15 janeiro 2008



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Como podemos interpretar isto? Não sou socióloga, mas é curioso porque, ao contrário do que muitas vezes se pensa, o "progresso", a maior autonomia das mulheres, a liberdade, o maior individualismo, a falta de fé religiosa, a liberdade sexual e outros horrores que das Neves sempre explica bem melhor que eu, parecem não afastar as pessoas do desejo de ter filhos. As coisas tornaram-se mais claras. Havendo meios de levar por diante uma gravidez, as mulheres continuam a querer ser mães e os homens continuam a querem ser pais. Penso que há, sim, um descrédito no casamento como instituição, como contrato, mas não no casamento como união afectiva e fértil. No fundo é isso: acredita-se numa relação que é suficientemente forte para resultar no nascimento de uma criança, mas já não se considera que o casamento tradicional dê consistência a esse projecto amoroso do qual resultará a maternidade/paternidade. E de facto, não dá. Não sei se já não dá, se nunca deu. Que sejam felizes. Seja numa família tradicional ou alternativa, é o que uma sociedade de bem deve desejar. Apesar dos das neves a que todos têm direito e que também lá não faltam, como se vê nos comentários à noticia...."Et malheureusement pour ces enfants, victimes de l'absence de reconnaissance juridique ou religieuse des unions de leurs parents, ils restent socialement des bâtards. Quelle tragédie!"

10 comentários:

Abastardado disse...

Uma bisavó minha teve o meu avô com 15 ou 16 anos, duma relação proibida com um primo mais velho. Gente toda ela muito católica e temente a Deus, por isso esconderam o bastardito na roda das freiras, para fazerem dele um bom cristão útil à sociedade. A hipocrisia de certos bons católicos mete dó.

dalloway disse...

Penso que a resposta está na linha daquilo que a Cristina disse.

Posso dar num exemplo de uma mulher que conheci (há 2 anos?) com 37 anos e mãe de três filhas. Foi mãe pela primeira vez aos 16 anos e as três filhas são de pais diferentes.
Passado algum tempo após nos termos conhecido, disse-me que ia ser mãe novamente, do então companheiro (ela nunca casou)
Quando a conheci as filhas tinham 21, 9 e 3 anos.
Lembro-me quando fui a uma reunião de amigos na casa dela, a harmonia era o prato principal e o entendimento entre as 3 irmãs era deliciosamente divertido e carinhoso, sem necessidade de ficar bem na fotografia.
A relação dela com as filhas é assumidamente maternal.

Aquilo que sinto é que todas as relações vividas por esta mulher, foram relações assumidas como se de um casamento se tratasse, incluindo este companheiro pai da 4 filha.
Resta acrescentar que esta mãe de 4 (incluindo uma que está na faculdade) tem uma vida profissional e que também ela precisa do seu ordenado para viver.

Pêndulo disse...

Façam é filhos para eu ter quem me pague a reforma!
E amem-nos, sobretudo amem-nos porque os quiseram e não por estarem sacralizados pelo matrimónio.


Fora do tema gostaria de te pedir um comentário a esta notícia que me deixou espantado.
Quando vi como tu e outros comentadores que sabem do assunto defenderam o encerramento da sala de partos de Chaves fiquei convencido da justeza da medida. Agora vejo isto.
Saliento que em relação ao Hospital de Chaves esta nova unidade com maternidade apenas acrescenta ao mercado potencial a cidade espanhola de Verín mas, sendo privada, não terá o mesmo número de utentes do hospital público e consequentemente fará poucos partos.
Isto deve ser permitido?
Se fosses dar à luz naquela zona o que preferias? Ir de ambulância para Vila Real ou este novo hospital privado?

Esta interpelação não é um "picar-te". Nada disso, apenas quero uma opinião desinteressada e conhecedora.

