambulancia nem VMER nem medico se deslocavam lá! iam uns bombeiros, a pessoa morria na mesma "porque tinha que morrer" e não era noticia. hoje, toooda a gente acha um ascândalo isto ter acontecido. e no entanto, a situação ja é diferente.


em relação aos medicos, pense numa coisa simples: porque é que a grande maioria dos medicos, os que pretendem ser bons profissionais, digo, porque é que sempre se disse que não queriam ir para a periferia??? exactamente porque nessas tascas que estavam espalhadas pelo interior praticava-se tudo menos medicina a serio.

mas disso, as pessoas nem se apercebiam.

Rosalina disse...

em relação aos medicos, pense numa coisa simples: porque é que a grande maioria dos medicos, os que pretendem ser bons profissionais, digo, porque é que sempre se disse que não queriam ir para a periferia??? exactamente porque nessas tascas que estavam espalhadas pelo interior praticava-se tudo menos medicina a serio.

Julgo que quem tem de pensar serão os tais médicos que se pretendem bons profissionais.

Para poderem dizer que nas tascas se pratica tudo menos medicina, deveriam ir, então, para as tascas para ensinar aos tasqueiros o que é medicina. Isso é que seria ter iniciativa.


Há aqui qualquer coisa que eu não entendo.


Aplaudir quem anda mudar as coisas só porque é preciso mudar, mas não cria as condições para tal é, no mínimo, imprudente. Para não lhe chamar outros nomes.

Mais cedo ou mais tarde também nos pode bater à porta.

Pêndulo disse...

Pois, mas quando se fecharam serviços justificou-se com VMERs e coisas que tais e que até ficavam melhor e afinal :

Por falta de médicos e enfermeiros, às quartas e sextas-feiras de manhã, a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER), uma espécie de urgência avançada, sediada no Hospital de Chaves, está inoperacional. Nessas duas manhãs, mesmo que a gravidade da situação o justifique, o socorro terá que ser prestado por outros meios de socorro menos qualificados que existem na região. A inoperacionalidade da VMER pode assumir contornos mais preocupantes com o encerramento de alguns serviços médicos, como é o caso da maternidade e da urgência de obstetrícia/ginecologia do Hospital de Chaves.

Aqui

Sinto-me enganado.

Pézinhos n' Areia disse...

percebi Cristina e tem razão, já foi pior, e estará a melhorar.
Como médica, a Cristina é autoridade para falar sobre o assunto, não só pelo seu percurso profissional, mas também pelo conhecimento do "terreno" que lhe proporciona naturalmente o contacto com os seus colegas, das mais diversas proveniências do país.

Qto. à última parte que referi, sobre os médicos, é que eu nunca senti, pelo menos de forma visível, que os médicos batêssem o pé, e fizessem ruído, para terem melhores condições de trabalho, no sentido de também melhor servirem as populações.

Por exº, em muitas situações, os médicos terão certamente a noção que, se o transporte do doente tivesse levado menos tempo a chegar, e em melhores condições de transporte, quanto a suporte de vida, a vida desse doente se teria salvo.

Mas acredito em tudo o que a Cristina, porque me merece toda a confiança e toda a credibilidade.

Fado Alexandrino disse...

não é a falta de centros de saúde que despovoa,

Claro que não.
Agora há duas maneiras de ver o problema.
Ou se fecha porque não há gente suficiente para aquilo lá estar
ou
Se abre e espera-se que outras pessoas se juntem às que lá estão.
Isto custa muito dinheiro, é verdade.
Menos que os dois submarinos que vamos comprar para nos defendermos, sei lá de que e de quem, digo eu.

Observador disse...

Seguindo o princípio aqui defendido em tempos, instituição que não tiver condições, fecha.
Ora vamos lá então a fechar os quartéis de bombeiros sem capacidade de resposta como aconteceu neste caso com Alijó e Favaios.
Como alternativa, criem-se os bombeiros privados. Verão que tudo melhora num abrir e fechar de olhos.

maria disse...

Joaquim Agostinho, em 1984 caiu da bicicleta e acabou por morrer de traumatismo craniano porque não havia um helicóptero para o transportar para o hospital. Em 2008 morre-se de traumatismo craniano por se ter caído de uma maca num corredor das urgências de um hospital onde estava abandonado.

Cristina disse...

Rosalina

entendo muito bem a tua preocupação, é a minha também, e espero para bem dos doentes que a "máquina" possa ser melhorada.

quanto à pratica da medicina nessas paragens, repara: o exemplo de Anadia. Um hospital com uma media de 1 cirurgia por dia. poderás dizer que valia a pena. ok. lembras-te de eu aqui dar o exemplo de França? repito:

em França, o governo encomendou um estudo de mortalidade segundo cada patologia nos varios hospitais franceses, que foi publicado.
Dizia assim: se tu fires operada ao estomago, no hosp.X tens Y% de probalibidade de morrer, no hosp a tens b% de probabilidade e por aí fora.
no fim daquilo tudo, todos os serviços que faziam menos de 7 cirurgias por dia, foram fechados. em toda a frança, no mesmo dia. é só disso que se trata.

quanto ao ruido de que falas, pois eu ja dei por isso em muitos sitios. posso até dizer que a unica vez que escrevi cartas de denuncia à ordem e ao ministerio foi exactamente por falta de condições de trabalho e de mau serviço prestado aos doentes. eu e os outros chefes de equipa que trabalhavam na mesma altura nas mesmas condições. e conseguimos muda-las.
neste momento tens um levamtamento no hospital de Faro, dos chefes de equipe, pelas mesmas razões. não é justo, portanto.

Cristina disse...

fado

em sitio nenhum tu ves instalar hospitais e escolas á espera que isso leve para lá gente, digo eu. costuma ser ao contrario.

Cristina disse...

observador

uma corporação de bombeiros é uma corporação de bombeiros. uma urgencia não tem nada a ver com uma corp. de bombeiros. um serviço de cirurgia não tem nada a ver com uma coisa nem com a outra. está a falar de urgencias, de bombeiros, de hospitais, de serviços de cirurgia, ou de outra coisa qualquer?

Cristina disse...

maria

tanto agora como ha 20 anos ainda se ha-de morrer das duas coisas. no entanto, espero que cada vez menos. tanto num caso como noutro.

cumps

Observador disse...

Estou a falar daquilo que vocês, clínicos, com a ajuda do vosso ministro, teimam em esconder.
Estou a falar da doce tentação da defesa do privado.
Estou a falar do que os senhores clínicos têm medo de falar. Da realidade. Não vos dá jeito.
A vós, clínicos (generalizo), e aos senhores que teimosamente governam este país.

Diga-me, você, de sua justiça.
É mais inteligente que os outros? Ou deverei chamar-lhe uma coisa mais feia?

Pêndulo disse...

O que dizes na resposta à Rosalina está muito correcto mas é a análise de apenas um ponto : a relação entre o número de cirurgias e a probabilidade de morte. É como se fosses comprar um carro e decidisses o modelo apenas pela cor dos estofos (sim, eu sei que as mulheres são capazes disso :p).
O que aqui está em causa não pode ser abordado com um raciocínio tão elementar e simplista. Tens de pesar muitas mais coisas. Na decisão de encerrar tens de pensar na alternativa e na sua influência na taxa de mortalidade.
Tentando explicar:
Há uma taxa X% de mortalidade num serviço, se o fecharmos os utentes passam para um serviço com uma taxa Y% menor do que X. Porém a viagem que passam a ter de fazer tem uma influência de Z% de mortalidade.
Então se Y%+Z% for menor que X% o serviço X deve fechar.
Na realidade a coisa tem mais factores ainda.
O problema neste caso foi o factor Z que não foi acautelado e isso é que é a verdade. Pior ainda, pode ver-se que em Chaves se enganou a população.

Cristina disse...

P

tens numeros? antes e depois?

essa ideia de que a mortalidade aumenta, vem de que factos?

Pêndulo disse...

Eu não tenho números. Pareceu-me evidente que uma viagem aumenta o risco de mortalidade mas às vezes as coisas não são o que parecem, por isso gosto de ouvir e aprender com quem sabe, como é o teu caso dado que és da área. Quais são então os números?

Cristina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cristina disse...

Observador

obrigada pela argumentação. devo dizer que a capacidade de entendimento dos verdadeiros motivos da transformação é uma lufada de ar fresco neste debate e digna de uma inteligencia superior.

sinceramente, é extraordinario como é que ninguem tinha conseguido sequer chegar perto do sinistro motivo e da verdadeira logica de toda esta movimentação.

os meus parabéns.

Cristina disse...

P

a especialista não sou eu nem fui eu que fundamentei os estudos, de qualquer modo, aí vai:

este

vou buscar mais..

Cristina disse...

mais este

Cristina disse...

outro

Pêndulo disse...

O último link não funciona.
Depois de almoçar vou ver isto. Para já notei, no documento do segundo link, pag. 13 que nas regiões Norte e Lisboa e Vale do Tejo a melhoria é mínima (note-se que se trata de uma proposta e não dos valores reais)

Pêndulo disse...