Alexandra disse...

o reconhecimento jurídico tem que mudar e acontecerá mais cedo ou mais tarde porque se vergará às novas realidades, o serem socialmente bastardos (para alguns, claro) mudará também porque os das neves vão diminuindo (embora mais devagar : (

Cristina disse...

abastardado

sabes que no tempo das nossas avós estas situações até acho que eram mais toleradas? havia um pequeno escandalo e as coisas resolviam-se.

na minha zona, só sei dizer que dessas idades eram frequentes as pessoas que tinham filhos de outras relações. na minha familia havia, tanto da parte dos avos, como bisavos, maternos e paternos.

e os que se descobriam depois da morte dos respectivos pais? ah pois...mania de não deixarem as pessoas namorarem com quem queriam, dava nisto.

Cristina disse...

dalloway

interessante essa historia. no fundo, seja qual for a situação, o que interessa é que quem vai ser mãe/pai, o faça com convicção e maturidade, dentro ou fora do casamento tradicional. o resto, é o resto.

beijos garota!

Cristina disse...

P

ora bem. a filosofia que preside ao fecho de maternidades e urgencias ja percebemos qual é.

só uma nota, sabes que quando Sarcozy era ministro do interior, se não me engano foi nessa altura, o ministerio da saude fecho TODOS os serviços de cirurgia que praticavam menos de 7 cirurgias por dia, todos. sem aviso e de um dia pró outro vuum! tudo ao mesmo tempo. nem tiveram tempo de abrir a boca nem de dizer nada. houve contestação a seguir? não me lembro.
continuando. o trabalho que tinha que se fazer fez-se e de forma independente. depois, ou antes, ha sempre a possibilidade de quem quiser de forma privada aproveitar para te aliviar determinados incomodos, vai fazê-lo, sem duvida. tal como aqui em lisboa as clinicas privadas têm sucesso porquê? porque os cirurgiões operam MELHOR que os do publico? NÃO, porque te atendem à hora que tu quiseres, te operam quando tu quiseres, e te proporcionam instalações só para ti e para a familia, se pagares. ou seja, tiram-te do circuito. é isso que fazem em lisboa, porto ou chaves. é um furo no mercado.

quanto à parte técnica, só podes colocar essa questão quando a privada tiver quadro proprio porque, o curriculum do medico é feito no hospital, ou seja, um obstetra que faz o parto na privada, apresenta ao seu cliente, como mais valia, a sua casuistica no publico. ou então, se ja se passou para a privada, é porque o movimento ja lhe o permite, o que vai dar no mesmo.

se eu tinha um filho num hospital privado em Chaves? quase de certeza não. como naõ teria aqui, numa das privadas, continuo, eu e a maioria dos medicos, a sentir que é no hospital que as coisas aparecem quando são precisas.

migas (miguel araújo) disse...

Viva Critina
Há outra questão que se pode abordar.
Acredito que muitos casais, pares, ..., tivessem vontade de ter filhos, ou, como é o meu caso, ter duas em vez de apenas uma.´
Não contrariando o que está, e bem, descrito por ti no post, há outra realidade a considerar: as condições laborais, a economia familiar derivada do peso financeiro da educação, da saúde, dos infantários, o custo de vida, etc. Criar um ou uma já não é fácil. Mais torna-se, em muitos casos deste Portugal profundo um desafio a que muitos não aderem.
bjs

e-ko disse...

é a realidade francesa. evolução mais rápida das mentalidades e das políticas que dão algumas facilidades a quem esteja disposto a ter filhos (abonos importantes e um sistema de estabelecimentos de ensino pré-escolar e creches gratuitos.

efectivamente, são crianças que nascem fora das uniões matrimoniais oficialmente reconhecidas e muitas delas por escolha de muitas mulheres que as vão criar sozinhas. por aqui, o nível de vida da esmagadora maioria das mulheres não permite tal passo com um único ordenado (já não é fácil para muitos casais!) sobretudo, quando muitos homens na hora da verdade as mandam para a "anestesia geral ou epidural..." e daí lavam as suas mãos!

Cristina disse...

e-ko

nem mais, é isso mesmo, a melhor forma de promover a natalidade é ajudar as muilheres a criarem os filhos. tão simples como isso.

o resto são moralismos e batuque fora de horas...

beijos