Só mais um esclarecimento.
Não depreendas do que eu digo que estou contra o fecho de SAP e coisas que tais. O que me parece é que da proposta à realidade actual vai uma grande diferença. No caso de Alijó parece que o "factor Z" não foi trabalhado antes do encerramento o que origina uma sensação de insegurança enorme.
Diga-se que eu tenho a experiência de mudanças efectuadas por este governo que positivas acabam por se revelar trágicas por serem feitas de forma apressada e não preparadas na totalidade. Veja-se o que se está a passar com o sistema de avaliação dos professores que passa os limites do aceitável para cair no autismo irracional.

Cristina disse...

P

concordo contigo que muita coisa ainda está a funcionar mal, mas repara:
onde estavam as críticas quando o INem não abrangia Trás-os- Montes o Alentejo ou as Beiras, onde estavam as críticas quando não existiam VMER ou SIVs,ou outras formas de emergencia qualificada. mais:que Urgências, com U grande foram encerradas? Nenhuma! Os tais encerramentos, referem-se a sítios onde nunca funcionaram verdadeiras urgências, sítios onde estão médicos a fazer consulta, sem qualquer capacidade cirúrgica, sem competência em suporte de vida avançado ou trauma, servindo de sinaleiros e indicando o caminho para uma verdadeira urgência.
Mas face ao ruído da imprensa,o que irrita é que parece que resta a tentativa de acabar com a reforma deixando tudo na mesma como de costume.

Sabias por exemplo que o Algarve dispõe de um sistema de via verde coronária, com 3 VMERs e 4 pontos de urgência básicos a fazerem elecrocardiogramas e a enviá-los por via transtelefónica para Unidade Cardiológica de Intervenção, permitindo uma coronariografia de urgência ou medicação com um medicamento fibrinolítico? estão todos ligados em rede e foi um trabalho excepcional.

acredito que o resto do país poderá ser igual se forem feitos os arranjos especificos do local.

acredito mesmo, se não, ja me tinha calado..

Cristina disse...

tens aqui montes de documentos

http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Ministerios/MS/Comunicacao/Outros_Documentos/

e-ko disse...

só agora pude ler este post e os comentários, porque estive 10 dias sem acesso à net. mudei de burro para burro (do sapo para o clix)

mas como o assunto é importante, aí vai o meu comentariozinho atrasado...

há várias ordens de análise com o que sucedeu lá para Alijó terra do meu bisavô. em primeiro, uma comunicação social que explora, demagogicamente, um "não caso" para atingir a credibilidade do ministro Correia de Campos e do governo. depois a dificuldade de organização dos serviços nessas terras do interior, de qualquer ordem, não unicamente os de saúde que apenas são mais sensíveis, o próprio pessoal que não tem a formação e o desempenho que deveria ter (a conversa telefónica parecia um diálogo de surdos em que um dos dois mais seria um atrasado mental) deixar só no serviço um indivíduo que não parece ter qualquer rasgo de iniciativa pessoal para telefonar a um responsável, diz muito sobre como é encarado o desempenho de tais serviços, sejam eles voluntários ou profissionais.

claro que a classe médica não está isenta de responsabilidades em todo o processo de progressão das condições de trabalho e tratamento das populações. durante muitas décadas fugiram sempre à possibilidade de serem colocados em zonas muito afastadas de Lisboa, Porto e Coimbra e não foi só por falta de condições de trabalho...

depois, a questão da interioridade e da progressiva rarefacção de serviços de saúde e de educação advém de responsabilidades certamente de políticas de ordenamento do território inexistentes durante muitas décadas, mas, também, de políticas regionais e autárquicas, pouco ambiciosas e esclarecidas, e dos agentes económicos que não criam postos de trabalho susceptíveis de fixar as populações no interior... à emigração para o Brasil ou para a Europa a emorragia continuou para o litoral... se nada se fizer com muita urgência e muito seriamente, é a progressão da desertificação do interior que vai imperar, com todos os problemas que isso comporta... a não ser que se descubra uma jazida de petróleo suficientemente importante para poder continuar a financiar os serviços mesmo que as populações sejam cada vez mais reduzidas! Ver o caso da Noruega!

Cristina disse...

e-ko

"agentes económicos que não criam postos de trabalho susceptíveis de fixar as populações no interior.."

principalmente isso. as pessoas sempre se deslocaram quando têm uma hipotese de trabalho mais aliciante do que a que tinham antes. é só disso que se trata. se tiveres um posto de trabalho atractivo até vais para o deserto, ou para o mato em Angola, por exemplo.

o resto vem DEPOIS. as condições levam-se às pessoas e não as pessoas às condições.

concordo com tudo o resto.

beijos